Capítulo 23

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Para piorar as coisas, Maite se apresentou em seu escritório na manhã seguinte, queixando de que o local que lhe tinha conseguido tinha goteiras. Anahí não estava precisamente de bom humor como para suportá-la muito, assim que lhe disse que, já que Poncho parecia ter ocupado a todo o comercio da construção da cidade com o acerto de sua casa, pedisse-lhe ela mesma um pedreiro para que o arrumasse.
Quando May já ia partir, pareceu como se lembrasse de algo no último momento.
-Ah, Chris e você estiveram juntos quase toda a festa -murmurou May. -Viu-lhe após?
-Estive fora da cidade e não vi a ninguém.
-Também ele esteve fora - respondeu-lhe May muito séria... Saiu do escritório fechando a porta com força. Angie levantou a vista de sua máquina de escrever com um gesto de curiosidade.
- Chris e você?...
-Oh, calada! -respondeu-lhe Anahí. - Não estive em nenhuma parte com Chris. O que se passa a May é que Poncho se precipitou e isso a incomodou, pelo menos, isso é o que imagino. E ele não é o suficientemente bom para ela...

Dito isto, meteu-se em seu escritório e fechou também a porta com um golpe. Angie encolheu os ombros e voltou para seu trabalho.

Anahí não voltou a falar de Poncho. Na quarta-feira saiu um pouco antes e se vestiu para ir ao balé, mas não gostava nada da ideia. Tivesse preferido ficar só em sua casa.

Nem sequer estava segura de que Poncho fosse aparecer. Estava convertendo-se em um homem totalmente imprevisível; Às cinco e meia ainda não tinha aparecido, de forma que Anahí se dirigiu ao dormitório para trocar-se de roupa.
Nesse mesmo instante, ouviu o motor de um carro lá fora.
Estava tão nervosa como uma adolescente em sua primeira entrevista. Provavelmente, passou-se com a maquiagem e o vestido que se pôs, mas queria lhe parecer bonita. Era algo
idiota, mas não podia evitar.
Abriu a porta e lhe encontrou ali, vestido de ponta em branco com um dos trajes que se comprou em Phoenix. Estava tão bonito que a Anahí foi impossível apartar o olhar dele.
-Está... está muito bonito - conseguiu murmurar.
-Você também -respondeu-lhe ele com um olhar frio. -É melhor irmos.
Lhe seguiu. Com as pressas lhe esqueceu a estola. Já estavam a metade de caminho de Phoenix quando se lembrou, o disse a Poncho e este lhe dirigiu um olhar assassino.
-Olhe, já é tarde para voltar, e me alegrarei quando tudo isto tenha acabado -resmungou.
-Foi tua ideia -respondeu-lhe ela: brandamente.
-Ultimamente não paro de ter más ideias.
-Já sei
-Era necessário que pusesse um vestido com esse decote? Te vê até o umbigo.
-É o único vestido de noite que tenho.
-Sem dúvida é um resto dos dias em que você e seu bonito banqueiro foram da alta sociedade de Charlestón.
Anahí fechou os olhos e se negou a responder.
-Não me discute isso? Não quero brigar contigo, Poncho. Não acredito que tenha estômago para voltar a fazê-lo nunca mais.
- Não quer brigar comigo?-perguntou-lhe ele.
-A gente troca.
-Não o suficiente. Nunca fui o bastante para levar-se bem com outras pessoas. Por exemplo, aqui me tem vestido de pinguim, disposto a ir a um lugar no que se supõe que me vou divertir com algo que não entendo e que nem sequer eu gosto. Isso não vai trocar minha forma de ser. Eu não serei nunca um tipo elegante, não me cabe a menor duvida, e o aceitei faz já muito tempo,
-E sua elegante mulher o vai aceitar também? Te vai querer com sua forma de ser?
- Acho que não. Mas é assim como me vai ter que aguentar.
-Ah, maravilhoso! Um pouco completamente excitante para ela!
Poncho girou então a cabeça lentamente, o olhar que havia em seus olhos era cálido e perigoso.
-Algum dia me vais tirar de minhas casinhas.
Anahí se voltou então para olhar pelo guichê as luzes de Phoenix.
Poncho estacionou perto do teatro. Havia muita gente e Anahí fico perto dele para não perder-se, sentindo-se além um pouco os nervos, por ver-se rodeada por tanta gente.
-Já não te dá medo estar tão perto de mim? -perguntou-lhe ele.
-Tenho-te menos medo a ti que a todos esses. - contestou ela.- Eu não gosto das multidões.
Então ele parou , olhando-a com olhos escrutinadores.
-Mas você gosta da cultura, não, querida?
O sarcasmo de sua voz era evidente.

-Também eu gosto dos homens que cantam canções de amor com voz profunda.
Poncho pareceu desconcertado durante um instante. Voltou-se e a guiou através da multidão com um certo ar de confusão no rosto. Tudo parecia ir mal. Suas entradas eram para outro dia, tal como disseram a Poncho, a educada mas firmemente na bilheteria.
- É um corno! -disse-lhe ao homem baixinho que estava na porta.
Então sorriu, e Anahí soube que isso queria dizer que ia haver problemas. Escuta moço, supunha-se que eram para esta noite, assim já que estou aqui, fico.

- Por favor, senhor, baixe a voz -suplicou-lhe nervosamente o tipo baixinho olhando pros lados.
-O que a baixe? Nada disso! -gritou-lhe Poncho.
-Se o que está procurando são problemas, os vai ter.
Anahí fechou os olhos. Como lhe ocorreria cair sempre no mesmo e não aprender?
-Por favor entre, senhor. Estou seguro de que este mal-entendido foi nossa culpa - disse por fim o homenzinho em voz alta e com um sorriso forçado Poncho assentiu e sorriu friamente.
- Estou seguro disso. Vamos, Annie.
Quando chegaram a suas localidades, Poncho colocou como pôde suas largas pernas no reduzido espaço da poltrona e ficou a estudar o programa...
-O Lago dos Cisnes? -perguntou a Anahí quando viu as fotos do programa.
-Quer dizer que viemos aqui para ver como se passeiam saltitando pelo cenário umas quantas individuas vestidas de cisne?
-OH, Deus! - Anahí ficou a rezar para que lhe desse uma laringite e se calasse.
A seu redor, tudo eram murmúrios de desaprovação.
Anahí lhe tocou uma mão.
-Alfonso, o balé é uma forma de arte, é uma dança, já sabe.
-De acordo, mas uma coisa é dançar e outra é que o uma senhora feita e direita vá por aí vestida de cisne.
Anahí tratou de esconder o rosto no programa, deixou-se deslizar em sua poltrona e ficou a rezar também para que houvesse um blecaute. Ali havia muita luz, todo mundo podia ver que esse besta ia com ela.

Poncho continuou fazendo comentários em voz alta até que as luzes se apagaram. Anahí quase se deprimiu de prazer e alívio quando se fez a escuridão. Mas deveria lhe haver conhecido melhor. No mesmo instante em que a orquestra começou a tocar e a bailarina principal apareceu por fim, Poncho se estirou na poltrona e se inclinou para frente.
-Quando começa o balé? -perguntou então.
-Acaba de fazê-lo! -sussurrou ela.
-Mas se tudo o que está fazendo é correr pelo cenário!
-Cale-se de uma vez! -disse o homem que estava sentado detrás de Poncho.
Ele se voltou e tratou de lhe olhar na escuridão.
-Eu paguei minha entrada como você, assim que te aguenta você se quiser ou saia.
O homem em questão dobrava em idade a Poncho e era bastante mais rechonchudo, esclareceu-se a voz tratando de parecer mais agressivo; mas ficou quieto e não disse mais nada.
Poncho olhou para Anahí.
-Tem algo no sapato? -perguntou-lhe - Por que te esconde?
-Não estou me escondendo. Lhe respondeu ela completamente ruborizada e endireitando-se em seu assento.
Poncho olhou para o cenário. Nesse momento, saiu um musculoso bailarino dando saltos, o que lhe fez estalar em gargalhadas.
- OH, fique quieto- suplicou-lhe Anahí.
- Mas olhe isso! Parece como se levasse meias-calças. E, que demônios é isso que leva entre as pernas?
-Oh céus... - murmurou ela apoiando o rosto nas mãos.

Tal como é - ayaHistórias para pegar e não largar. Descubra agora