Capítulo XVIII - As cinzas

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Aquela definitivamente não era a primeira vez que Marcel passava a noite cochilando em uma cadeira nada confortável, depois de tantos anos trabalhando para Kate acabou se acostumando a se adaptar rápido.

Logo pela manhã o ruivo se levantou com o único objetivo de ir comprar um café na máquina automática, mas assim que passou em frente ao quarto da empresária notou uma movimentação suspeita seguida por alguns resmungos. Assim que ele abriu a porta deu de cara com a cena de Kate tentando se livrar do soro que estava tomando.

— Senhorita Whip. – Marcel falou de maneira respeitosa, mas como não conseguiu sua atenção se aproximou em alguns passos arrastados. – O que está fazendo? O médico disse que você precisa descansar!

— Eu já descansei, descansei até demais! Anda, Marcel, me ajuda a me livrar dessas coisas. – O ruivo já conhecia aquele olhar determinado de Kate, mas parecia haver algo mais do que apenas uma motivação. – Preciso ver o que aconteceu com aquele bastardo!

Assim que a grisalha puxou o acesso de seu braço o sangue começou a escorrer por ter tido seu fluxo de soro interrompido de maneira bruta, no mesmo momento, Kate pegou os algodões sobre a mesinha de auxílio para impedir o sangramento de manchar tudo por ali.

— Eu apenas quero ver que ele foi preso com sucesso, apenas isso. – Assim que a empresária tentou se levantar acabou soltando um grito de dor, ela não imaginava que sua perna estaria em tão mal estado, apesar de não estar engessada estava cheia de marcas, assim como em seu rosto onde haviam vários cortes e manchas roxas.

Marcel era naturalmente bruto em seus toques, mas naquele momento tentou ser o mais sutil possível para que não machucasse ainda mais a empresária que já estava coberta de hematomas. Kate pareceu recuar em um primeiro momento, mas o ruivo conseguia a acalmar de uma maneira que ninguém mais poderia.

— Você ainda não está boa, não vai conseguir fazer nada lá fora dessa maneira, precisa se recuperar primeiro. – A voz calma do ruivo fez a empresária cerrar os pulsos de irritação por estar sendo contrariada, mas ela não conseguia explodir com ele. – Agora sim, pode usar o meu celular, ainda estão falando sobre o ocorrido em todos os sites e noticiários.

Marcel tirou do bolso interno do seu blazer o aparelho e Kate praticamente o arrancou de suas mãos para que pudesse ver o quanto havia mobilizado a cidade.

— Ele foi pego em flagrante, com provas audiovisuais e testemunhas, isso significa que conseguimos, nós conseguimos! – Kate ergueu seus braços como comemoração e por alguns segundos pensou em abraçar o ruivo, mas se acanhou voltando ao seu lugar na cama. – Eu não acredito nisso, "Nathan Evans, o magnata inglês foi preso em flagrante nesta tarde de domingo após agredir fisicamente sua noiva, Kate Whip.", Marcel, isso significa que além de acabar com a imagem dele na mídia ele ainda está na cadeia!

O sorriso da empresária era genuíno, mesmo que ainda doesse para fazer qualquer tipo de movimentação sua felicidade era maior que toda aquela dor que estava sentindo. Marcel sentia que também deveria comemorar, mas não conseguia, ele se sentia culpado por não ter feito nada para impedir que Kate chegasse naquele estado.

— Você não deveria ter ido tão longe, foi irresponsável e inconsequente, mas tenho que admitir que foi muito corajosa... – Um pouco sem graça o ruivo coçou a sua nuca desviando o olhar, sabia que tinha o direito de começar um sermão, mas a sua preocupação com a garota era maior do que qualquer satisfação de ver seu inimigo preso.

— Ele deixou bem claro que no fim seria ele ou eu, então apenas fiz o que tinha de ser feito. – A voz sempre tão mandona de Kate parecia um pouco envergonhada por estar sendo elogiada daquela forma, e assim que percebeu o quão perto o ruivo estava tentou se desvencilhar um pouco, mas as cobertas da cama apenas serviram para se embolarem ainda mais em si, a deixando com os pés enroscados. – Droga, eu não tenho um momento de paz!

Liability [REESCRITA]Histórias para pegar e não largar. Descubra agora