Capítulo 21

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Pouco depois, ele deixou a UTI traspassado de dor e foi à procura de dona Milagres. Certamente aquela bondosa senhora saberia onde ele pudesse encontrar uma igreja católica.

Não foi preciso ele procurar muito. Ao chegar à ala em que ficava o quarto 302, ele a viu; aparentemente, ela o aguardava.
Assim que Bruno se aproximou, ela disse.

— Sinto muito por Sophia.Pousando uma das mãos no ombro de Bruno, acrescentou. — Mais do que nunca, você precisará ser forte. Se entregar ao desespero não irá ajudá-lo em nada.

— Agradeço pela preocupação. Vinda da senhora, eu sei que é sincera. — Disse, pedindo a seguir. — Preciso que me ajude a chegar a uma igreja católica o quanto antes. A permanência de minha filha neste hospital dependerá da conversa que terei com meu Senhor Jesus Cristo.

Surpresa com as palavras de Bruno, ela o questionou.

— Como pretende ter essa conversa com Nosso Senhor Jesus Cristo? Pelo que eu saiba os homens não têm o poder de falar com Cristo. — Acrescentou serena. — Não os mortais.

— Eu tenho um atalho para chegar até ele. Eu só preciso chegar a uma igreja.

Bruno falou com tanta intimidade de Jesus, que a serena senhora, sorriu.

— Eu o levarei até ele. — Disse, ela. — Confesso que estou curiosa para saber que atalho você usa para falar com Jesus.

Com medo de colocar dona Milagres numa situação delicada, ele a questionou.

— Como pretende sair daqui sem que a vejam?

— Assim como você: eu tenho meus truques. Além do mais, você não conhece nada desta cidade; certamente se perderá e, para complicar sua situação, você não fala a língua deles; então, não discuta e vamos! — Disse, ela decidida a ajudá-lo. — Por sorte, tem uma igreja católica não muito longe daqui. Podemos ir andando e no caminho, você pensa o que dirá a Jesus.

— Ele já está me esperando e já sabe exatamente o que direi.Bruno disse à medida que percorriam os corredores do hospital.

— Ora Bruno, se Jesus já sabe o que tem a falar com ele, por que se abalar daqui até lá; não seria mais cômodo falar com ele daqui mesmo?

— Não... O que tenho a falar tem que ser cara a cara e só será possível se for numa igreja católica.

Espantada com a determinação e a confiança de Bruno, num Deus invisível, dona Milagre o questionou.

— O que sua igreja tem de tão especial que as demais não têm?

— Um sacrário.

Bruno respondeu de peito aberto. Confiante que Cristo Sacramentado é a solução para todas as inquietações do homem. Seria lá, aos pés do Senhor, que ele encontraria alívio e respostas para todas as suas dores e aflições.

— Interessante. — Dona Milagres falou depois de dar um sorriso cativante para Bruno.

Preocupado em como tirá-la do hospital sem ser notado ou barrado, ele a questionou.

— Tem outra saída, além dessa?

— Essa é a saída mais apropriada: Sairemos e entraremos por essa porta.

— Se os seguranças a barrarem?

— Duvido que eles me vejam. As pessoas, infelizmente, parecem não ter mais olhos para os velhos. Nossa experiência de vida e nossa sabedoria, não significam mais nada para essa nova geração. Em geral somos vistos como incapazes e incômodos para muitas famílias. — Queixou-se desapontada.

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