O crepitar das últimas luzes do crepúsculo começava a se dissipar, tingindo o céu de tons de púrpura e carmesim, enquanto os ventos suaves da tarde traziam consigo o aroma do musgo molhado e das flores silvestres que se agarravam às encostas do palácio. Jeongguk permanecia em seus aposentos, sentado diante de uma taça de vinho que já resfriava, sua mão inquieta batendo no mármore da mesa. O sabor do líquido encorpado, que normalmente lhe traria algum conforto, agora apenas intensificava a inquietação que se alojava em seu peito. A conversa recente com Jimin ainda ecoava em sua mente, e cada palavra que o alfa mais velho proferira parecia reverberar em seu interior como uma melodia ambígua, ora doce, ora perturbadora.
Argh! — exclamou, jogando a taça ainda parcialmente cheia de vinho contra a parede, o impacto ressoando como um trovão abafado dentro do aposento. — Maldito lobo! — rosnou, pressionando as têmporas com ambas as mãos, tentando afastar o incômodo latejante que se alastrava como fogo em sua cabeça. A presença do seu instinto lupino era, naquele momento, mais opressora do que qualquer dor física.
Antes que pudesse se recompor, a porta de seus aposentos se abriu com um leve rangido. A rainha Lalisa, altiva e envolvente, adentrou o cômodo com passos silenciosos, mas carregados de propósito. O perfume suave e intoxicante que exalava — um aroma de jasmins misturados a notas de musk — insinuava suas intenções sem necessidade de palavras. Jeongguk, ainda pressionando a testa, levantou os olhos pesadamente, sentindo seu estômago se contrair. Ele sabia exatamente o que aquela visita significava, e a perspectiva o deixava simultaneamente irritado e incomodado, pois já havia estabelecido limites claros que Lalisa, de forma insidiosa, se recusava a respeitar.
— Jeongguk, precisamos conversar — disse a rainha, sua voz baixa, firme e carregada de sedução, deslizando pelo aposento com passos leves. O tecido fino de sua vestimenta flutuava ao redor do corpo, acentuando cada curva, cada movimento.
— Diga. — A resposta do alfa foi ríspida, contida, seu olhar desviado para a janela, observando o céu tingido de cores que agora pareciam pesar mais sobre seus ombros do que o próprio dia. O vento que atravessava a fresta carregava o aroma de Lalisa, penetrando na sala e provocando uma reação involuntária em seu corpo.
— Meu cio é amanhã... e, como seu esposo, tens que passá-lo comigo. — As palavras da rainha saíram firmes, cada sílaba um convite explícito, enquanto a mão deslizava pelo próprio corpo, insinuando o que esperava dele. A presença dela era opressora, magnética, como se o ar em torno dela se tornasse mais denso e pesado, preenchido por uma expectativa que Jeongguk não podia ignorar.
— Não. — Foi tudo que ele conseguiu pronunciar, e a palavra soou como um estalo, firme, quase cortante, ecoando pelo aposento.
— Não? Como assim, Jeongguk? — A irritação da rainha se fez notar enquanto avançava, tentando diminuir a distância entre ambos, ignorando completamente os limites que ele havia estabelecido.
— Não. — Reiterou o alfa, firme. — Eu não te desejo, Lalisa, e não adianta tentar. — Com um gesto rápido, afastou suas mãos, tomando distância suficiente para ir em direção à porta. Cada passo era carregado de firmeza, seu corpo se movendo com a precisão e autoridade de quem não aceitava negociações.
— Pois eu não sairei daqui até que fique comigo! — Lalisa rosnou, a fúria misturada à frustração moldando cada gesto e palavra.
— Faça como quiser. — Jeongguk riu, um som baixo e controlado, carregado de desprezo. Sem olhar para trás, atravessou o corredor em direção à sala do trono, sentindo a tensão que a presença da rainha deixava para trás, mas sem se permitir ser dominado por ela.
Um estrondo ecoou logo atrás quando Lalisa, enfurecida, lançou algo contra a porta, o impacto reverberando pelo corredor. Jeongguk manteve passos lentos e calculados, consciente do próprio ritmo e da necessidade de controlar seu lobo interior, o instinto que insistia em interferir em suas decisões. Ao adentrar a sala do trono, sentou-se com a postura ereta e imponente, observando os servos que passavam de um lado para o outro, organizando, limpando e mantendo a ordem no palácio. Cada movimento, cada detalhe, era registrado em sua mente — nada escapava aos olhos de um alfa lúpus tão atento.
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The Masked Slave
Fanfiction[Reescrevendo] No reino antigo, o Jovem Rei Jeon Jeongguk, embora possuidor de coroa e riqueza, levava vida monótona ao lado de sua esposa, cuja presença lhe era morna e costumeira. Até que, num dia que não se lembra, apareceu em seus domínios um se...
