Dezembro
P E T E R
🇺🇸
As últimas semanas foi de tanta correria com os preparativos da viagem e do natal, que já está bem próximo, não sei como não enlouqueci. Foram dias e mais dias de "Peter, me ajude a ir buscar uma árvore e decorações novas, o Mattie está de plantão", "Pode ficar com Aubrey hoje?", "Peter, faça logo suas malas para não se esquecer de nada" ou "Como assim você não tem sungas, vamos comprar agora mesmo!". Peter, Peter, Peter... Sinto como se meu nome tivesse virado uma espécie de canção irritante. Juro que na semana passada passei um dia inteiro em casa, com o telefone desligado, sem atender ligações de ninguém.
Ah, também já mandei fazer uma coisa super importante naquela joalheria que comprei a pulseira de namoro da Ellie. Bom, fiz planos de pedir sua mão em casamento no dia de Ano Novo. Mas se eu fizer isso sem a presença da Jessie ela com certeza me mata, e assim a Helena ficará sem um noivo. Isso se ela aceitar se casar comigo.
Talvez eu esteja sendo um pouco precipitado? Sim. Ela pode dizer um sonoro "não" na minha cara? Sim também. Mas eu não aguento mais esperar. Ela é a mulher que eu quero passar o resto dos meus dias, e pensar em não tê-la me causa um aperto enorme no peito.
Já estou tão acostumado com a pequena família que estamos sendo nesses últimos meses. Passo mais tempo no seu apartamento do que no meu. O Noah e a Cida quase nunca me deixam ir embora, e eu adoro eles dois. Ellie e eu já estamos bem resolvidos, sem segredos (que foi a pior parte de tudo) e já declaramos em alto e bom som que nos amamos. É uma sensação indescritível amar e se sentir amado. Por isso não tenho a menor dúvida do que vou fazer, e será no jantar de natal, antes da nossa viagem. Com todos reunidos. Nossa família.
Pegarei sua aliança na semana que vem, poucos dias antes da coisa toda. Estou nervoso pra cacete, e ainda falta um tempinho. Quero só ver no dia.
Não sei quanto tempo terei nesse mês, mas nesse momento estou arrumando minha mala. Já coloquei algumas camisetas, bermudas, bonés e as benditas sungas que a Ellie me levou para comprar. É uma pequena mala preta, com poucas coisas. Nunca fui de levar muita coisa nas minhas viagens, consigo ser bem prático com essas coisas.
Helena começou a arrumar as suas faz duas semanas, e cada vez que chego na sua casa ela está colocando um bocado de coisas dentro. Tem de tudo lá; maquiagem, uma cacetada de biquínis e maiôs, vestidos, protetor solar... Tive até que sentar em cima de uma mala para ver se fechava. Metade do nosso dinheiro será por excesso de bagagem, que só a dela irá tomar metade do compartimento do avião.
Termino de colocar o resto das minhas coisas dentro da minha mala, e pego o celular que começou a tocar. A música de chamada da Ellie se chama Revelry. É a mesma que estava tocando no meu carro quando nos conhecemos, e eu lhe dei carona por causa da chuva.
Já tem duas chamadas dela aqui que eu não vi. Porra!
— Olá, meu bem. — atendo.
— Caramba, achei que você nunca mais fosse atender o celular. — ela reclama.
— Desculpa, estava arrumando minha mala.
— Ótimo! — isso parece lhe alegrar. — Colocou tudo certinho?
— Relaxa, tenho tudo sob controle. — me jogo em cima da cama.
— Vamos almoçar hoje na casa da Sara? — me esqueci disso.
— Vamos, sim. Hoje ela faz seis meses de gestação, né? — lembro vagamente do Ed ter comentado alguma coisa ontem.
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Por Acaso
RomanceHelena Fernandes é uma advogada negra, batalhadora e que sempre lutou por tudo na vida. Tem um filho lindo e moram nos EUA por causa de toda sua carreira e para dar uma vida melhor a sua família. Peter Lins é um policial americano mais conhecido po...
