- Então? -insistiu ele olhando-a-. Sim ou não?
- Certamente haverá alguém que o possa fazer melhor.
- Ninguém como você -seu olhar se posou nela, cheia de avaliação e de algo muito mais profundo que Anahí não foi capaz de ver- É uma dama. Não, não há ninguém que me possa ensinar melhor que você.
Anahí ficou olhando fixamente a cafeteira. -Tome o como uma provocação, como algo com o que encher suas horas livres. Não te há sentido alguma vez sozinha?
Anahí levantou o rosto e olhou aos olhos.
-Sim -disse-. Sobre tudo desde que morreu meu tio.
-Não sai com ninguém?
Ela voltou a sentir-se estranha. Havia uma razão para isso, mas não queria falar disso com ele, pelo menos, nesse momento.
- Eu gosto de estar sozinha.
- Não é bom para uma mulher viver sozinha. Nem sequer pensaste em te casar?
- Pensei em um montão de coisas. Como quer o café?
Serviu as taças e procurou o leite na geladeira. O interior estava tão desordenado como o resto da casa.
-Não tenho leite, se for isso o que está procurando.
-Tem centenas de vacas no rancho e não tem leite?
-Isto não é uma granja.
-Mas uma vaca é uma vaca!
-Se quiser o maldito leite, vá e ordenhe uma!
Ela pôs então os braços na cintura e ficou lhe olhando fixamente. Alfonso se tornou para atrás. Então, Anahí deu um profundo suspiro e pôs as taças de café sobre a mesa.
- Isso é o que mais eu gosto de ti - disse-lhe ele sentando-se em uma das velhas cadeiras.
- O que?
Ele sorriu devagar e seus olhos verdes brilharam.
- Que enfrenta a mim.
Antes de podê-lo pensar, lhe respondeu: -Pois ontem à noite você não gostou.
-Estava bêbado.
- Por que?
Ele se encolheu de ombros.
-Tudo me ultrapassou. Comecei a pensar em quão sozinho estava... Não esperava verte hoje; pensei que não foste querer voltar a falar comigo.
-Todos temos depressões às vezes, inclusive eu. Está bem, não passou nada - quando disse isto se tocou o lábio inferior com a língua- Bom, nada que dure para sempre.
-O que disse a May era certo. -lhe disse ele.
-Eu não queria dizer isso; ou o que te chamei ontem à noite. Não é um homem pouco atrativo, Alfonso.
- Olhe, por fim hei conseguido fazer um pouco de dinheiro e o investi em alguns negócios que vão dar bons lucros. Mas não há nada em mim que possa atrair a uma mulher, física ou intelectualmente, e você sabe.
Ela conteve a respiração. Acreditava isso realmente? Percorreu lenta, ente com o olhar todo o corpo, notando os poderosos músculos de seus braços, seu poderoso peito e as largas pernas. Devia reconhecer que não estava nada mal. Inclusive sua face atrativa... se estivesse barbeado e bem penteado.
De repente, lembrou-se do que lhe havia dito Maite a respeito de , como se comportaria ele na cama e ficou vermelha. , . Ele a olhou bem a tempo para dar-se conta de seu rubor e franziu o cenho.
-No que pensa pra ter ficado assim?
Ela se perguntou o que poderia dizer a ele, e se lhe contasse que May e ela tinham estado falando de seu possível comportamento sexual.
-Nada. Um pensamento tolo.
-Vinte e seis anos e ainda te ruboriza como uma virgem - murmurou ele observando-a. -. É--- É o ainda? -perguntou-lhe sorrindo.
-Alfonso Herrera Rodrigues! -exclamou ela.
-Não sabia que te soubesse meu nome completo.
-Inteirei-me quando teu tio me vendeu essas terras.
-Ah, sim? Ainda não me respondeu. Vais ensinar-me a me comportar?
- Poncho, qualquer mulher que te queira não vai ter em conta a forma de ser que tem... -começou a dizer ela diplomaticamente.
-Esta sim o fará.
Anahí sentiu-se ciumenta de repente, sem saber por que. Era ridículo!
-Bom...
-Não sou um idiota, posso aprender.
-OH, de acordo.
Ele pareceu relaxar-se um pouco.
-Magnífico! Por onde começamos?
Lhe olhou atentamente, rogando ao céu que a ajudasse ia necessitar um milagre.
- Necessita roupa nova, um corte de cabelo, te barbear...
-Que tipo de roupa?
- Camisas, meias três-quartos, outros jeans, e um par de trajes.
-De que tipo? Cor?
- Bom. E eu o que sei!
-Tem que vir comigo ao Phoenix. Ali há algumas lojas de departamentos.
-E porque não vamos à loja da cidade? -protestou
-Não gosta que nos vejam juntos por ali.
-De acordo, iremos a Phoenix. .
-Amanhã. É sábado. - recordou-lhe ele quando ela já ia protestar-. Não acredito que tenha nenhum negócio que não possa esperar até na segunda-feira. Trabalha muito, assim tomará amanhã um dia livre. Convidar-te-ei a comer. Assim me ensinará de passagem algo sobre a forma de comportar-se na mesa.
Aquilo não parecia que fora a ser um trabalho para as horas livres, mas, de repente, deu-se conta de que não lhe importava. Esse projeto podia ser divertido ao fim e ao cabo. Depois de tudo, Alfonso não estava escasso de possibilidades. Seu físico era magnífico. Como não se teria dado conta até então disso? Agarrou sua xícara e bebeu o que ficava de café enquanto Poncho sorvia o seu.
- Isso é o primeiro -disse-lhe lhe indicando a xícara-, beba, não sorva- quando ele tratou de fazê-lo, e conseguiu, Anahí lhe sorriu. Ele devolveu o sorriso e uma estranha sensação percorreu suas costas. Tinha que tomar cuidado, disse-se a si mesma. Depois de tudo, estava-lhe preparando para outra mulher, não para ela. E logo se perguntou a razão pela que esse simples pensamento a deprimia tanto.
Se a princípio lhe tinha parecido algo fácil o ajudar a comprar roupa, Anahí trocou logo de parecer.
-Não pode estar falando sério! -disse-lhe Poncho quando entre ela e o vendedor tentaram que ficasse uma camisa azul pálida com a gola branca-. Os meninos vão rir de mim quando me verem aparecer com isso.
- Possivelmente seja melhor uma totalmente lisa ou com um pequeno estampado -disse-lhe o vendedor.
- Deus me libere!
- Com uma lisa, digamos... rosa, poderá levar uma gravata de raias.
- Eu não vou pôr uma camisa rosa! Sou um homem!
-Das cavernas - corrigiu ela-. Se não quer que te ajude, vou comprar um batom.
- Fique aí! -disse-lhe ele quando ela já começava a ir-se-. De acordo, levo-me isso.
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Tal como é - aya
RomanceO mal educado granjeiro Alfonso Herrera queria aprender boas maneiras para assim apaixonar a uma mulher, e Anahí Puente era a única pessoa do povo que teria a suficiente educação para levar a cabo esse trabalho. Nenhuma outra mulher se atreveu a apr...
