No dia seguinte, a manhã começou como todas as outras, um casal passou pela calçada discutindo a relação, uma idosa saiu com óculos escuros para passear com o seu cachorro e a garota loira que morava no final da rua correu o mais rápido que pode até a floricultura onde trabalhava.
Elizabeth nunca havia se dedicado tanto a algo da mesma maneira que estava se dedicando para ser útil na floricultura, quando estava cercada por todas aquelas plantas ela conseguia esquecer completamente dos seus problemas, mas naquele dia uma visita inesperada a lembrou de que aquilo não passava de uma doce ilusão.
Assim que o sino tocou anunciando um novo cliente a garota congelou, o homem com quem havia firmado um acordo no ponto de ônibus abandonado estava parado em sua frente com uma expressão assustadora de poucos amigos e sem muita cerimônia fechou a porta para que não fossem interrompidos.
— Eu ainda não tenho o dinheiro... – Foi tudo o que a garota conseguiu dizer enquanto encarava aqueles olhos azuis e opacos.
— Não? Eu dei um prazo bem amplo para vocês... – Allan caminhou sem pressa alguma, passando pelas prateleiras onde haviam algumas pequenas plantas suculentas em vasinhos decorados. – Essas são suas?
O homem truculento apontou para a prateleira, especificamente para uma suculenta de pedra de rosa num vaso azul. Apesar da fachada séria, Elizabeth pôde notar um leve brilho no olhar do homem, que se aproximava das plantas com cuidado.
— São! Eu estou cuidando delas todos os dias, mas até agora nenhuma deu flor... – Por alguns segundos Elizabeth pareceu se esquecer completamente que deveria temer aquele homem e se aproximou animada para pegar em mãos a suculenta em questão. – O senhor gostou?
Allan franziu as sobrancelhas por receber aquele tratamento já que não era tão velho assim, mas preferiu não falar nada no momento. A garota loira parecia aguardar a sua resposta ansiosamente enquanto levantava o vasinho em uma altura que ele pudesse observar melhor.
— Vou levar essa. – O tom sério do homem dava a impressão de que ele iria bater em alguém a qualquer minuto, mas seus olhos pareciam ser mais profundos que aquela faixada rude. – Quais outras são suas?
O mais velho olhou ao seu redor, tudo parecia perfeitamente limpo e bem organizado para uma floricultura, as que ele já havia entrado sempre havia terra e areia pelos cantos. Allan esticou o braço para segurar a pequena planta em mãos, mas ao tentar segurá-la sentiu um arrepio passar em seu corpo quando seus dedos encostaram na mão fina da loira, e no mesmo instante o moreno recuou.
— Bem, as rosas vermelhas também são minhas e... – Antes mesmo que a garota terminasse a frase o homem de terno fez um gesto com a mão insinuando que também iria levar, toda essa situação só estava deixando a garota confusa. – Certo, tem alguma encomenda específica que você queira? Eu posso conseguir...
Elizabeth deu um passo para frente e no mesmo segundo Allan deu dois para trás como se estivesse mantendo uma distância segura.
— Não, apenas isso por enquanto. – O engravatado desviou o olhar para a pequena planta em sua mão, enquanto esperava Elizabeth terminar de cortar o caule da rosa. – Vocês abrem todos os dias?
Allan andou a passos lentos em direção ao balcão enquanto tirava sua carteira do bolso e deixava algumas notas sobre o móvel de madeira.
— Exceto nos domingos e feriados. – Elizabeth respondeu de maneira um pouco automática enquanto terminava de fazer os cortes simétricos, sua concentração toda estava ali. – Pronto! Agora você só precisar colocar em um recipiente com água e quanto a suculenta, só rega quando a terra estiver seca e deixa o maior tempo possível no sol...
VOCÊ ESTÁ LENDO
Liability [REESCRITA]
RomanceEm uma noite agitada de primavera numa cidade distópica, a vida de duas pessoas completamente diferentes se entrelaçam com o destino. Uma empresária em ascenção e uma garota de programa, veem naquele encontro de circunstâncias duvidosas uma oportu...
![Liability [REESCRITA]](https://img.wattpad.com/cover/227259414-64-k745053.jpg)