Megan acordou na manhã seguinte, com os nervos à flor da pele. Tomou uma ducha rápida. Arrumou-se. Desceu para o café da manhã.
Todos já estavam em torno da mesa aguardando-a para o desjejum matinal. Como uma autômata, ela juntou-se a família de Carl. Era estranho dizer, mas ela já não se sentia parte deles. Ela era apenas uma estranha, carregando nas costas o peso do nome Lawrence.
— Sente-se Megan. Não queremos nos atrasar para o exame. — Disse sua sogra. — Richard já está pronto?
— De que exames estão falando e porque Richard terá que ir? — Carl perguntou desconfiado.
— Megan propôs que fizéssemos o teste de DNA com Richard.
A Sra. Lawrence disse sem perceber o quanto suas palavras afetaram Carl. Ela só se deu conta da gravidade da situação quando Carl pôs a mesa abaixo espatifando as porcelanas finas ao chão.
— Vocês estão proibidos de expor meu filho a este constrangimento. — Brado furioso. — Meu filho só fará esse exame sob meu cadáver. — Acrescentou transtornado.
— Acalme-se Carl. — Dayane pediu aflita diante de tanto descontrole emocional.
Sem se importar com os demais, Carl empurrou sua esposa sob a parede, encurralando-a.
— O que você quer provar com isso, sua cadela?! — Não pense que se livrará de mim tão facilmente. Não será nenhum teste de DNA que mudará o rumo das coisas: você e Richard são meus, e, eu, não abro mão com facilidade do que me pertence.
— Largue-a, agora!
O Sr. Lawrence ordenou ríspido.
Carl largou Megan e se jogou aos prantos nos braços de sua mãe.
Extremamente abalada com o comportamento de sue filho, Dayane afagou os cabelos de Carl, como se afaga o de uma criança assustada e desprotegida. Ela, porém, não disse nada. As palavras seriam desnecessárias diante do grau de transtorno de seu filho.
Depois de ele aliviar toda sua carga emocional no colo de sua mãe, caiu aos pés de Megan, arrependido.
— Perdoe-me me amor. Eu não sei o que deu em mim. Você sabe que eu nunca a machucaria.
— Sai de perto de mim... Largue-me! — Megan pediu assustada.
— Deixe-a, Carl. — John Lawrence pediu embaraçado diante daquela situação.
— Por que você faz isso comigo... Eu a amo tanto! — Disse Carl, desconsolado.
— O teu amor me faz mal... Pegue o teu amor doentio e jogue no lixo. — Disse Megan. — Se me amo de fato, deixe-me em paz.
Cabisbaixo, ele disse: — Desculpe Megan, mas eu não consigo. Eu não vivo sem você. Peça-me qualquer coisa: menos para deixá-la. — Acrescentou e saiu desolado.
Com medo de Carl fazer alguma bobagem, Dayane saiu aflita atrás de seu filho.
Ela o alcançou antes de ele entrar em sua Mercedes.
— Deixe-me ajudá-lo, meu filho. Corta-me o coração vê-lo neste estado.
— Não façam esse teste e já estarão me ajudando. — Disse ele. — Megan quer tirar meu filho de mim... Eu não permitirei mamãe. — Acrescentou sussurrando.
Carl despediu-se de sua mãe e saiu a seguir em direção ao hospital.
Dayane retornou para a sala abatida e disposta a acerta as contas com Megan. Se tinha alguém responsável pelo estado de seu filho, era ela. Megan iria pagar por ferir Carl.

VOCÊ ESTÁ LENDO
Ciranda de Ilusões
General FictionHá uma velha ciranda cantada aos quatro ventos que ressoa o caminho do bem e do mal, como indicativo do caráter humano. Não importa exatamente a sua história, seus dramas e o contexto em que se insere, pois a dualidade entre o certo e o errado sempr...