Capítulo 17

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-Seu noivo? Disse-o como se não estivesse seguro do que tinha ouvido e sem apartar o olhar da foto.
A encantadora doçura que tinha existido entre eles desapareceu assim que Poncho acendeu a luz. Anahí se cobriu com a colcha assim que se rompeu esse encanto.
- estiveste prometida? -continuou ele. Quando?
- Antes de vir a viver aqui. - Poncho se levantou e voltou a colocar em seu lugar a foto. Passou a mão pelo cabelo com um gesto violento e lhe olhou como desamparado. Tinha a camisa ainda aberta e na boca o sabor dos beijos que se estiveram dando anteriormente.
No olhar, ainda ficavam rastros da frustrada paixão que lhes tinha embriagado.
- Por que não me falaste dele? Havia-me dito que nunca tinha estado com um homem...
-Poncho, tinha dezoito anos - disse-lhe ela suspirando e cobrindo o rosto com as mãos. Agora ele está morto.
Isso pareceu lhe impressionar. Já se tinha levantado, mas voltou a sentar-se na cama.
-Morto?
- Matou-se em um acidente de aviação. Na Washington a uma convenção de banqueiros, chocou seu avião de pequeno porte contra a ladeira de uma colina.
Ele a agarrou a mão.
-Sinto muito.
Ela assentiu com a cabeça.
-Tinha vinte e três anos e eu lhe amava com todo meu coração.
O olhar de Anahí passou de Poncho a fotografa. Nesse momento, Tom lhe pareceu muito jovem.
-Provinha de uma antiga família de Charles tom, amiga da minha. Era um menino brilhante, culto e poderia ter conseguido a lua se o tivesse proposto. Quase não pude acreditar nisso quando me pediu que me casasse com ele. Ao fim e ao cabo, eu não era seu tipo habitual de garota. Era tímida e tranquila, enquanto que ele era tão extrovertido... - encolheu os ombros e a colcha escorregou um pouco, deixando ver uma parte de sua anatomia. O olhar de Poncho seguiu à colcha em seu deslize e seu rosto ficou rígido quando vislumbrou as suaves curva que se adivinhavam.
-Quando ele morreu estive a ponto de ficar louca. Meu tio tinha então este imóvel e o rancho e pensava revendê-lo. Mas quando viu o que me estava passando, fez que nos mudássemos. Creio que isso me salvou. Não podia deixar de pensar na forma em que tinha morrido Tom. Isso estava me matando.
Ele voltou a olhar a Anahí nos olhos.
- É por isso que não saía com ninguém – disse de repente.
-É obvio - respondeu-lhe olhando a fotografia.
-Queria-lhe muito. Tinha medo de tentar outra vez, de me arriscar a amar a qualquer outro. Ao longo destes anos saí com algum de meus clientes... Mas a maioria dos homens não se conformam simplesmente com a companhia e, quando me dava conta disso, deixei de sair.
-Agora, tudo tem sentido -murmurou ele.
-O que? .
-A forma como te comportaste comigo - respondeu-lhe ele tranquilamente. Como se estivesse morta de fome por um pouco de amor.
-Não!
-Ah, não?
Ele se aproximou e apartou a colcha, deixando que caísse sobre a cintura de Anahí. Observou detalhadamente seus bem formados seios, coroados por uns endurecidos mamilos com uma expressão que lhe encantou.
-Vê? -continuou Poncho.
-Você gosta que te olhe.
Sim, gostava. As mãos lhe tremeram quando voltou a colocar a colcha em seu lugar; tinha o rosto rígido e uma expressão de fúria no olhar.
-Não!
-Nega-o tudo o que queira, mas teria cedido se eu não visse a foto. Você me deseja, maldita seja!
Anahí fechou os olhos e as mãos voltaram a lhe tremer.
Não podia lhe responder porque tinha razão e os dois sabiam. Se levantou repentinamente e se voltou para a porta.
- Isto sim que é bom! -exclamou ficando a dar voltas de um lado a outro na habitação.
-Eu acreditava que era por ser virgem, porque fazer amor era algo novo para ti e estava aprendendo de mim coisas que você gostava. Mas resulta que, durante todo o tempo, o que aconteceu era que estava substituindo a um fantasma.

-Não! - gritou Annie.

Não podia deixar que se acreditasse isso, porque não era certo.
-Um morto, um cadáver. - Poncho parecia zangar-se cada vez mais.
- Por que deixaste que te trouxesse aqui? -Eu não sabia...
O olhar de Poncho voltou-se involuntariamente para a foto.
-Ainda lhe estava adorando a primeira vez que nos encontramos, não? É por isso que me respondia tão mal quando eu tentava me aproximar de ti?
-O que passava era que não estava preparada para manter outra relação como essa.
-É um corno! O que quer dizer era que não te podia servir pra você. Eu não dava sua talha, verdade? Não era suficientemente bom como para ocupar seu lugar!
-Não, Poncho, não é isso!
-Sou um tipo grosseiro e sem educação - prosseguiu ele sem fazê-la caso. Não venho de uma família socialmente importante e não fui a Harvard. Assim, nem sequer sou digno de ter em consideração. Nunca o fui. Você lhe transformaste em um pequeno deus e mantém sua imagem perto da cama para te recordar que tinha que te haver metido na tumba junto com ele. Ou não é assim?
Ela se levantou da cama arrastando a colcha com ela e ficou diante dele. Poncho estava ferido, e era por sua culpa. Tudo era devido a um passado que não era capaz de separar-se.
-Poncho - disse-lhe ela brandamente, lhe tocando o braço. Seus músculos se contraíram.
-Não faça isso, moça - acautelou-lhe ele com uma voz perigosamente suave.- Agora estou bastante zangado.
-E eu também -estalou ela-. Não quero que te metas assim em minha vida, impondo sua forma de ver as coisas. Não fui eu quem começou a te beijar...
- Como se te tivesse atrevido alguma vez! Isto foi como um sonho para mim. Você estava tão longe de mim como eu de ti, de sua forma de ser e de seus costumes. E você não estava tratando de me civilizar para ti?
-Suponho que não! - respondeu ela olhando-os pés.

-É melhor que nos esqueçamos das lições de dança. –lhe disse ele friamente. E antes de que comece a te formar ideias estranhas a respeito do que há passado aqui esta noite, já te disse em seu momento que fazia tempo que não tinha estado com uma mulher. Isso é tudo.
Isso a fez mal. Teve que esforçar-se para não chorar.
-O mesmo acontece comigo.
-Já sei - respondeu-lhe Poncho com um sorriso de brincadeira e fazendo um gesto em direção á fotografia- Por que não lhe mete isso na cama contigo e provas a ver se te faz arder da mesma forma em que o tenho feito eu?
Anahí levantou a mão para lhe esbofetear, mas lhe agarrou seus pulsos antes de que pudesse fazê-lo. Isso a fez recuperar o controle da situação.
- Me solte, não vou pegar te.
Poncho a soltou como se seu contato lhe queimasse.
-Não seria melhor que te vestisse? Te vais esfriar... Se é que o gelo pode esfriar-se.
Anahí lhe dirigiu um olhar assassino.
-Pois não estive muito fria contigo - disse-lhe furiosa. Essas palavras pareceram despertar uma ameaça de amabilidade nele. Suas pálpebras se entreabriram e lhe brilharam os olhos. Então se aproximou dela e, antes de que pudesse fazer algo para evitá-lo, beijou-a fortemente, tanto que chegou a lhe fazer dano durante um instante; logo, separou-se- dela e a olhou nos olhos.
-Se não fosse porque está obcecada com esse maldito fantasma, atirar-te-ia sobre essa cama e te faria suplicar por meu corpo. Mas, como estão as coisas, diria que os dois tivemos a sorte de não colocamos muito a fundo e poder escapar a tempo.
Lhe deixou partir. Alguns segundos mais tarde, Anahí ouviu uma portada e o motor de seu carro ficando em marcha. A casa ficou então totalmente em silêncio e Anahí pôde ouvir perfeitamente o tic-tac do relógio do comilão; soava como uma bomba. Tic... tac, tic... tac...
Quase não pôde dormir essa noite. Até que Poncho não a tinha acusado de querer meter-se na tumba de Tom, não tinha se dado conta de até o que ainda vivia no passado.
A manhã seguinte a surpreendeu sentada no bordo da cama com uma taça de café na mão, olhando fixamente a fotografia de Tom. Cada vez lhe parecia mais jovem e, enquanto lhe olhava, recordou todas as coisas que tinham acontecido fazia já tantos anos. Não tinha sido o que se pode dizer um grande amor. Ele era um menino muito bonito com uma grande personalidade. Naquela época ela era bastante jovem e tímida e se deixou deslumbrar por seus cuidados. Mas com o passar dos anos tinha idealizado sua lembrança. Fazia falta o desejo que tinha despertado nela Poncho para lhe fazer compreender isso.
Ruborizou-se quando recordou o que tinha passado entre eles essa noite. Ele tinha sido tão carinhoso, tão paciente. Se não tivesse visto essa foto... Ficou em pé com o cenho franzido e se dedicou a dar passeios pela habitação. Seu olhar caiu involuntariamente sobre a cama e recordou todos e cada um dos detalhes do ocorrido a noite anterior: Poncho beijando-a com esse ânsia, acariciando-a como nunca ninguém o tinha feito antes, comendo-lhe com os olhos... Amando-a...

Tal como é - ayaHistórias para pegar e não largar. Descubra agora