Capítulo XLVIII - Pequeno pintassilgo

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Os dias na pequena casinha do subúrbio nunca começavam de forma tranquila e naquela manhã não havia sido diferente.

Elizabeth se levantou da cama assim que os raios de sol nasceram e embora o dono do cassino odiasse acordar sozinho ele jamais teria tanta motivação para acompanhar a garota tão cedo.

Como ainda não havia se recuperado da noite anterior, o jogador de pôquer fechou os olhos lentamente até que conseguisse voltar a dormir, mas despertou depois de alguns minutos com a loira gritando o seu nome no andar debaixo.

Allan se levantou com tanta pressa que precisou se apoiar nas paredes do corredor para não cair e desceu as escadas com uma terrível dor de cabeca, mas não parou em momento algum. Seu coração estava acelerado só de imaginar o que poderia ter acontecido com a sua garota.

Ao abrir a porta da frente, o homem pode observar a cena; Elizabeth estava ajoelhada no chão enquanto tentava de maneira desesperada ajudar um passarinho que agonizava de dor. Suas penas haviam sido arrancadas em grandes proporções e o pequeno corpo estava completamente mutilado.

— O que eu faço? – Elizabeth perguntou com os olhos marejados por lágrimas, suas intenções eram nobre, mas qualquer tentativa de cuidado apenas iria prolongar o sofrimento do pobre animal.

— Calma, eu... Lizzie, deixa que eu cuido disso. – Allan parecia atordoado, tentando raciocinar o que estava acontecendo naquele momento. Tentando assumir o controle, ele se abaixou, segurando o passarinho entre as mãos calejadas. – Entra em casa e pega um copo com água, respira fundo, está bem?!

Depois da orientação, o dono do cassino esperou pacientemente até que a garota estivesse fora do alcance de sua visão. Sabendo que o animal não teria chance de sobreviver, o moreno segurou no pequeno pescoço, o apertando para trás, terminando de o quebrar.

Utilizando um pedaço de tecido que estava jogado no canto da varanda, Allan cobriu o corpo da ave como um gesto de respeito. O ritual levou tempo o suficiente para que a garota voltasse carregando um copo de água e um olhar perdido.

— Sinto muito, ele não conseguiu sobreviver... – Allan comentou baixo, vendo como as mãos da garota tremiam. – Ele se machucou muito, mas está em um lugar melhor agora.

Elizabeth soltou um suspiro pesado e abaixou o olhar encarando os próprios pés. Era apenas um passarinho, mas ainda assim ela sentia empatia pelo sua morte. Para tentar se acalmar a garota bebeu um pouco da água, mas o gosto enferrujado, a faz desistir.

— Não tinha jeito mesmo? – Allan negou com a cabeça algumas vezes, mas mesmo com essa resposta a florista ainda parecia se culpar. – Você me ajuda a enterrar? Eu vou pegar a pá.

Os dois concordaram com a ideia e seguiram juntos para os fundos da casa onde a loira fez uma cova rasa para que o animalzinho pudesse descansar. Depois da pequena cerimônia o casal voltou para dentro parando na cozinha onde a garota lavou as mãos com certa urgência.

— Sinto muito pelo o que aconteceu, crianças podem fazer coisas cruéis as vezes...mas o importante é que você tentou, Lizzie. – Allan se aproximou, colocando sua mão sobre o ombro da loira. – As vezes penso que você é boa demais para esse mundo.

Com delicadeza, o moreno beijou o ombro da garota, tentando trazer um pouco de tranquilidade para a mesma, que mesmo concordando com a cabeça, parecia completamente abatida.

— Se você quiser eu te compro um passarinho. – O mais velho sorriu, tentando achar uma forma de concertar aquilo, mesmo sabendo que nem tudo poderia ser comprado com o dinheiro.

Elizabeth se virou no mesmo instante para poder abraçar seu noivo e dessa forma pediu um pouco de carinho. Parecia existir uma verdade oculta a respeito da cena sangrenta na varanda, mas Allan se sentiu incapaz de insistir na história.

Liability [REESCRITA]Histórias para pegar e não largar. Descubra agora