Capítulo L - Pijama de abacaxi

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Assim que o dia amanheceu, o sol começou a invadir o quarto, acordando a grisalha que dormia tranquilamente nos lençóis brancos e lisos.

O conforto daquela cama era completamente diferente da sua, e ao se dar conta de que não estava no seu habitual quarto, Kate se levantou com pressa percebendo que havia mais alguém a acompanhando.

Sua cabeça latejava de dor. Seu medo de ter feito uma besteira era enorme, e saber que não fazia ideia de onde estava era ainda pior. A última lembrança que a mulher tinha, era de ter bebido algumas doses na balada.

Com cuidado, a grisalha pegou suas roupas, começando a vestir numa agilidade imensa enquanto observava o local. O espelho no teto e a hidromassagem dentro do quarto deixavam bem claro que aquilo era um motel.

Kate, se apressou a sair dos aposentos deixando para trás apenas a calcinha de renda que estava rasgada no meio e jogada pela cama. Ela nem se atrevia a olhar para trás com medo do acompanhante da noite passada a alcançar ou a reconhecer.

Por sorte, mesmo sendo um sábado de manhã ela conseguiu um táxi, indo direto para a casinha no subúrbio enquanto tentava melhorar a sua dor de cabeça da ressaca maldita. Seu pressentimento sobre aquela noite não havia falhado.

Foi um alívio finalmente estar de volta, assim que fechou a porta da sala a empresária se encostou contra a mesma respirando profundamente, mas um cheiro horrível de queimado invadiu as suas narinas fazendo com que ela franzisse o cenho.

Ao chegar na cozinha, não foi surpresa alguma encontrar o jogador de pôquer desesperado tentando se livrar da nuvem de fumaça que havia se formado por conta da receita que ele não conseguiu executar muito bem.

— Por que é tão difícil? – Allan parecia mais triste do que bravo por ter falhado mais uma vez em tentar agradar a namorada pela manhã e ele sabia que precisaria fazer algo para animá-la.

O mais velho só notou que estava sendo observado quando a grisalha parada no batente da porta forçou uma tosse chamando a sua atenção. No mesmo momento ele deixou a frigideira cair na lixeira junto das pedras de carvão que um dia foram ovos.

— Kate, eu preciso de ajuda! Por acaso você viu... – O moreno abaixou o tom de voz aos poucos até ficar em silêncio e franzir as sobrancelhas, no momento quem parecia precisar de ajuda era a empresária. – Você está bem? Parece que foi atropelada por um caminhão...

— Somos dois então, você não parece nada bem... – A voz rouca e desgastada pela de Kate confirmou sua péssima noite. – Desiste de fazer ovos, nunca dá certo, faça torrada que nem eu, só coloco na torradeira e deixo a máquina fazer.

Kate jogou sua bolsa de qualquer jeito sobre a mesa, e logo se desmontou na cadeira. Sua mente não estava nas melhores condições, e vendo como a mulher estava, Allan nem tentaria questionar o que havia acontecido.

— E a Elizabeth prefere chá natural, tem hortelã na horta dela, "melhor usar a folha do que esses chás industrializados", ela sempre me diz isso. – Kate sorriu brevemente, enquanto deitava sua cabeça contra a mesa de madeira. – O que você ia me perguntar mesmo?

Allan ficou tão abismado por não saber daquela informação que por alguns segundos esqueceu completamente o que estava fazendo. Refletiu suas escolhas olhando para os canteiros pela janela, mas voltou para a realidade quando a grisalha bateu as unhas contra a mesa tentando o apressar.

— O pijama de abacaxi! – Aquela informação solta não ajudou muito e a empresária continuou esperando por uma explicação plausível para todo aquele desespero. – Por acaso você viu o pijama da Elizabeth? Eu revirei aquele quarto inteiro e não consegui encontrar.

Liability [REESCRITA]Histórias para pegar e não largar. Descubra agora