Capítulo 27

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And I won’t go, and I won’t sleep, and I can’t breathe until you’re resting here with me And I won’t leave, I can’t hide, I cannot be, until you’re resting here with me

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And I won’t go, and I won’t sleep, and I can’t breathe until you’re resting here with me And I won’t leave, I can’t hide, I cannot be, until you’re resting here with me.
— Dido, “Here With Me”

Passo o dia inteiro preocupada com Bailey. Uma sensação horrível me toma quando a noite se aproxima.
Ligo para ele, para o bar, mas ninguém sabe onde ele está.

Decido mandar uma mensagem para o Krystian, a que ele responde prontamente:

Shiv, tô na faculdade.
Mas uma quinta sim outra não o Bailey visita o Gigante na cadeia.
A essa hora ele já costuma ter voltado.
Não tá na balada?

Não, liguei pra lá.

Não quero preocupar o Krystian, mas não sei mais o que fazer. Procurar o Bailey e não encontrá-lo acaba comigo.

Deve tá em casa, então. Vou sair daqui e ir pra lá, mas tô sem carro.
Vou demorar.

Acho que vou pra lá.

Não vou aguentar ficar aqui sem notícias.

Tá bom. Vou ligar pro porteiro e dizer pra ele abrir pra você.
Eu fiz uma cópia da chave pra situações de emergência. Mas não deve ser nada.
Tá colada atrás do extintor.

Respondo agradecendo e dizendo que o encontro lá mais tarde, depois saio de casa. Espero que esse pressentimento seja apenas coisa da minha cabeça...

Quando chego ao apartamento, nem preciso da chave. A porta está entreaberta, e o lugar, na penumbra.

Entro devagar, sem saber o que vou encontrar ali. Da última vez que cruzei uma porta assim, vi minha mãe desmaiada por ter tentado suicídio depois da morte do meu pai.

É impossível evitar essas lembranças.
Diferente do silêncio sepulcral que preenchia o quarto da minha mãe, soluços repletos de dor chegam até meus ouvidos.

Abro a porta e a luz do corredor permite que eu aviste Bailey caído no chão, sobre os joelhos, bem no meio da sala.

Corro até ele, me ajoelhando a seu lado.

— Bay, o que houve? — pergunto ao tocar seu ombro.

Assustado, ele empurra minha mão e continua chorando, murmurando palavras desconexas.

Desde que descobri que Bailey tem crises de pânico, conversei muito com Savannah, então sei que ele está tendo uma agora. Ela me disse que em alguns casos mais extremos a pessoa chega até a alucinar. É claro que Bailey teria o caso mais extremo... É como se a vida não cansasse de bater nele.

Não sei bem o que fazer além de esperar passar. Logo os soluços dele se misturam aos meus.

Quero muito tocá-lo, mas tenho medo de o assustar mais uma vez.

Abaixo e levanto a mão algumas vezes até que ele a agarra, entrelaçando os dedos nos meus.

Presente e passado se misturam diante de mim. Estou com Bailey em uma crise de abstinência, estou com Bailey em uma crise de pânico... Não importa. Estou com ele e permanecerei com ele.

Meu coração se despedaça por vê-lo tão ferido. Quero culpar Deus, quero culpar alguém, mas sei que ninguém merece essa acusação. Nem nós mesmos. Apesar de sermos frutos de nossas escolhas, nem sempre somos responsáveis por elas.

Não dá para julgar alguém que está perdido por ter tomado o caminho errado, mesmo que isso faça você se perder também. O máximo que podemos fazer é estender a mão para ele e segurar forte, torcendo para que a nossa luz seja suficiente para os dois.

Não há nada que eu possa fazer por Bailey além de permanecer a seu lado e torcer para que dessa vez isso seja suficiente.

⏭  ▶ ⏮

“Não irei, não dormirei, não posso respirar/ Até você repousar aqui comigo/ Eu não partirei, não posso esconder, e eu não posso ser/ Até você repousar aqui comigo.”

A Escolha Perfeita do CoraçãoHistórias para pegar e não largar. Descubra agora