Capítulo XXIV - Liberdade provisória

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Assim que os primeiros raios de sol se levantaram no horizonte, os prédios mais altos do Canadá foram iluminados por aquele calor, a primavera era sempre bem vinda no grande norte branco.

Em sua sala de escritório, Kate estava dormindo sobre a papelada de sua empresa, como sua noite havia sido agitada pelo tanto de trabalho que acumulou, ela precisou trabalhar mais do que o necessário. Algumas batidinhas foram dadas na porta, mas a grisalha ainda estava desacordada sobre o móvel de mármore, e sem ter uma resposta, Marcel abriu a porta de vidro fosco.

— Senhorita Whip, nunca achei que fosse te ver dormindo no trabalho, mas nunca diga nunca! – A voz animada de Marcel acordou a empresária no mesmo momento, que levantou o rosto cheio de post its e fitas que havia na mesa.

— Eu dormi? Droga! Preciso resolver a parceria com a Voloir francesa e eu tenho uma reunião hoje... – A voz sonolenta de Kate entregava que ela ainda estava dormindo acordada.

— Whip, hoje é sábado. – Marcel comentou enquanto colocava um copo térmico com café em frente a grisalha. – E como é sábado você se lembra que ontem foi meu último dia na empresa...não lembra?

O olhar desconfiado do ruivo era fácil de perceber, e Kate nem mesmo tentou remediar que havia esquecido dos documentos de demissão do ruivo.

— Sim, claro, eu resolvo mais tarde. – O olhar vazio da mulher encarava a janela, observando a manhã tranquila da cidade, e em comparação com sua noite anterior, aquilo estava sendo um alívio.

Assim que conseguiu acordar, Kate se levantou de sua cadeira, batendo em seu paletó para tirar os amassos do tecido e antes que pudesse sair, o telefone tocou.

— Escritório da senhorita Whip. – A voz monótona de Kate fazia qualquer um desistir daquela ligação, menos uma pessoa.

— Princesa? Acordada a essa hora num final de semana? – A voz áspera de Leon soou pelo telefone, fazendo a grisalha se arrepiar por completo, e por reflexo ela apenas desligou o telefone.

— Quem era a essa hora? – Marcel perguntou, mas o olhar que recebeu era um bem conhecido, que dizia "não é de seu interesse", e assim, o casal deixou a empresa.

O estacionamento estava completamente vazio com exceção do carro de Marcel que como de costume estava perfeitamente estacionado. Os dois já haviam passado por a mesma situação diversas vezes, mas agora não poderiam usar o contrato como justificativa.

— Devo te levar para casa? – Marcel perguntou logo após ligar o motor e fazer o percurso até a saída, no entanto Kate parecia estar perdida em todos os seus pensamentos.

— Eu...não sei. – A mulher abraçou o próprio corpo, sentindo a brisa fria entrar pela janela do carro. – Eu definitivamente não sei o que fazer agora.

O olhar negro sempre tão impiedoso estava vago, encarando a janela sem visão alguma, e depois de alguns segundos a empresária juntou força o suficiente para continuar.

— Já teve essa sensação de que tem algo a mais? Digo, acabou, o Evans está preso, mas eu sinto que tem algo de errado nisso tudo, como se não fosse o fim. – Kate o encarou brevemente, e logo voltou seu rosto para a janela. – Eu só devo estar paranóica

Marcel parecia extremamente incomodado em responder aquela pergunta, seria do senso comum ser positivo em momentos como esse, mas ele não tinha a sensibilidade necessária para conseguir mentir.

— Evans tem dinheiro, pessoas como ele nunca ficam presas por muito tempo, enquanto as mídias estiverem interessadas no caso ele não vai agir, mas... – Antes que completasse a frase o ruivo se repreendeu voltando a encarar a direção. – Eu vou estar aqui dessa vez, não tente me afastar.

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