Capítulo 15

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Bruno retornou para o quarto de Sophia mais aliviado. Parecia que sua luta e de Sophia finalmente chegariam ao fim. Aquele pedaço de papel em suas mãos era um troféu valioso. Pagaria o que fosse preciso, contanto que sua filha saísse dali. No final, todo seu esforço valeria a pena.

Michael ainda estava deitado quando seu pai retornou para o quarto.

— Levanta preguiçoso!

Bruno disse com um sorriso de orelha a orelha.

— Qual a última agora! Ainda a pouco o senhor saiu jururu daqui e agora me aparece todo sorridente!

Michael disse intrigado, com a mudança repentina em seu pai.

— Finalmente a doutora Danielly decidiu fazer a cirurgia de tua irmã. Se Deus quiser, brevemente voltaremos para nossa casa. Mais antes disso temos que pagar essa quantia.

Bruno disse, repassando o pedaço de papel para Michael.

— Será que o dinheiro que temos é o suficiente? — Bruno o questionou preocupado.

Michael quase engasgou de susto ao ver a quantia exorbitante que a médica cobrou pela cirurgia.

Diante do rosto surpreso de seu filho, Bruno o questionou.

— É muito dinheiro?

— Não é à toa que essa mulher tem muita grana. Essa quantia é um verdadeiro assalto. Não creio que o senhor tenha condições de arcar com essa despesa: a quantia é muito grande.

Michael falou para desespero de Bruno.

Como um autômato, Bruno se debruçou sobre sua mochila e começou a contar o dinheiro que ainda lhe restava. Como ele não era familiarizado com o dólar; pediu a seu filho que conferisse quanto ainda faltava do montante pedido.

Depois de Michael fazer a conta, repassou a seu pai quanto ainda precisariam para completar o dinheiro.

Bruno lançou um olhar desconfiado para seu filho. As contas feitas por Michael não batiam com as do dia anterior. Esperançoso que seu filho estivesse se enganado na contagem das notas, Bruno as conferiu uma por uma. Após constatar que faltavam algumas notas, Bruno disse desconfiado.

— Está faltando quatro notas dessas e só temos nós dois nesse quarto... Então!

— Então o quê?! — O senhor está ficando doído: eu não peguei nada.

Michael defendeu-se furioso.

— Veja como fala comigo: eu sou o teu pai. — Bruno o recriminou áspero.

— O fato de ser meu pai não lhe dá o direito de me chamar de ladrão. — Michael falou revoltado.

— Eu não te chamei de ladrão. — Defendeu-se. — Mas, é estranho que esse dinheiro tenha sumido justamente depois que eu te neguei o dinheiro para o cinema.           Observou. — Somos os únicos adultos a ocupar este quarto. Se eu não o peguei, então quem o pegou?

Bruno levantou essa dúvida, quase certo, de ter sido seu filho a pegar o dinheiro.

Antes que Michael tivesse tempo de defender-se da acusação de seu pai, Megan entrou apreensiva no quarto de Sophia.

Surpreso com a chegada inesperada da fisioterapeuta, Bruno se recompôs.

Aquela pareceu à oportunidade perfeita de Michael, para livrar-se da acusação de roubo que rondava sua cabeça. Aproveitando-se do momento de distração de seu pai, Michael jogou as notas que surrupiou de seu pai, embaixo do leito de Sophia. Depois de livrar-se do dinheiro, Michael deixou o quarto livre para seu pai e a fisioterapeuta conversar. Assim, quando Bruno encontrasse o dinheiro, ele estaria fora de perigo.

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