Bailey e Shivani enfrentaram uma montanha-russa de emoções anteriormente, antes de finalmente se entenderem e conseguirem o que tanto queriam: ficar juntos para sempre.
Agora, dois anos depois, esse recomeço está longe de ser tranquilo. Os fantasmas...
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Minha mente Nem sempre tão lúcida É fértil e me deu a voz Minha mente Nem sempre tão lúcida Fez ela se afastar Mas ela vai voltar... — Charlie Brown Jr., “Ela vai voltar”
Acordo perto do meio-dia e encontro meu primo debruçado sobre vários livros na mesa da sala.
— Semana que vem é semana de provas — ele explica, levantando a caneca cheia de café. — Tem café fresco na cafeteira e bolo de fubá cremoso no forno.
— Você fez bolo?
— Fiz. Gosto de cozinhar quando estou tenso, você sabe.
— Aham... E tá tenso por quê?
— Provas, Bailey. Não por sua causa. Vai desenvolver um complexo de umbigo do mundo agora? — Krystian abre as mãos e ergue as sobrancelhas.
— Tá certo. Não vou, não.
— Ótimo. Você sabe como é. O vô Fernando conta comigo.
É assim que ele se refere ao avô da Shivani. O velho praticamente adotou meu primo. É como se ele fizesse do Krystian o que gostaria que o Lamar fosse. Mas o moleque do neto dele não quer nada com nada nessa vida, e estudar passa longe do que ele tem em mente. Ironicamente, ele tem ideias geniais e é um bom empreendedor, mesmo sendo tão novo. A nossa balada é um belo exemplo disso. Está indo tão bem que temos pensado em abrir outra no Rio de Janeiro.
Krystian trabalha na agência de publicidade da família Morris Paliwal. Além do salário, o avô fez questão de pagar a faculdade para ele. O resultado é esse: meu primo se cobrando mais do que qualquer um.
Não que isso seja ruim. Ele está se tornando um cara ainda melhor. E gosta pra caralho do que está fazendo, então quem sou eu para reclamar?
— É, eu sei. Mas vai na manha. Não precisa se matar de estudar.
— Ninguém morre de estudar, primo. Logo mais vou sair.
— Em vez de estudar? — Isso é uma surpresa e tanto.
— Não — ele sorri. — Vou encontrar um pessoal para estudarmos juntos.
Dou de ombros. Tomo café e como um pedaço de bolo. Nos últimos meses, Krystian tem ficado ainda melhor na cozinha.
Vou tomar um banho e quando saio do banheiro, Krystian já está pronto para sair.
Sento no sofá, pensando em ligar para o Pepe. O celular dele só dá caixa postal, então decido tocar um pouco em casa mesmo.
Pego o violão e me sento outra vez, dedilhando alguns acordes. Nem penso muito, deixo que a música decida sair.
“Kryptonite”, do Three Doors Down, escapa dos meus lábios e é inevitável pensar na noite anterior, quando cantei “Here Without You” para Shivani. Sussuro as primeiras estrofes, de olhos fechados:
Absorvo a letra, pensando em mim e em Shivani. Em tudo que enfrentamos juntos. Conhecemos a força e a fraqueza um do outro.
Será suficiente para recomeçar?
Ouço a porta da frente abrir devagar e penso que Krystian pode ter esquecido algo. Estou tão entretido com a música que apenas abro os olhos quando sinto o perfume de Shivani.
Ela está parada, me olhando com a mão no peito. A cena é bem semelhante com a noite anterior, mas não parece que ela vai correr agora.
Entre parar de cantar e continuar, eu continuo.
Talvez a música possa dizer tudo o que não estou conseguindo externar em palavras.
⏭ ▶ ⏮
“Eu dei uma volta pelo mundo/ Para acalmar minha mente perturbada/ Eu deixei meu corpo jazendo em algum lugar/ Nas areias do tempo.
/Eu vi o mundo flutuar/ Para o lado escuro da lua/ Eu sinto que não há nada que eu possa fazer, é.
/ Eu vi o mundo flutuar/ Para o lado escuro da lua/ Depois de tudo eu sabia/ Que isso tinha algo a ver com você.// Eu não me importo com o que acontece de vez em quando/ Contanto que você seja minha amiga no fim...”