Bailey e Shivani enfrentaram uma montanha-russa de emoções anteriormente, antes de finalmente se entenderem e conseguirem o que tanto queriam: ficar juntos para sempre.
Agora, dois anos depois, esse recomeço está longe de ser tranquilo. Os fantasmas...
Qualquer capacidade de raciocínio se perde quando nossas bocas se encontram.
Juro que eu queria conversar e tentar resolver nossa situação, mas, porra, porra, porra! Como conversar quando nossos corpos se atraem de forma incontrolável?
Se nem Shivani consegue se conter, o que dizer de mim, que não sou nada mais que um impulso impensado?
Seus dedos acariciam minha nuca lentamente. Eles estão frios, talvez tomados pelo receio acerca do que fazemos e para onde iremos.
Encaixo as mãos em suas nádegas e a ajeito sobre meu colo, aumentando ao máximo o contato.
Meus dedos correm por sua pele, procurando a barra do vestido e me aventurando em suas coxas até sentir o tecido delicado da calcinha.
— Bailey... — Shivani murmura e acaricia minha barba, me olhando em nos olhos.
Prendo a respiração. Se ela pedir, vou parar, mas, Deus, por favor, que ela não peça...
Eu a encaro, sem conseguir dizer uma única palavra. Me perco nos detalhes do seu rosto. Os olhos castanhos em um tom bem escuro, os cílios longos, que sobem e descem enquanto ela pondera.
Shivani morde o lábio inferior, e em minha mente comparo a mulher de hoje com a menina de dois anos atrás. Não tenho dúvida de que há muito mais mudanças do que o corte de cabelo moderno.
Ela não diz mais nada, mas se afasta um pouco e baixa o olhar para o meu peito, finalmente percebendo que há uma nova tatuagem ali.
Admirada, ela a toca com a ponta dos dedos, como se a tinta preta pudesse sair como mágica ao seu toque.
— Mas o que...? — sussurra. Os lábios sorriem e os olhos se estreitam enquanto ela encara o símbolo do anel de Claddagh, que eu lhe dei de presente no único aniversário que passamos juntos, há quase três anos: o coração com a coroa e as duas mãos o segurando. O símbolo se perde em meio a uma infinidade de ramos de espinhos negros.
Shivani aperta os lábios e passa a ponta do indicador pelas letras dentro do coração que compõem seu nome.
— Eu fiz quando saí... — me refiro à reabilitação.
— Você tatuou meu nome no peito? Dentro do...
— Nosso símbolo — completo a frase por ela. — Sim. Eu só externei algo que já estava tatuado no meu coração. Deixei para todo mundo ver o que não consigo tirar de mim.
— E os espinhos? — Ela franze a testa ao ver o caminho de espinhos que percorre quase todo o meu peito e sobe até a base do pescoço. — São muitos.
— Amar não é bem uma flor... — Minha voz sai mais rouca que o normal.
— Não é, mas...
Sei que tantas ramificações a assustam. Ela entende que me sinto exatamente assim, com o coração perdido entre espinhos.
Essa tatuagem, que encaro todos os dias no espelho, durante muito tempo foi quase uma penitência, a lembrança do que eu jamais teria outra vez. Mesmo agora ela representa muito mais do que eu conseguiria dizer.
— Eu não estou assustada pelos espinhos, Bailey — Shivani a acaricia e volta a me olhar, pensativa. Daria tudo para descobrir o que se passa em seus pensamentos tanto quanto ela daria tudo para descobrir o que se passa nos meus.
Quando penso que Shivani vai me afastar, ela coloca a mão em seu pescoço e puxa uma correntinha de dentro do vestido. Na ponta está o anel que lhe dei, pendendo de um lado para o outro.
— Ele está sempre comigo — ela conta, e agora sou eu que não consigo expressar o que estou sentindo.
Nós nos olhamos por alguns segundos, cientes do que representamos um para o outro. A eletricidade corre solta no ar. Nossa respiração está acelerada, e não sei se nossa mente é capaz de acompanhar o que estamos vivendo.
As lágrimas que eu continha escorrem pelo meu rosto. Não são muitas, porém são suficientes para que eu me sinta desprotegido.
Toda a minha fragilidade está exposta. Shivani pisca rapidamente e suas lágrimas também escapam. É quase como se estivéssemos transbordando e nosso excesso se misturasse um ao outro.
Devagar, ela solta a correntinha, desliza os dedos pela minha tatuagem e, em seguida, toca meu pescoço. Um sorriso doce marca seu rosto antes que ela volte a me beijar devagar. Não precisamos de palavras. É amor, porra. É amor, é amor, é amor!
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“Se sou um pagão dos bons tempos/ Minha amante é a luz do sol/ E para manter a deusa ao meu lado/ Ela exige um sacrifício.”