Bailey e Shivani enfrentaram uma montanha-russa de emoções anteriormente, antes de finalmente se entenderem e conseguirem o que tanto queriam: ficar juntos para sempre.
Agora, dois anos depois, esse recomeço está longe de ser tranquilo. Os fantasmas...
Todos os pecados que eu já cometi na vida! Todos os pecados! Todos os malditos pecados!
Acho que é isso que estou pagando por ter que resistir a beijar Shivani como eu queria.
Ela coloca o capacete e sobe na moto. Sua calça é tão justa que marca completamente o contorno das coxas.
Quando ela se ajeita, chegando o máximo possível perto de mim e me abraçando pela cintura, sinto que posso morrer. Um arrepio percorre meu corpo e respiro profundamente.
Dá para desejar alguém mais do que a necessidade que temos de respirar? Ah, dá. Porra se dá!
Dou a partida na moto e espero que o vento frio me acalme. Que nada! A presença de Shivani segue me aquecendo.
❦
D
eixamos a moto no estacionamento e seguimos para a Starbucks. Está aí algo que nunca me imaginei fazendo com a Shivani.
Pepe que me viciou nessa porra, desde que parei de beber. Ele adora e eu sempre enchi o saco dele por isso, falando que esses cafés misturados não eram bebidas de homem.
Ok, me lasquei. Estou sabendo, porque agora quem está viciado nisso sou eu.
Pegamos nossas bebidas e nos sentamos a uma mesa em um dos cantos.
— Nunca pensei que você fosse do tipo que gostasse de frapuccino — Shivani sorri, um brilho travesso no olhar.
— Eu gosto de tudo aqui. Patético, eu sei. — Faço uma careta.
— Não é. Você pode ser durão e gostar de café. Não há nenhum livro de regras.
— Tem razão. É como o Pepe, certo? Que gosta de tudo quanto é oposto.
— Ele é um bom exemplo mesmo. Falando nisso, soube que ele e a Sabina voltaram.
— É o que estão dizendo...
— Você não parece achar que vai durar. — Eu já errei em muitas coisas, mas sei lá... Algo ali não cola. Sabina curte o cara e tal, e ele tá na dela, mas... Você sabe, aposto minhas fichas em outro cara no caso dela. Acho que no fundo é isso. Pepe é um baita amigo e não tô a fim de vê-lo machucado. Já basta o Krystian toda hora com isso...
Quero perguntar ao Bailey o que ele quis dizer quando se referiu a outro cara, mas a menção a Lucas machucado chama a minha atenção.
— Como assim?
— Tá pra nascer pessoa com dedo mais podre. No tempo em que você ficou fora, ele começou a namorar três vezes e em todas descobriu que a garota tinha outro. Uma delas namorou os dois por meses até o Krystian descobrir. A outra chegou a dar em cima do Lamar, que contou pro Lucas e foi uma merda.
— Nossa, tadinho do Krystian. Logo ele que é tão especial.
— Sim, é. Nem sei por que ele começa a namorar tão rápido. Ele diz que acontece.
— Acho que ele se sente sozinho, Bay. Mesmo tendo você e meu irmão tão próximos a ele, um relacionamento amoroso é diferente.
— Você tem razão. Deve ter a ver com tudo que ele passou.
— Deve.
— Acho que eu não sou o único a ter que fazer terapia na família. — Antes que o clima fique ruim, conto a ela: — Demorei pra te procurar porque eu queria marcar a terapia primeiro. Aí não tinha horário no consultório. Só tem semana que vem. Marquei e decidi que não ia mais esperar. Estava com uma saudade do caralho. — Procuro sua mão sobre a mesa.
Shivani está com o queixo apoiado na mão livre e sorri para mim. Ela nem diz nada, mas o orgulho explode em seus olhos ao ver que estou tentando.
❦
Horas mais tarde eu a deixo em frente à sua casa.
Ela desce da moto. Eu desço da moto. Ambos tiramos os capacetes e nos encaramos. A intensidade da nossa conexão devia ser tema de tese em faculdades de psicologia. Não há explicação racional.
Toco seu rosto com o dorso das mãos, beijo levemente seus lábios e me viro para subir na moto. Nem preciso olhá-la para saber que está boquiaberta de novo.
Seguro o guidão da moto antes de subir e meu corpo inteiro reage a Shivani. Ah, porra! Isso de ser o cara que faz tudo como manda o figurino não é comigo. Foda-se a porra do figurino!
Em dois passos, eu desço e a puxo pela cintura, beijando-a, desesperado. Uma semana é tempo demais para ficar longe.
Com o impacto do meu movimento, o corpo de Shivani é impulsionado para trás. Mantenho-a firme em meus braços.
Buscando apoio, ela enrosca os dedos em meus cabelos e me puxa mais para perto.
A árvore em que nos beijamos escondidos uma vez está bem ali, a poucos passos de nós, mas estou pouco me fodendo para esconder o que estou sentindo. Dane-se que os seguranças vão ver. Quero mais é que o mundo inteiro saiba que sou insanamente apaixonado por essa mulher.
(Eu vou gritar para o mundo todo ouvir...)
Quando nos afastamos, estamos sem fôlego.
— É bom saber que algumas coisas não mudam — Shivani diz, com a respiração acelerada.
— Se tem uma coisa que nunca vai mudar... — respondo, depois de inspirar profundamente — é o que eu sinto por você, garota. — Coloco a mão sobre o peito e dou dois tapinhas nele.
Contrariado, me afasto dela e subo na moto. Recoloco o capacete, dou a partida e vou embora, já ansiando pela próxima vez em que a verei.
As pessoas costumam dizer que um amor cura o outro e que não há uma pessoa ideal, que não há essa história de alma gêmea e que ninguém é insubstituível. Queria que quem um dia disse isso nos visse agora. Não há outra pessoa para mim além de Shivani. Jamais falarei por ela, mas eu não conseguiria seguir adiante sem ela. Não dá. Não dá. Não dá.
É amor, porra. E não se supera um amor de verdade, certo?
⏭ ▶ ⏮
“Há algo sobre você agora/ Que não consigo compreender completamente/ Tudo que ela faz é bonito/ Tudo que ela faz é certo/ Porque somos eu e você e todas as pessoas/ Com nada a fazer, nada a perder/ E somos eu e você e todas as pessoas, e/ Eu não sei por que não consigo tirar meus olhos de você.”