Assim como todos os dias, o sol se ergueu no horizonte.
A luz que invadia a sala incomodou profundamente Kate que dormia sobre o peito de seu secretário, e assim que percebeu o que estava fazendo se apressou a sair dali.
Como era de costume, a morena andou sem vontade alguma até a cozinha, usando um moletom cinza e uma regata preta, aquele praticamente era seu uniforme de ficar em casa. Em seu celular a música "Sex money feelings die" soava baixinho, era uma das preferidas de Kate, e assim ela começou a fazer café, a única coisa que sabia.
— Whip? – A voz embargada de Marcel acabou tirando a empresária de seus pensamentos.
O rosto do ruivo estava vermelho e com as marcas da almofada, enquanto ele coçava seus olhos como se fosse uma criança.
— Fiz o café! – A morena sorriu abertamente, mas assim que se virou para trás ouviu um barulho alto de madeira estalando.
Como se tudo estivesse em câmera lenta, Kate viu três homens vestidos com roupas casuais invadirem sua cozinha e derrubarem seu secretário no chão, o esmurrando como se não fosse nada além de carne.
As pernas da morena bambearam e assim ela veio ao chão, gritando repetidas vezes para que aquilo parasse, mas mesmo já sem voz eles não pararam de surrar o ruivo.
— Eu faço o que quiserem! – Praticamente gritou na tentativa de amenizar aquela briga, e inesperadamente os homens se afastaram.
De certa forma o homem que comandava o bando parecia sorrir por debaixo da máscara, e com os dedos sinalizou para que seus comparsas dessem um jeito em Marcel que já estava quase inconsciente. Dessa forma, o homem alto e a morena com um olhar desesperado ficaram a sós.
— O que você quer, Chuck? – O tom da empresária saiu ríspido, e o homem soltou uma risada rouca. Eles já se conheciam por ele ser um dos empregados do seu pai.
— Calma, gatinha, se você colaborar ninguém sai machucado. – Com calma, ele se aproximou do corpo mirrado de Kate, e como se fossem amigos de longa data ele acariciou os fios negros e bagunçados. – Quero apenas que largue a empresa e volte para a sua casa de verdade, seu pai já está sentindo sua falta.
— E se eu não voltar? – Kate falou num tom sério, ela duvidava que aqueles três fariam algo em plena luz do dia.
— Eu estou aqui apenas para dar o recado, gatinha. Aliás, seu pai nos deu permissão para quebrar esse lindo pescocinho se não colaborar. – As mãos que antes faziam um leve carinho em seus cabelos desceu até a altura de sua garganta, mas ele não se atreveu a apertar.
— Entao quebre. – Kate sorriu de forma desafiadora, que não durou muito tempo.
Seu corpo foi arremessado para trás, fazendo suas costas baterem com força contra o piso gelado. Um barulho ensurdecedor de tiro foi ouvido, e logo uma ardência foi sentida pela morena em sua perna.
O homem havia atirado duas vezes, acertando de raspão a perna de Kate e outra acertando o piso velho perto da cabeça da mulher. Chuck parou alguns passos daquela cena, e um sorriso perverso se abriu em seus lábios, como se algo na imagem de Kate caída o divertisse.
— Antes nós poderíamos conversar um pouco no quarto. – Aquele olhar sádico do homem em sua frente fez Kate arrepiar de medo até a nuca, mas não demonstrou em momento algum. – Vamos, não seria a primeira vez que foderia para sobreviver, não é? Mas você é quem escolhe, se prefere apenas foder ou perder sua vida aqui e agora, de brinde ainda levamos o cachorro ruivo.
A resposta da mulher demorou, e sem mais delongas Chuck se levantou mirando sua arma em direção ao ruivo que estava sendo arrastado para o banheiro.
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Liability [REESCRITA]
RomansaEm uma noite agitada de primavera numa cidade distópica, a vida de duas pessoas completamente diferentes se entrelaçam com o destino. Uma empresária em ascenção e uma garota de programa, veem naquele encontro de circunstâncias duvidosas uma oportu...
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