Às quatro horas da madruga, Megan pegou a estrada que a levaria de volta a Ottawa: pretendia chegar cedo ao laboratório. Em seu coração, nutria a esperança de Carl deixá-la se aproximar de Richard, ou até mesmo de pegá-lo no colo: eles não estavam mais do que dois dias separados, mas era como se fosse uma eternidade. Uma eternidade que tendia aumentar depois do teste de DNA. De posse do resultado dos exames e de plena certeza de ser o pai biológico de Richard, ele manipularia a situação a seu favor; ou para afastá-la ainda mais de Richard, ou segundo Melissa, para mantê-la preso a ele. Mas, independentemente das artimanhas de Carl, ela não pretendia voltar a viver com ele: Megan temia por sua segurança e por sua sanidade mental. Quanto a seu filho, uma vez comprovada sua filiação; Carl já não representaria nenhum perigo a Richard.
Depois de rodar por quase três horas, Megan chegou a seu destino. Como ainda era cedo e a longa viaje lhe deu fome, entrou em um bar disposta a fazer seu desjejum; porém desistiu ao vê um antigo amigo de faculdade de Carl. Por sorte Josh estava entretido em seu jornal e não a viu: tudo o que Megan não queria àquela hora era falar de sua vida pessoal, ainda mais para um amigo de Carl.
Não tardou muito e ela estacionou seu carro em frente ao laboratório escolhido por Carl. Por alguma razão, ele decidiu realizar os exames em um laboratório que não tinha nenhum vínculo com os da família Lawrence.
Sentada em frente ao volante de seu carro, ela esperava ansiosamente o momento em que viria o seu filho — mesmo que de longe. Não demorou muito e Carl estacionou seu carro há certa distância do dela.
Passaram-se segundos até que ele desceu acompanhado por sua mãe, pela babá e por dois seguranças. A porta do laboratório, ele pegou Richard no colo e entrou.
Seguindo o conselho de sua advogada, ela não entrou de imediato. Esperou alguns minutinhos: tempo suficiente para controlar sua ansiedade. Entrou.
Assim que Richard a viu estendeu seus bracinhos para enlaçá-la pelo pescoço. Ela, porém, não fez menção de arrancá-lo dos braços do pai; apenas fez um carinho leve nas mãos de seu filho. A criança, no entanto, colocou suas mãos na blusa de Megan, procurando os mamilos que o alimentavam.
— Deixe-a amamentá-lo! — Dayane Lawrence pediu em meio à agonia de sue neto.
Como Carl não manifestou nenhum interesse em entregá-lo a Megan, a Sra. Lawrence pegou seu neto do colo do pai e o entregou a sua nora.
Contento a emoção por ter seu filho novamente em seus braços, ela o alimentou sob o olhar atento de Carl. Depois de saciado, Richard se pendurou no pescoço de Megan com força, como se não quisesse soltá-la mais. Carl, porém, não fez menção de afastá-los: apenas os observavam discretamente.
Na hora da coleta do material, os gritos de Richard ecoaram pelo laboratório. Depois foi a vez de Megan e Carl tirarem a amostra de sangue.
Como a hora da partida sempre é o momento mais difícil e doído, Megan abraçou e beijou seu filho como se fosse à última vez e o entregou a Carl.
Mesmo ocultando sua dor em meio a um falso sorriso, por dentro ela estava destroçada, em frangalhos, prestes a desmoronar a qualquer momento. Mas, foi somente em seu carro que ela se permitiu chorar e extravasar toda sua dor.
Você precisa ser forte. Vai dar tudo certo. Richard será feliz. Megan falou para si mesmo inúmeras vezes, tentando convencer-se de que no final tudo daria certo.
Com receios de Carl ter colocado pessoas para segui-la, ela rodou durante horas por Ottawa. Quando percebeu que o caminho estava livre, pegou a estrada que a levaria a Montreal e de lá, pegaria outra estrada que a conduziria para a segurança de seu sítio.
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Ciranda de Ilusões
General FictionHá uma velha ciranda cantada aos quatro ventos que ressoa o caminho do bem e do mal, como indicativo do caráter humano. Não importa exatamente a sua história, seus dramas e o contexto em que se insere, pois a dualidade entre o certo e o errado sempr...