Capítulo I - Um brinde à vida

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Quando acordou Elizabeth perdeu vários dos seus minutos encarando o teto desbotado do seu quarto, ainda haviam algumas dúzias de estrelas fluorescentes adesivadas ali, mas a maioria já havia desaparecido com o tempo. Sua vontade era de continuar ali, onde poderia facilmente se proteger do mundo com seu cobertor, mas como em todos os outros dias ela se levantou, mesmo sabendo que teria que enfrentar todos aqueles monstros de novo.

A garota diminuiu ainda mais os seus passos quando passou pela sala, Kate ainda dormia ali e acordá-la não era uma opção, já que seu sono parecia extremamente leve. Effy seguiu suas rotinas como em todas as manhãs, depois de fazer o café se sentou na mesa segurando sua caneca preferida e despejou a bebida quente até a marcação para completar o restante com Whisky.

Estava tão perdida em pensamentos que se quer percebeu a mulher morena com o rosto amassado das almofadas parada na porta da cozinha.

— Garota, você vai acabar desenvolvendo uma cirrose assim, ou pior, vai ficar com a pele horrível. – Kate coçava os olhos como uma criança que havia acabado de acordar, mas ainda tinha a voz firme. – Podemos conversar? Tenho uma proposta para você.

Com um sorriso fraco, Elizabeth ofereceu uma cadeira para a mulher se sentar, e ela o fez sem muita cerimônia enquanto encarava a loira com seriedade.

— Bom dia para você também, Kate. – Elizabeth parecia calma até demais levando em conta os acontecimentos da noite anterior, aquela era a sua própria maneira de lidar com tudo. – Sou toda ouvidos...

— Devido a toda confusão da noite passada eu notei que a sua situação está difícil, assim como a minha em outros quesitos, então eu proponho uma parceria. – Os olhos escuros da mulher mais velha pareceu correr rapidamente pelos cantos da cozinha, ela ainda parecia um animal arisco. – Você disse que havia um quarto vago aqui, então eu poderia ocupá-lo e cobrir as despesas da casa, em troca você não vai contar a ninguém sobre mim, nem que eu estou morando aqui.

Kate estendeu a mão, como quem pergunta se o contrato está selado. Elizabeth sabia que aquela proposta parecia boa demais para ser verdade, oportunidades como essa não caiam na sua vida de graça, mas ela já não tinha mais nada a perder e sem hesitar apertou a mão da mulher a sua frente, firmando o acordo.

— O que aconteceu de tão ruim para você precisar se esconder? – Elizabeth tinha um caso gravíssimo de curiosidade e isso parecia dificultar um pouco a relação estreita que as duas tinham.

— Outra condição, nada de falar sobre minha vida pessoal ou profissional, manteremos isso como um contrato. – O nariz empinado da mulher fazia tudo ficar ainda mais suspeito, mas Elizabeth preferiu nem mesmo questionar. – Preciso resolver algumas coisas para me instalar aqui hoje. Conversaremos mais tarde.

Antes que pudesse obter uma resposta, Kate saiu daquele cômodo de supetão enquanto pegava a bolsa jogada sobre o sofá e saía pela porta da frente usando as pantufas cor de rosa que havia pego emprestado pela manhã.

Um milhão de teorias se passavam pela cabeça de Elizabeth que tentava de alguma forma descobrir o que a empresaria poderia ter feito para acabar daquela maneira, mas o mais importante agora deveria ser retribuir a ajuda que ela havia lhe oferecido na noite anterior.

— Certo, então é assim que vai ser... – Elizabeth respondeu mesmo sabendo que estava completamente sozinha e quando percebeu o que estava fazendo soltou uma risada baixa, finalmente terminou de tomar seu café e por fim o gosto amargo da bebida misturada fez com que ela fizesse uma careta.

Correndo contra o tempo a garota loira subiu as escadas novamente para ao menos vestir uma roupa apresentável para chegar até o seu inferno particular. Elizabeth nunca havia sido um exemplo de aluna, seu descaso chegou ao ponto de repetir de ano e a ideia de simplesmente abandonar a escola já havia lhe calhado algumas vezes, mas não o fez e o seu motivo era o mais fútil possível: um homem.

Liability [REESCRITA]Histórias para pegar e não largar. Descubra agora