Capítulo XLII - O delegado e a escrivã

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Quando a manhã chegou, tudo parecia normal, a ida até o aeroporto foi tranquila assim como todo o voo, mas tudo mudou quando chegaram na cidade cinzenta do Canadá.

Elizabeth percebeu um certo incômodo em seu namorado, que com a desculpa de precisar ir até sua casa, iria tomar um táxi separado das suas amigas, apesar da desconfiança, a florista não questionou, apenas abraçando o moreno antes de partir.

Os dias daquela curta viagem de verão foram lentamente ficando para trás fazendo com que todos os quatro amigos voltassem para suas antigas rotinas, mas a mais nova em específico não parecia nem um pouco feliz com isso.

Depois do ocorrido, Elizabeth, começou a passar grande parte do seu tempo livre completamente sozinha em casa e por mais que gostasse da sua própria companhia era um pouco solitário. Ela tentou resolver isso, mas Kate estava sempre ocupado com o trabalho e Allan conseguia sempre dar uma nova desculpa.

Na tentativa de lidar com seus problemas da mesma forma que os mais velhos, Elizabeth se inscreveu para participar das atividades de um clube depois das aulas e aumentou as horas do seu turno na floricultura, fazendo com que dessa forma estivesse cansada demais no final do dia para ficar triste.

Mais uma manhã havia começado, mas dessa vez algo havia saído da rotina. Por ter esquecido de colocar pilhas novas em seu despertador, Kate acordou mais atrasada do que o normal, e se enfiou em suas roupas para ir até o cassino. Já sabendo que passaria o resto do dia com Connor em seu encalço reclamando sobre isso, já que ele parecia caçar motivos para reclamar da grisalha.

Ela mal adentrou o lugar, e já ouviu a voz rouca a chamar como já era de costume, no fim das contas Connor sempre a tirava do que estava fazendo e a colocava pra fazer alguma banalidade que ele pedisse. Sem muita vontade a mulher subiu até o escritório, fechando a porta atrás de si um pouco sonolenta.

— O que você quer hoje? – O tom sempre rude da mais nova voltou a aparecer, mas ao contrário de ter sua grosseria rebatida, Connor sorriu de forma estranha.

Percebendo a confusão estampada no rosto de Kate, o tatuado fechou a cara e cruzou os braços se encostando completamente em sua poltrona como se julgasse silenciosamente aquela situação.

— Você não se esqueceu, não é? Hoje é o último dia do prazo. – A maneira como Connor falava fazia parecer que os dois estavam tratando de assuntos muito mais importantes do que apenas um conto erótico, mas ele manteve a mesma postura até o final.

Segurando a ponte do nariz com as pontas dos dedos, a grisalha respirou fundo, não acreditando sobre aquela conversa, aquela altura da história ela imaginava que o magnata havia se esquecido.

— Connor, sinceramente, temos coisas mais importantes, a temporada de turistas vem aí e eu estou montando um projeto para um evento, se você por favor levar isso a sério... – Kate iria continuar listando suas ocupações, mas o homem à sua frente negou com a cabeça, agora apontando para a cadeira do outro lado da mesa. – Bem, eu não escrevi nada, o que você quer que eu faça?

— Quero que comece a escrever agora. – Connor respondeu como se fosse óbvio, mas ainda assim não estava sendo levado a sério e isso o irritou profundamente. – Você não vai sair da minha sala até terminar o conto, então pode esquecer os seu projeto para o evento.

Enquanto falava o tatuado se levantou e caminhou sem pressa alguma em direção de Kate, mas antes que pudesse fazer qualquer coisa desviou o caminho indo até a porta e a trancando. Com um sorriso convencido nos lábios ele guardou a chave no bolso interno do blazer e olhou de volta como se estivesse desafiando a garota mais nova.

— Para a sua sorte vou ficar aqui o tempo todo, entendo que você precise de um pouco de inspiração. – O engravatado então voltou para a sua poltrona onde se sentou esticando as costas.

Liability [REESCRITA]Histórias para pegar e não largar. Descubra agora