- Senhorita Puente! -disse-lhe o homem da árvore-. Socorro!
O alto e robusto homem se voltou e a olhou. Levava o clássico chapéu vaqueiro impregnado até os olhos e seu queixo necessitava um barbeado, pelo menos tanto como seu encrespado cabelo um passeio pela barbearia. Levava uma pistola na mão e tinha um olhar capaz de atemorizar a qualquer.
-Adiante, dispara - desafiou. - Vamos ver se te atreve. - Ele ficou quieto, respirando lentamente, observando-a.
-Se não ir utilizar essa pistola. Me pode dar isso? –perguntou-lhe Anahí, assinalando a arma.
Ele ficou quieto durante um comprido e tenso instante; então, lentamente, agarrou a pistola pelo canhão e a ofereceu pela culatra. Ela a agarrou com cuidado, esvaziou o carregador e se guardou em um bolso a pistola e em outro as balas.
-O que faz esse homem na árvore?
-Pregunte a ele.
-Bobby, o que tem feito? -perguntou-lhe ao jovem e magricela vaqueiro que estava subido à árvore.
-Bom, senhorita Puente, dava-lhe nas costas com uma cadeira... Ele estava pegando a Andy e eu temi que o fora a fazer mal.
-Se ele se desculpar - disse ela a Alfonso- o deixará baixar-se daí.
Ele ficou pensando por um momento, mantendo-se com muita dificuldade sobre seus pés.
-Suponho. -disse por fim.
-Bobby, te desculpe!
-Eu sinto, senhor Herrera!
Alfonso olhou para cima.
-De acordo, filho.
Any apertou os dentes ante a fileira de palavras malsoantes que soltou Poncho antes de deixar que o vaqueiro se baixasse.
-Obrigado! -disse Bobby rapidamente e saiu correndo antes de que a Alfonso lhe ocorresse trocar de opinião.
Anahí suspirou e olhou pra Alfonso. Era um homem alto e de ombros largos, com um físico que teria atraído a qualquer mulher. Mas estava ao meio civilizar e resultava, inimaginável que nenhuma mulher queria viver a seu lado.
-Ucker veio contigo?
-Sim, como sempre.
Ela lhe aproximou e, movendo-se muito lentamente, agarrou-lhe da mão. Era grande e calosa, além de cálida. Sentiu uma espécie de calafrio ao tocá-la.
- Vamos pra casa, Alfonso.
O deixou que lhe guiasse, tão dócil como um cordeiro. Não era essa a primeira vez que lhe surpreendia aquela docilidade. Ele atacava a qualquer homem que se cruzasse em seu caminho, mas, por alguma razão, tolerava que lhe dominasse. Era a única pessoa a que seus empregados podiam chamar para que lhes ajudassem com ele.
-Envergonho-me de ti- lhe disse ela.
- Fecha o pico. Quando queira um sermão, chamarei um padre.
-Qualquer cura ao que te ocorresse chamar morreria para ouvir seus pecados. E não me dê ordens, eu não gosto.
Ele se parou repentinamente. Ainda foram da emanou e, com essa ação, fez que ela estivesse a ponto de cair.
- Eres como um gato selvagem -disse-lhe ele com os olhos brilhando na escuridão.- Com toda sua cultura e educação, é tão dura como uma mulher de campo.
-Certamente sim, o sou- respondeu Anahí-. Tenho que sê-lo para tratar com um selvagem como você!
Algo obscureceu o olhar de Alfonso. De repente, fez que ela se desse a volta, abraçou-a e a levantou do chão.
-Baixa-me, Alfonso! -disse-lhe empurrando seus fortes ombros.
Ele ignorou seus esforços. Com uma de suas mãos a agarrou por cabelo e fez que jogasse para trás a cabeça.
- Estou farto de me deixar levar por ti como se fora um cachorro mulherengo. Estou cansado de que me chame selvagem. Se for isso o que de verdade pensa de mim. Á o melhor já é hora de que me, ganhe essa reputação.
Doía-lhe tanto o puxão de cabelo, que logo que pôde ouvir o que lhe estava dizendo. Então, com uma precisão estranha para o estado em que se encontrava ela beijou fortemente nos lábios.
Anahí ficou rígida ante a inesperada intimidade dessa boca que cheirava a uísque. Tinha os olhos muito abertos, e neles liam-se a surpresa e o medo. Ele apertou ainda mais, até que a pressão chegou a ser dolorosa. Anahí conseguiu dar um penetrante grito de protesto e conseguiu que Alfonso separasse um pouco a cabeça. Seus olhos refletiam tanta confusão como os dela e em seu rosto havia uma expressão de severidade que Anahí nunca tinha visto. Quando seu olhar se posou na boca dela, descobriu que com sua ardente fúria lhe tinha feito uma ferida em um lábio. Pareceu como se nesse mesmo instante lhe tivesse passado a bebedeira. Voltou-a a deixar brandamente no chão e, como duvidando, sujeitou-a dos ombros.
-Sinto muito -disse-lhe lentamente.
Ela tocou os trementes lábios, todo o afã de luta tinha desaparecido.
-Tem-me feito uma ferida -murmurou.
Lhe aconteceu então um dedo pelo lábio ferido enquanto seu peito se agitava nervosamente.
Anahí rechaçou esse contato e ele deixou cair a mão.
-Não sei por que tenho feito isto.
Ela nunca se preocupou antes por como seria sua vida amorosa ou pelas mulheres que tinham passado por ela; mas o contato com sua boca tinha provocado uma inesperada intimidade entre eles que fez despertar sua curiosidade por ele de uma forma que chegou inclusive a fazê-la envergonhar-se de seus pensamentos.
-É melhor que vamos -disse-lhe-. Ucker deve estar preocupado.
Ela deu a volta, deixando que Alfonso a seguisse. Não queria estar muito perto dele até que, pelo menos, não lhe acontecesse um pouco a impressão.
Ucker abriu a porta, franzindo o cenho quando viu a expressão de sua cara.
-Está bem? -lhe perguntou rapidamente.
-É uma ferida de guerra -respondeu-lhe ela com um resto de humor. Meteu-se na caminhonete, juntando os joelhos quando Alfonso se sentou a seu lado e fechou a porta com um golpe.
-Vamos! -disse ao Ucker sem lhe olhar.
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Tal como é - aya
RomanceO mal educado granjeiro Alfonso Herrera queria aprender boas maneiras para assim apaixonar a uma mulher, e Anahí Puente era a única pessoa do povo que teria a suficiente educação para levar a cabo esse trabalho. Nenhuma outra mulher se atreveu a apr...
