Bailey e Shivani enfrentaram uma montanha-russa de emoções anteriormente, antes de finalmente se entenderem e conseguirem o que tanto queriam: ficar juntos para sempre.
Agora, dois anos depois, esse recomeço está longe de ser tranquilo. Os fantasmas...
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He said,"I am the devil, boy, come with me And we’ll make many storms" He offered me the universe But inside my heart there’s a picture of a girl Some call love a curse, some call love a thief But she’s my home And she’s as much apart for this broken heart But see, broken bones always seem to mend I’ll taste the devil’s tears Drink from his soul but I’ll never give up you. — Angus and Julia Stone, “The Devil’s Tears”
Quando tenho uma crise de pânico, sinto muito frio. Doutor Carlos, meu terapeuta, disse que é uma reação do corpo e, assim como a crise em si, a causa é psicológica.
Por isso, fico surpreso ao perceber que dessa vez meu corpo está aquecido. Entre a tristeza pelo que passei e a vergonha de estar acompanhado, me dou conta de que é Shivani quem está comigo.
Minha camiseta está molhada de suor. Isso não parece importar para a garota mais especial desse planeta. Shivani está deitada no chão, abraçada a mim. Nossos dedos estão entrelaçados. Abro a mão devagar e sinto que eles estão dormentes.
— Me desculpa — digo, me sentando lentamente. — Apertei sua mão.
— Está tudo bem — ela responde, mas massageia os dedos discretamente.
— O que tá fazendo aqui? — Minha voz está baixa.
— Tive um mau pressentimento. — Sua sinceridade me comove.
As lágrimas marcam seu rosto e é visível que Shivani está assustada.
— Eu achei que estava melhorando. Estava mais fácil, sabe? — tento explicar, ainda sem saber que palavras usar. — Um amigo morreu de overdose. Quer dizer, não éramos mais amigos, mas já fomos muito, quando crianças. É foda essas merdas que a vida tem. Ele não era um cara mau, só...
— Estava perdido — ela completa, com um sorriso triste, ajeitando-se para se sentar ao meu lado.
— É... Como eu, né?
— Sim, mas você não está mais perdido, Bay. — Ela se enrosca em meu braço e apoia a cabeça no meu ombro. — Você está cansado, porque sua jornada foi longa, mas não está perdido.
— Será que não?
— Não. Você disse que estava melhorando. Não é “estava”. Você está. Meu pai dizia que a verdadeira coragem aparece perante nossos maiores medos. Você enfrentou muita coisa e continua lutando, mesmo com medo. — Seu tom de voz vai caindo direto em meu coração, enquanto ela me acaricia devagar. — Sei que parece muito difícil agora, mas pense em tudo a que você já sobreviveu. Tudo a que nós dois sobrevivemos.
— Sua fé em mim... — suspiro, estou realmente muito cansado.
— Como consegue?
— É bem simples, na verdade. Eu vejo o potencial que você não vê. Há muita dor em você e ela te cega. Eu vejo por trás dela. Vejo quem você é de verdade.
— Um caos ambulante... — Não escondo de Viviane como me sinto. Ela descobriria mesmo que eu mentisse.
— Você é o homem que eu amo, não importa o tanto de caos que haja aí dentro.
— Às vezes me sinto no inferno. — Coloco as duas mãos na cabeça.
— Não. Você já foi ao inferno, Bailey, e voltou. — Ela me olha tão livre de julgamento que quase consigo acreditar que sou bom o suficiente para ela. — Ainda tem as marcas para provar, mas você voltou.
A camiseta molhada de suor faz com que eu comece a sentir frio.
— Vou tomar um banho.
— Ok.
Eu me levanto e ela me acompanha. Pelo brilho em seu olhar sei que não vai me deixar sozinho. Ela reconhece que preciso dela hoje mais do que nunca.
— Você vem comigo... — tento fazer uma pergunta que acaba saindo como afirmação.
— Eu sempre irei com você, Bay. Tá difícil entender isso? — ela ergue uma sobrancelha. Tão voluntariosa, mesmo nas situações mais difíceis.
— Acho bom. Isso me poupa o trabalho de te jogar nas costas e te levar na marra para onde eu for.
Ela dá uma gargalhada que soa tão bem aos meus ouvidos, e por um momento leva toda a escuridão do meu coração embora.
Pego algumas peças de roupas para nós no quarto e seguimos para o banheiro.
Shivani tranca a porta e se vira para mim. Ela tira minha camiseta, desabotoa minha calça, abaixa-a e faz o mesmo com a cueca, enquanto tiro os tênis usando um pé para empurrar o outro.
Abro o chuveiro e ela se despe, entrando debaixo da água comigo. Observo-a pegar a bucha, passar sabonete e ensaboar delicadamente meu corpo.
Ela começa cantarolar baixinho “There You’ll Be”, da Faith Hill.
Conheço a música porque é tema do Pearl Harbor, e o Krystian me fez assistir a esse filme umas três vezes.
Não sei se a escolha da música é proposital, mas ela traduz muito bem o que somos.
When I think back on these times And the dreams we left behind I’ll be glad ‘cause I was blessed to get To have you in my life. When I look back on these days I’ll look and see your face You were right there for me…
A voz de Shivani é doce e delicada. O tom baixo lhe dá uma rouquidão sedutora.
— Fecha os olhos, Bailey — ela interrompe a música para me pedir isso, mas logo recomeça a cantar.
Eu a obedeço
Suas mãos massageiam meus cabelos delicadamente, ensaboando-o. Seu cuidado me acalma, me encanta, me regenera.
O toque dela hoje não tem nada a ver com sexo. Ela quer cuidar de mim, quer me mostrar que somos muito mais do que paixão desenfreada.
O mais surpreendente é que isso me faz amá-la ainda mais. É tudo o que preciso ser neste momento: o cara na ponta dos seus dedos.
⏭ ▶ ⏮
“Ele disse: ‘Eu sou o diabo, rapaz, venha comigo/ E nós faremos muitas tempestades’/ Ele me ofereceu o universo/ Mas dentro do meu coração tem a imagem de uma garota/ Alguns chamam o amor de maldição, alguns chamam o amor de ladrão/ Mas ela é o meu lar/ E ela está tão distante