Na manhã seguinte eu encarei meu medo de frente. Coloquei uma roupa de frio e meu casaco velho... aquele que havia usado na casa dos Harry's. Eu não acreditava no que estava acontecendo, não acreditava que estava quebrando outra promessa que fiz a mim mesma.
— Você vai mesmo? — Carol se esticou na cama soltando um gemido cansado. Ela entrou em um sono muito pesado depois de ontem, creio que o voo a cansou muito.
— Sim. — Falei me concentrando em minha roupa, precisava parecer séria e sinceramente, seria doloroso tirar minhas coisas de minha antiga sala.
— Acho que você tem uns minutos, por que não vem aqui? — É impressionante o quão difícil é derrubar Carol, mas dessa vez eu não iria aceitar o desafio.
— Agora eu tenho compromisso... — Beijei o topo da sua cabeça e fui encontrar Jade que estava tomando café da manhã.
Comemos poucas coisas, meu estômago se embrulhava e o carro não estava ajudando muito. Eu não sei como Jade faria para me colocar frente a frente de Paul Spector, mas pode ser que não seja tão difícil já que eu o prendi. Seria bom trocar uma palavrinha com ele, sempre senti que algo nos ligava, só não entendo o que.
***
— Quando me disseram que você vinha, olha... eu juro que não acreditei. — A voz grave invadiu a sala, seu rosto não estava tão bonito quanto antes, agora ele se parecia mais com qualquer outro prisioneiro.— Como vai a família? — Ele riu alto, bem alto e voltou a me olhar sério. Ele não via a família há anos, não por minha causa, mas sua esposa disse que não estava fazendo bem a sua filha.
— Minha esposa... ex esposa, me envia cartas de vez em quando, aparentemente está tudo bem. — Ele desviou o olhar, pela primeira ou segunda vez vi sua fraqueza, sua família era seu ponto fraco.
— Preciso de ajuda... — Falei me sentando em sua frente, Jade estava ouvindo tudo no lado de fora. — da sua ajuda. — Ele voltou a me olhar surpreso, mas com um olhar frio.
— Você me colocou aqui, por que acha que vou ajudá-la? — Se eu estivesse no lugar dele, eu também não iria me render assim.
— Você sabe me mereceu esse lugar, e se quer saber... perdi mais que você. — Sua postura mudou, se sentou reto e talvez, disposto a me ajudar.
— O que quer saber Dayane? — Seus olhos verdes agora estavam escuros, sabia que ele estava interessado.
— Os Harry's... — Ele riu, riu alto dessa vez. Ele sabia de algo e eu precisa descobrir o que. Não sei como ele me contaria.
Quando prendi Paul eu tinha cartas nas mangas, sua família. Eu tenho algo... mas não queria usá-las porque isso causaria revolta tanto nele quanto em sua ex esposa. O que é mais importante? Eu não sei...
— Não quero nada de graça. Tenho coisas que você mataria para saber. — Ele falou aumentando mais minha curiosidade. Peguei um envelope de dentro da minha maleta.
— Conte tudo que sabe e te darei isso... — Ele me olhou curioso, ainda frio. No envelope tinha alguns exames e algo que Paul havia perdido com os anos. Sua família.
— Vamos começar com Selma e César, seus pais. — Meus olhos se encheram d'água, o que ele sabia sobre meus pais? — Os Harry's foram atrás de mim na califórnia, quando aconteceu o meu primeiro crime... — Falou com um sorriso nostálgico, um tanto empolgado.
— Isso não vai aumentar sua pena. — Ele sorriu, pedindo um cigarro e eu o dei, já imaginava que ele iria querer. Ele começou a fumar, cruzando as pernas e relaxando o corpo.
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The Moonlight (Dayrol)
RomanceHá quatro meses que a cidade de Londres está sendo vítima de um assassino que mata uma vítima a cada mês. Vítimas que são estranguladas, banhadas e amarradas nuas em suas camas. Cabe a Agente Dayane Limins resolver esse caso que acabará lhe trazendo...