Hug Me

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Nari ficou parada do lado de fora do prédio de Greta com o coração partido. Não sabia o que fazer para se desculpar e também não tinha forças para sair dali e se encontrar com Hoseok. As coisas tinham saído do seu controle muito mais rápido do que ela imaginara. Sabia desde o começo que seguir Micha era um erro, mesmo assim, na vontade de ver Greta com Yoongi e não com August, ela tinha ido. E agora estava sem a amiga e sem a sobrinha, sozinha do lado de fora do prédio, se sentindo mais culpada do que nunca.

Conseguiu ouvir os gritos das duas dali, mesmo sem entender nenhuma palavra que gritaram uma para outra, ela sabia que estavam brigando feio. O celular vibrou novamente em sua mão, dessa vez numa ligação porque ainda não tinha respondido nenhuma das mensagens de Hoseok. Atendeu apenas para que ele não desistisse dela.

– Alo.

– Ah, graças a Deus. Já estava começando a ficar preocupado. Você está bem? – a voz dele era clara e suave e só de ouvi-la Nari já começou a sentir o peso querendo sair do coração.

– Oi... tudo bem, e você? Onde estão? – respondeu tentando esconder seus problemas.

– O que houve?

Nari fechou os olhos, cansada. Não queria descarregar nele, mas pelo jeito não tinha disfarçado bem o suficiente.

– Nada. Está tudo bem. – respondeu. – Estão mesmo em Daegu? Onde estão?

– Estou chegando. Fique aí. Vou achar seu celular. – e desligou.

Nari olhou para o aparelho, confusa. "Achar meu celular? Como?" – pensou. Voltou a olhar para a janela que sabia pertencer ao apartamento de Greta e soltou um suspiro. O telefone voltou a tocar.

– Ainda está aí fora? – era Greta. Falava baixinho, forçando Nari a tampar um dos ouvidos com um dedo para poder ouvi-la.

– Greta... podemos conversar? – perguntou. Ouviu o suspiro da amiga passar pelo telefone e voltou a olhar para a janela. Dali, Greta parecia muito cansada, mas concordou com a cabeça.

– Estou descendo.

Greta não havia nem mesmo trocado de roupa ainda. Usava a mesma que tinha ido ao encontro. No entanto, quando parou em frente ao espelho que tinha a porta do apartamento para calçar os sapatos, percebeu que não estava nem perto de estar bonita. A maquiagem tinha borrado nos olhos por causa do choro e as tranças, apesar de intactas, pareciam não combinar mais com seu estado de espírito. Queria o cabelo laranja e armado de volta.

Do lado de fora Nari começou a planejar mentalmente o que diria para se desculpar. Ia dizer a verdade, ela era contra essa coisa de Greta sair com August, mas que não tinha tido intenção nenhuma de atrapalhar o encontro. Confiava no bom senso da amiga. Mas não tinha coragem de dizer não para Micha – nunca tivera – então concordou em acompanhá-la achando que a menina desistiria depois de ver que ela estava em segurança. Olhou para o celular pensando, de repente, em Hoseok e essa coisa dele mandá-la esperar ali. Como ele a encontraria?

Pensar nele foi quase como chamá-lo com a força do pensamento. Mal colocou o celular de volta na bolsa e viu o carro dobrando a esquina. Era um utilitário preto, desses que permitem que muita gente fique lá dentro em pleno conforto. Um carro quase familiar. Viu o sorriso dele de longe e também viu Greta saindo com um casaco que não combinava em nada com a roupa que usava por baixo.

— Isso não vai dar certo. - pensou vendo tudo em câmera lenta, como se não participasse mais da cena.

— Greta, eu posso explicar... – começou, mas a amiga balançou a cabeça numa negativa e a abraçou com carinho. Não reparou no carro que se aproximava e muito menos em quem estava no banco da frente e ao volante.

Interlude (Suga)Onde histórias criam vida. Descubra agora