Bailey e Shivani enfrentaram uma montanha-russa de emoções anteriormente, antes de finalmente se entenderem e conseguirem o que tanto queriam: ficar juntos para sempre.
Agora, dois anos depois, esse recomeço está longe de ser tranquilo. Os fantasmas...
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By the cracks of the skin I climbed to the top I climbed the tree to see the world When the gusts came around to blow me down I held on as tightly as you held onto me I held on as tightly as you held onto me Cause I built a home For you For me Until it disappeared From me From you And now, it’s time to leave and turn to dust. — The Cinematic Orchestra, “To Build a Home”
Os próximos dias seguem no mesmo ritmo. Não vou dizer que estou amando ficar sem transar com a Shivani, mas desacelerar tem feito a gente se reconectar. Estranho, mas eficaz.
Tenho seguido com minha vida e estou recolocando Shivani nela aos poucos. Com a terapia e um pouco de paciência, acho que pode dar certo.
O pai da “amiga” do Krystian é um cara legal e consegue ler todas as entrelinhas. É foda porque ele me faz voltar a assuntos anteriores às drogas, como o assassinato do meu pai e a culpa que carreguei por muito tempo por não tê-lo salvado.
A terapia na clínica também abordou isso e retomar me faz sofrer de novo, mas agora com uma outra perspectiva
Acho que o que mais fiz nas primeiras sessões foi falar da morte: do meu pai, da minha irmã, as minha mãe... Do Krystian que, apesar de vivo, é tão envolvido pela morte quanto eu.
É óbvio que quem divide o tempo igualmente com a minha dor é a Shivani. Carlos, o terapeuta, chama minha atenção sobre isso.
Que o amor e a dor ocupam meu coração, e me questiona por que deixo a dor vencer.
Ainda não tenho resposta para isso. Toda segunda quinta-feira de cada mês, à tarde, visito Gigante na cadeia. Ele foi preso no ano passado por assalto à mão armada.
Sei que eu devia me afastar de tudo o que me leva para a minha turbulenta vida anterior, mas ele é meu amigo e salvou a vida de todos nós. Ele consertou a merda que eu fiz quando invadiu o cativeiro para me tirar de lá bem no momento em que Vitinho ia matar Shivani.
— Cara, você não falha — ele me abraça, sorrindo.
— Jamais.
Conversamos sobre os últimos quinze dias. Eu conto sobre a volta de Shivani e ele segue me contando sobre como é difícil ficar fora do crime dentro da cadeia, que tudo é ainda mais pesado do que quando estava fora.
— Você me inspirou, mano — ele diz, batendo no meu ombro. — Não tenho uma mina dessa aí pra me dar força, mas tô tentando ficar limpo.
— Fico feliz, cara. De verdade.
— Não se anima muito. Pode dar tudo uma merda do caralho, mas tô tentando.
— Ok.
— Tá sabendo do Tico? — ele se refere a um moleque que cresceu comigo, conheço toda a família dele.
— A última vez que a gente se falou foi quando ele me pediu droga e eu quase dei uma surra nele.
— É, você me contou essa fita aí. — Seu tom de voz é pesaroso, e eu estremeço.
— O que tem de novo? — É o tipo de pergunta que odeio fazer, quando sinto que será difícil lidar com o que a resposta pode trazer.
— Overdose. — Ele balança a cabeça, demonstrando tristeza.— Acharam ele semana passada. Meu irmão que me contou.
— Merda... — Não sei nem o que sentir.
Não lembro o que mais Gigante e eu falamos. O impacto da morte do Tico caiu sobre mim como uma bomba. Você pode tentar fugir do seu passado, mas ele sempre descobre um jeito de te achar e te foder.
⏭ ▶ ⏮
“Pelas ranhuras da pele, subi ao topo/ Subi a árvore para ver o mundo/ Quando as rajadas chegaram para me mandar abaixo/ Segurei tão forte quanto você me segurou/ Segurei tão forte quanto você me segurou/ Porque construí uma casa/ Para você/ Para mim/ Até desaparecer/ De você/ De mim/ E agora é hora de partir e virar pó.”