Vasos quebrados e beijos molhados

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Acordo e demoro um pouco para entender onde estou, ainda não me acostumei muito bem com meu novo quarto. Estou com uma dor de cabeça terrível, provavelmente resultado do estresse da noite passada. Levanto imediatamente em busca do banheiro para procurar algum analgésico, mas não tenho nenhum para dor de cabeça na minha necessaire, então vou ao banheiro do corredor para procurar algum, e dando graças acho.
Tomo o analgésico e me olho no espelho para ver a minha situação, e é a pior possível, dormi de maquiagem e agora estou em um estado crítico. Lavo o rosto e pego a toalha para sacar, mas ouço uma respiração perto, bem perto. Olho no espelho e vejo que é Pedro, parado atrás de mim com uma bermuda cinza baixa demais, revelando o cós de sua cueca, sem camiseta e um cabelo desarrumado. Sua presença sempre me causa sensações diferentes, um incômodo no estômago e arrepios.
Nesse momento não sei se estou sonhando ou um Deus desceu do Olimpo para me dar bom dia.
Ele me olha dos pés a cabeça com seu sorriso maldoso e sua sobrancelha erguida, ele exala sarcasmo. Sinto um ar de tranquilidade nele, seu olhar é calmo e alegre, então sei que não é o Pedro estressado que está presente hoje.
"É falta de educação não bater na porta, senhor Pedro." Sorrio para ele pelo espelho.
"Privacidade não é algo que se preze por aqui, senhora Sarah." Ele mantém sua postura de Deus grego.
"Bom dia para você também, junção de Bentinho e Darcy." Digo.
"Vá a merda, senhora Bennet. Ou devo te chamar de Capitu?" Ele diz e eu rio. Eu realmente não entendo como ele acha que me chamar de senhora Bennet é um insulto, para mim é uma honra, todas as mulheres Bennet mesmo que com suas personalidades diferentes são fortes no livro, fazendo os homens parecerem bobos, para variar.
"Você sabe que é uma honra ser comparada à mulheres tão brilhantes, não é?" Eu digo o provocando. É óbvio que ele sabe e fico feliz por ele saber, mesmo que nossas opiniões sejam diferentes, eu o julguei muito mal quando o vi pela primeira vez, tinha certeza que ele era extremamente previsível como os garotos que eu conhecia. Mas não conheço nada sobre ele e ele tem superado minhas expectativas, já que não espero muito dos garotos. São muito poucos os que leram Orgulho e Preconceito e falam sobre Darcy e sobre a Senhora Bennet, ou que leram Dom Casmurro e falam sobre Bentinho e Capitu.
A festa de ontem e tudo que aconteceu foi péssimo, mas estou feliz com o bom humor de Pedro hoje.
Entro no quarto para trocar de roupa e coloco um shorts e uma regata que realça um pouco meus seios, Mariana me deu essa blusa de presente ano passado e nunca usei porque sempre achei que mostrava demais, mas nunca é tarde para experimentar coisas novas.
Desço para fazer o café e preparar umas torradas, abro a geladeira para ver se tem Nutella, uma ótima combinação com torradas. A casa está silenciosa demais e me lembro que hoje é Domingo, meu pai e Esther provavelmente foram à igreja ou algo do tipo, nunca fui religiosa, mas pelo jeito minha nova versão de pai agora é.
Aproveito que estou sozinha e abro o pote de Nutella para passar na torrada e como sempre, enfio o dedo no pote para aproveitar esse chocolate incrível, não é a coisa mais higiênica do mundo, mas sem dúvidas, é uma das mais gostosas.
Engo a cabeça e vejo Pedro parado próximo ao balcão me observando, como se estivesse ali há horas, ele está com uma camiseta dessa vez, e por um segundo desejo que ele elogie minha roupa ou algo do tipo, mas ele não o faz.
Qual é Sarah, é o Pedro sendo Pedro e você não é ninguém na lista de garotas que ele deve ficar sempre. Ele não faz o tipo de flores e cinema.
Ele deixa o celular em cima do balcão e vai preparar seu café, o silêncio entre nós reina e decido quebra-lo.
"Você sabe onde está todo mundo?" Pergunto.
"Acho que foram na igreja ou algo do tipo." Ele responde em tom seco e sério.
"Aah, você costuma passar a maior parte de seu tempo aqui?" Tento puxar um assunto.
"Sim, quase todo o meu tempo."
"Desculpa, eu não quis ser intrometida."
"Tudo bem, acho que ambos estamos passando por momentos complicados."
"Pois é." Suspiro.
"Fico feliz que tenha vindo." Ele sorri e meu coração aquece.
"Fico feliz por estar aqui também, só é muito diferente da vida que eu tinha."
"Você faz o tipo nerd mesmo." Ele sorri de canto.
"Obrigada pelo elogio, me sinto lisonjeada." Rimos.
"Gosto do seu humor, embora sarcasmo não combine muito com você."
"Por que de repente todo mundo me diz isso?"
"Porque é verdade."
Seu telefone toca e ele atende, vejo que sua mão possui várias cicatrizes, pelo jeito ele curte arranjar uma briga mesmo. Não sei com quem ele fala no telefone, mas ele oscila para o Pedro sério e fechado, parece até outra pessoa quando fica assim. Estou sentada no balcão observando disfarçadamente sua conversa ao telefone, ele está com mais raiva a cada minuto e posso jurar que ele vai explodir. Fico pensando o quão legal seria se ele tivesse bom humor todo o tempo, é difícil entende-lo tendo um humor tão inconstante.
Ele não explode, mas seu celular sim quando ele o taca na parede e em seguida a soca.
Levanto assustada quando ele soca a parede, formando uma pequena marca de sangue. Jesus, ele é do tipo que soca a parede, talvez seja um pouco previsível sim.
"Pedro? Está tudo bem? Você quer conversar ou algo do tipo?" Eu digo em voz alta porque não sei onde ele se meteu e estou ficando preocupada que ele quebre a mão ou algo desse tipo.
Encontro ele sentado no topo da escada com o cotovelo apoiado nas coxas e a cabeça entre os braços, ele está encolhido e no estado mais vulnerável que eu o vi até agora.
Ele realmente está passando por momentos complicados, ninguém tem acessos de raiva do nada sem algum problema, ninguém oscila o humor dessa forma sem um motivo. Qual é o seu problema, hein Pedro.
A única coisa que sei é que quero trata-lo o mais carinhosamente possível, a solidão de sua alma é nítida.
Toco seu braço para que ele saiba que estou perto e ele recua como se meu toque o machucasse. Meu coração está acelerado e minha respiração rápida.
"Mas que merda, você costuma ser sempre intrometida assim?"
Demoro a entender sua arrogância porque só estou tentando ajudar, mas entendo que Pedro é assim, é assim que ele aprendeu a tratar as pessoas, com arrogância e grosseria, e se ele pensa que vai me abalar, não vai. É justamente por falta de carinho que uma pessoa se torna assim. Não sei pelo qual problema ele está passando, mas não vou sair de seu lado até ter certeza que ele não vai mais socar as paredes.
"Olha, você pode me fuzilar com sua arrogância e eu sinceramente não estou nem aí, já me acostumei com sua grosseria, e não sei se você me odeia ou algo do tipo, mas não vou sair do seu lado até ter certeza de que você não vai mais se autoflagelar, você goste ou não."
Eu digo e me sinto aliviada, como se eu precisasse dizer, como se aquilo estivesse entalado em minha garganta. E ele muda seu olhar de raiva e fúria para um olhar calmo e triste, são olhares de solidão, como se ele sentisse que não há mais ninguém nesse mundo a não ser eu e ele.
"Eu não te odeio, eu só...Só não sei como lidar com você. Quer dizer, eu nunca precisei disso, então não sei fazer essas merdas de ser bonzinho, dar flores ou algo do tipo." Ele diz e eu sei que ele foi sincero, não sei como, apenas sei. Eu o olho com compreensão e estamos muito próximos agora, nossos joelhos se tocam e posso sentir seu cheiro doce e seu hálito de café. Não sei o que estou fazendo, estou sendo irracional aproximando tanto meu corpo dele, mas nós temos um imã que nos atrai constantemente e não posso lutar contra isso, não mais. E não luto, quando sinto seus lábios tocarem os meus e ele enfia sua língua em mim com vontade e agressividade, não tem nada calmo e romântico, é um beijo desesperado como se sua vida dependesse disso, nesse momento sei que o sentimento é real e intenso. Ele coloca suas mãos entre meus cabelos e os segura com força, e eu retribuo, coloco minha mão em sua face e o toco com delicadeza, ele para um instante e olha fundo em meus olhos, são olhares de desespero.
"Me desculpe, eu...Eu não deveria ter me aproximado nem te tocado, me desculpe mesmo." Eu me desculpo mas é falso, eu não me arrependo em ter iniciado o beijo.
"Porque você se desculpa tanto?" Ele se aproxima novamente e retribui o beijo, colocando as mãos em minha cintura e me puxando para perto, nossos corpos estão muito próximos agora e uma onda de calor me invade, não sei o que sentir, mas parece que meu corpo está em chamas, uma sensação que nunca senti antes. Me lembro da primeira vez que li Dom Casmurro e de como me senti quando vivenciei o primeiro beijo de Capitu e Bentinho, foi como se tivesse que acontecer, como se fosse errado, mas inevitável, e me senti da mesma forma nesse momento. Senti que seus lábios eram o que faltava em mim nesse momento, me senti completa. Nao importa o quanto tentássemos resistir, nossa conexão é irresistível, inevitável.
Ouço o carro estacionar na garagem e me afasto rapidamente, fico de pé quase me desequilibrado da escada. Pedro enxuga as lágrimas e vai em direção ao quarto, fico perdida, como se os últimos 15 minutos tivessem sido um devaneio ou mais um dos sonhos esquisitos que eu tenho.
Meu pai abre a porta e me encontra no topo da escada desgovernada.
"Tudo bem, filha?" Ele pergunta me tirando do transe e faço que sim com a cabeça me lembrando que se eu quiser disfarçar, preciso agir normalmente.
Vou para cozinha lavar a louça que deixei do café da manhã e Esther vem em minha direção.
"Está tudo bem, Sarah? Vi a mancha de sangue na parede, foi o Pedro?" Ela diz em tom calmo e normal como se estivesse acostumada com esse tipo de atitude.
"Estou sim, alguém ligou pera ele e ele surtou." Eu digo tentando entender o acontecido, o que me esqueço é que não sei entender o Pedro, simplesmente não dá.
"Olha, ele tem uns problemas com a família, como você sabe, a falta de seu pai, o declínio que sua mãe teve e a presença do seu padrasto são coisas complicadas para ele. Ele estuda com Enrico desde o fundamental e nós acolhemos ele como da família, ele é o irmão que não pudemos dar a Enrico." Esther diz mas para um momento pensativa. "O problema é que desde que tomou conhecimento dos problemas de sua família ele vem se fechando, se isolando, e tendo companhias não muito boas, estamos realmente muito preocupados. Não é a primeira vez que aparece com marcas de briga na mão e deixa marcas pela parede." Ela tem um semblante triste. "Eu o amo como um filho, faço tudo o que estiver em meu alcance por ele, mas estou ficando realmente sem saber o que fazer, ele sofreu muito com seu padrasto abusivo e se fecha cada vez mais." Seus olhos estão cheios de lágrimas.
Eu sabia que tinha algo por trás, ninguém oscila tanto de humor e tem surtos à toa, tem sempre algo que causa, algo que perturba, e o problema de Pedro é sua família. Bom, pelo menos agora sei com o que estou lidando.
"Me desculpa, eu sei que você não tem nada a ver com isso, é que eu não tenho nenhuma amiga nem nada para desabafar e você é uma boa ouvinte." Ela diz com um sorriso no rosto. Ela está realmente nervosa e chateada, é visível em seus olhos que ela o ama como filho.
Acho que podemos ter um verão agradável, ela não é tão detestável quanto eu pensei que seria, no fundo é só uma mulher tentando consertar os problemas dos homens e tentando sobreviver a isso, todas nós estamos constantemente tentando sobreviver a isso.
Passei a tarde em meu quarto pensando no beijo que dei em Pedro, eu já tinha beijado algumas vezes em minha vida, mas foram só para suprir a necessidade que os adolescentes têm de beijar logo, só para não dizer que nunca beijou. Mais uma vez, dez para os adolescentes previsíveis e zero para Sarah. Afinal, é o Ensino Médio, todos nós fazemos merdas das quais nos arrependemos. Mas esse beijo de Pedro foi diferente, diferente da primeira vez que nos beijamos, talvez porque eu esteja envolvida demais ou só ficando louca mesmo, mas foi como se eu e estivesse beijando pela primeira vez, como se os outros não tivessem valido de nada, foi esse beijo que me trouxe borboletas no estômago.
Pego no sono e acordo assustada com gritos. Levanto rapidamente da cama e vou em direção à porta, estou assustada e meu coração dispara à um milhão de bpm. São gritos raivosos e doloridos, como alguém que está chateado e com raiva por algum motivo, estou parada na porta tentando entender o que está acontecendo e reconheço essa voz, é Pedro.
Desço as escadas nervosa e tem vasos quebrados e vidro para todo lado. Meu Deus. O que aconteceu aqui.
Pedro está agachado no canto da sala e Enrico está em pé na sua frente. Meu pai e Esther não estão aqui e não estou entendendo uma cena das quais vejo.
Enrico vem em minha direção percebendo minha reação assustada e diz quase como um sussurro:
"A polícia ligou, o namorado da Vanessa, a mãe do Pedro, bateu nela e a polícia ligou para cá avisando que ela está no hospital, parece que a coisa foi séria, nossos pais vão resolver a situação, mas quando contei pro Pedro ele surtou e bom, você está vendo o resultado." Enrico me explica tudo e eu olho para a sala destruída, pelo menos metade das decorações de Esther estão em pedaços, bom pra ela que vai se livrar de tantos vasos feios, e ruim pra nós que vamos ter que limpar tudo isso.
Vejo Enrico ajudando o melhor amigo e vejo o quão ligados eles são, sempre presentes um para o outro.
A coisa é bem mais séria do que eu imaginava, ele não só surta, ele quebra as coisas, ele exterioriza sua raiva. Eu não posso deixá-lo passar por isso sozinho, a questão é que não sei como ajudá-lo.
Esther vem em minha direção.
"Eu e seu pai vamos ao hospital ver o que podemos fazer pela mãe de Pedro, tentem cuidar das coisas." Ela me diz.
Enrico pega a vassoura e começa a varrer, vou em direção à Pedro e coloco minha mão sobre seu ombro, ele ainda está agachado em um momento muito vulnerável, ele ergue a cabeça e me olha com raiva. E lá vamos nós.
"Não preciso que sinta pena de mim. Parece que todo mundo resolveu assistir o espetáculo, não é mesmo?" Ele diz em tom sarcástico e raivoso.
"Pedro, eu só quero ajudar, só queria conversar, mas se você não estiver à fim eu entendo..."
"Não preciso de consolo, se é isso que você pretende fazer."
"Tudo bem, Pedro, você tem razão, não precisa da minha companhia, já que você é bom demais pra lidar com todos os problemas do mundo sozinho." Viro as costas e saio, sei exatamente o que estou fazendo.
Mas esqueço que estou descalça, foi tudo tão rápido e assustador que a última coisa que eu iria pensar era em um chinelo. Tropeço em um pedaço restante do vaso quebrado e me desequilibro caindo no chão.
"Merda"
"Sarah...Porra, Sarah, você podia ter se cortado ou algo do tipo." Pedro diz e vem em minha direção, mas olha para meu pé ensanguentado e arregala os olhos.
"Merda"
Ele me pega no colo e me leva para o banheiro do andar de baixo, me coloca sentada na pia e pega uma caixa de curativos que fica dentro do armário. Pelo visto ele andou fazendo muitos curativos ultimamente. Ele não olha em meus olhos.
Ele cuida de mim como se eu fosse um vidro prestes a quebrar, me toca com calma e carinho, bem diferente de nosso último contato. Seus olhos já não estão mais esvaindo raiva. É como se eu o acalmasse, como se eu fosse seu equilíbrio.
"Desculpa, foi tudo culpa minha, eu... Merda, eu só sei fazer merda." Ele diz de cabeça baixa, está sentindo culpa e vergonha. Pedro é um furacão de sentimentos.
"Está tudo bem, eu deveria ter colocado chinelos."
"Não Sarah, não está tudo bem, por causa dessa merda eu fiz você se machucar, e eu não vou suportar ver você machucada por culpa minha." Ele me encara com olhos profundos de arrependimento. "Me desculpa, por favor." E nesse momento vejo que Pedro pode e quer ser gentil, só não sabe como.
"Ei, tudo bem. Você quer falar sobre isso? Foram seus pais ou algo do tipo?" Eu pergunto como se não soubesse de nada, quero que ele possa contar comigo para desabafar seus problemas, sei que não posso fazer muita coisa, mas se ele falar sobre o que sente comigo pode o ajudar a não guardar tudo para si.
"Como você... você sabe dos meus pais?"
"Esther me contou."
"Não era da sua conta."
E lá vamos nós de novo. Ele ativa seu mecanismo de defesa para se esconder dos problemas, mas ele não se esconde de mim.
"Olha, nada disso aqui é da merda da minha conta mas eu me importo, não sei porque mas me importo, e agora estou mais uma vez ouvindo a merda da sua grosseria e machucada, se você quer ser grosso o tempo todo então é só dizer que eu não me importo mais." Como se eu conseguisse não me importar, a essa altura já me envolvi demais para não me importar. Sempre fui assim, disposta a enfrentar os problemas com as pessoas e a me importar, eu quase sempre acabo machucada por isso, mas mesmo assim continuo me importando.
"Porra, desculpa eu... Olha, eu estou acostumado a lidar com isso sozinho, então não sei como agir quando alguém se importa tanto assim, não tive tanta troca de carinho dessa forma com ninguém." Ele diz e vejo vergonha em seus olhos, estou começando a entender as coisas e cada vez que entendo, vejo que o poço fica mais profundo. Pedro teve que lidar com seus sentimentos sozinho, não cresceu como uma criança normal envolta de carinho, pois sua mãe certamente estava sofrendo pelo luto de seu pai, e as consequências disso estão aparecendo em sua personalidade.
"Fala comigo, Pedro, conta o que está acontecendo, eu quero estar do seu lado, você não precisa mais passar por isso sozinho." Eu quase imploro tocando seu rosto. Mas é pedir muito pra ele, eu sei que é.
Ele se coloca entre minhas pernas e se apoia no balcão da pia onde estou sentada, nossos lábios se tocam novamente e é como se meu coração fosse arrancado e colocado de volta em meu corpo, é como se eu estivesse sentindo a vida novamente. É um beijo calmo e salgado por causa das lágrimas, bem diferente do beijo desesperado de hoje mais cedo. É como se ele precisasse dos meus lábios para se acalmar.
Ele coloca as mãos em meu quadril e acaricia levemente, um calor cresce em mim. Continuamos o beijo molhado e ele leva suas mãos até minha barriga, descendo cada vez mais, meu coração vai explodir e meu corpo pegar fogo, não sei se vou sobreviver a isso. Minha respiração está descontrolada e não consigo pensar. E então solto um gemido enquanto ele desce a mão tocando o elástico da minha calcinha.
"Sarah..." Ele diz e me olha um instante como se estivesse me observando.
"Alguém já te tocou dessa forma?" E eu balanço a cabeça negando, envergonhada por minha inexperiência. Eu já tive algumas experiências na vida, mas nada assim, dessa forma.
Ele franze a testa por um momento e diz:
"Desculpe, eu... Eu não sou a pessoa certa pra você, não é comigo que você tem que estar."
Ele sai e me deixa sentada na pia quase implorando por mais, meu corpo sofre ao sentir que não é mais tocado por ele, é tarde demais, Pedro. Meu corpo precisa de você.

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