Capítulo 35

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Like Johnny and June And when we’re gone there’ll be No tears to cry Only memories of our lives They’ll remember Remember A love like that

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Like Johnny and June And when we’re gone there’ll be No tears to cry Only memories of our lives They’ll remember Remember A love like that.
— Heidi Newfield, “Johnny & June”


— Em defesa do bad boy júnior, eu também achei que você e o Noah tiveram algo em Londres. Todos acham isso — meu avô tenta interceder por Bailey. Estou andando de um lado para o outro na sala de estar da casa deles. — Deu para ver como o Bailey ficou incomodado hoje no restaurante.

— Vô, você não está defendendo o Bailey. Não é possível!

Estou muito zangada, muito mesmo. Por que Noah e Bailey tinham que brigar? E meu avô ainda o defende!

Nervosa, tropeço na mesinha de centro, e me sento no sofá de couro preto.

— Querida, sei que está chateada — minha avó se senta ao meu lado e segura minha mão —, mas você devia ouvir o seu avô.

Arregalo os olhos, espantada. O que está acontecendo? Eu tinha certeza que depois disso todos iam querer matar o Bailey.

— Estou cansada, vó. O que aconteceu hoje não dá para entender.

— Eu não estou dizendo que ele esteja certo e nem que violência seja a resposta para tudo, mas o Bailey até que se segurou bem. Eu teria batido no Noah no dia em que vocês voltaram de Londres — meu avô diz, puxando um dos bancos do canto para se sentar à minha frente, e minha avó assente. — Sei que ele devia ter confiado em você, mas nem sempre a cartilha funciona, querida. Quantas vezes eu te aconselhei a não ficar com ele?

— Muitas.

— E você não me ouviu em nenhuma delas. Mais uma vez, não quero justificar a atitude ou colocá-lo como inocente, mas o garoto perdeu as pessoas que ama, lutou para sair das drogas, sofre com medo das recaídas e ainda tem que passar por essas crises de pânico. Acho que essa confusão toda de hoje estava prevista há muito tempo.

— O Bailey não pode achar que bater no Noah resolve tudo.

— Bem, vamos recapitular: ele já se drogou na sua frente, tentou ficar com outra mulher na sua frente, fez com que seu irmão levasse um tiro e vocês perdessem o bebê. — Ele aperta minha mão, enquanto fecho os olhos, tentando afastar as lembranças. — Você perdoou tudo isso. Mas, me diga, na cabeça do Bailey, quem é que sempre afasta vocês? Mesmo que seja sim paranoia dele, quem é essa pessoa?

— O Noah. — Nem preciso pensar muito para responder.

Pela primeira vez na noite, agradeço por minha mãe ter decidido ficar em casa. Desde que voltei, tivemos inúmeras conversas sobre meu relacionamento e algo me diz que ela concordaria com o vovô.

— Então, a cabeça do Bailey deve estar um caos sem tamanho. Vocês devem conversar, e ele tem que se recuperar e parar de agir assim, mas não acho que você deva ser tão dura. — Encaro meu avô, tentando entender como ele parece compreender tanto Bailey. — Krystian me contou uma vez que Bailey costumava se referir a você como a June dele, e sua alma atormentada de Johnny Cash — vovô diz, e me pergunto o que mais o Krystian lhe contou. — Mal sabia ele que havia um exemplo ainda mais próximo para vocês: sua avó e eu. — Olho de um para o outro. — Eu nem sempre fui um homem bom, meu amor. — Ele acaricia meu rosto e lança um sorriso para a minha vó. — Sua avó sofreu tanto quanto você até que nos acertássemos.

Meu pai sempre contava histórias sobre o meu avô, mas ele nunca entrou em nenhum assunto como esse... Por isso, eu jamais poderia suspeitar de algo como o que estava ouvindo agora.

— Às vezes estamos assustados demais para perceber o tamanho do amor que está bem à nossa vista, e fazemos uma merda atrás da outra. — Os olhos castanhos de meu avô refletem um brilho triste. — Temo que seu irmão ainda sofrerá do mesmo mal que eu. Mas essa é outra história. Agora temos que nos concentrar em você e Bailey.

— Não sei se vou dar conta, vô — e, finalmente, deixo as palavras que me afligem saírem. — Se o Bailey tem uma porção de medos no que se refere a nós, eu tenho apenas um: não aguentar o impacto da bomba toda vez que ela explodir.

— Ah, você aguenta — minha vó envolve a minha mão e a de meu avô entre as suas. — Não estou dizendo que será fácil, mas o amor nunca é, meu anjo. Até que tudo se encaixe, há muitas explosões e feridas, quando o sentimento é muito intenso. E, temos que concordar, Bailey é uma bela porção de intensidade.

— Ele não pode sair por aí batendo nas pessoas.

— Nem acho que vai — meu avô o defende outra vez.

— Não sei. Preciso pensar.

É claro que não vou guardar raiva de Bailey por muito tempo. Ele já fez coisas bem piores e perdoei... O que não quero e nem vou é aceitar o que ele fez com Noah.

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“Como Johnny e June/ E quando nós formos embora/ Não haverá lágrimas para chorar/ Só lembranças de nossas vidas/ Eles vão lembrar/ Lembre-se/ De um amor como aquele.”

A Escolha Perfeita do CoraçãoHistórias para pegar e não largar. Descubra agora