Bailey e Shivani enfrentaram uma montanha-russa de emoções anteriormente, antes de finalmente se entenderem e conseguirem o que tanto queriam: ficar juntos para sempre.
Agora, dois anos depois, esse recomeço está longe de ser tranquilo. Os fantasmas...
Beijo o rosto de Noah e desço do carro, enquanto ele chama meu nome. Não sei o que dizer agora, então só balanço a cabeça e abro o portão.
Mesmo sem olhar para ele, sei que sua expressão é preocupada, aquela que ele usa quando não sabe como ajudar quem ele ama.
Olho de relance para a guarita dos seguranças ao passar. Exceto por um, são todos diferentes dos que trabalhavam na casa antes da minha mudança para Londres.
Respondo ao “boa-noite” no automático e sigo de cabeça baixa, pensativa.
São quase três da manhã, mas, quando entro na sala, minha mãe está ali assistindo As pontes de Maddison, seu filme favorito.
— O que faz acordada?
— Já voltou?
Perguntamos juntas. Cada uma de nós surpresa por um motivo diferente.
— Achei melhor dormir em casa.
— Insônia.
Também respondemos ao mesmo tempo, e isso me tira um sorriso.
A sala está iluminada apenas pela televisão e por algumas velas perfumadas, de que minha mãe gosta muito. É uma atmosfera quase etérea e, ao mesmo tempo, muito aconchegante.
Quando meu pai morreu e ela se entregou à depressão a ponto de tentar o suicídio, nós estávamos muito distantes. Ela se fechou para o mundo bem antes, quando descobriu que a doença do meu pai era terminal.
Quando me mudei para Londres, a distância física entre nós nos reaproximou. Chega a ser irônico, mas é verdade.
Ela me visitava com frequência, mas vivia voltando por causa do Lamar. Ela nunca deixaria seu menino sozinho por muito tempo. Acho que isso é natural. Eu sempre fui mais independente. Lamar gosta de se gabar de ser assim, livre, mas vive bem apegado à nossa mãe.
Olho ao redor e sou preenchida por lembranças. Suspiro.
Minha mãe está aconchegada na poltrona favorita do meu pai. Ela me olha intensamente e aponta para o sofá ao seu lado. Ela estar assistindo televisão na sala e não no quarto indica que estava esperando por mim ou pelo Lamar.
Sento-me sem dizer nada, afundo a cabeça no encosto e fecho os olhos.
— Vou te dar um tempo — eu a ouço dizer em voz baixa, conforme ela diminui o volume da televisão.