Bailey e Shivani enfrentaram uma montanha-russa de emoções anteriormente, antes de finalmente se entenderem e conseguirem o que tanto queriam: ficar juntos para sempre.
Agora, dois anos depois, esse recomeço está longe de ser tranquilo. Os fantasmas...
A pior parte dessas crises, e a mais humilhante, é o retorno delas. Quando volto a mim estou no sofá, sem lembrar direito como fui parar lá. Krystian provavelmente me ajudou.
Ele está sentado na poltrona, fingindo estar concentrado na televisão.
Olho para o relógio na parede. Preciso tomar um banho e sair.
Me levanto, passo por Krystian e coloco a mão em seu ombro, apertando-o de leve. Ele assente, sem desviar a atenção do filme que está passando.
Meu primo me conhece bem e sabe que estou envergonhado, mas não posso deixar de demonstrar o quanto sou grato por ele ter chegado quando precisei.
Mais tarde, estou pronto para sair e o escuto falar ao telefone. Parece animado. Deve ser alguma garota nova.
Quando estou quase saindo, ele desliga e me diz:
— Primo, como foi com a Shiv? — Ele mede as palavras, no fundo não querendo me perguntar, mas sabendo que precisa.
— Complicado.
— E sobre as crises?
— Mais complicado ainda. Nós dois já conversamos muitas vezes sobre minhas crises de pânico e minha relutância em procurar ajuda médica.
— Hum... E não acha que dá pra descomplicar uma parte, pelo menos?
— Qual delas?
— O pai de uma amiga é terapeuta e... — Krystian estende um cartão de visitas. — Ele já atendeu várias pessoas com o seu problema. Não tem por que você se negar a receber ajuda, certo?
A verdade é que um lado meu quer mandá-lo à merda. Meu lado antigo, o lado que mais me causou problemas, o lado que acha que para ser livre preciso resistir a tudo e a todos. Mas parte de mim quer ficar bom logo e a terapia me fez muito bem no ano em que fiquei na clínica.
Penso na coragem de Shivani em não desistir de nós e confrontar cada temor que sinto. Ela resiste apesar de todos os problemas.
Anos atrás demorei tanto para procurar ajuda e muito teria sido evitado se eu não fosse tão cabeça-dura.
É foda, de novo, ser o cara que tem um problema. É foda, de novo, querer ser independente e precisar ser acudido porque está na merda, caído no chão no meio de uma crise de pânico. É foda não ter controle nenhum sobre o próprio destino. Mas talvez seja um sinal de maturidade assumir que alguma ajuda não é má ideia e pode melhorar minha vida e a das pessoas que amo.
Estendo a mão, pego o cartão e guardo no bolso, dando um meio sorriso para ele. Não é preciso dizer mais nada sobre o assunto. Ele sabe que procurarei ajuda. É o mínimo que posso fazer por ele e, principalmente, por mim.
Toco a maçaneta e abro a porta, mas antes de sair me viro. Ele continua parado, me olhando.
— Amiga... Sei.
Krystian sorri, envergonhado, e sua expressão diz tudo o que preciso saber: meu primo está apaixonado de novo.
⏭ ▶ ⏮
“Há escolhas ao meu redor?/Ou eu estou preso em uma estrada de mão única?/ Essas perguntas precisam de respostas/ Estamos sozinhos? Será que estamos no controle? Podemos escolher um papel diferente? Podemos mudar o túmulo que foi cavado para nós?/ Ou este é o único caminho a seguir?”