Na floricultura do centro da cidade, um medo assolava a loira que andava de um lado para o outro atrás do balcão. Suas unhas estavam curtas de tanto que havia roído, e assim que Allan passou pela porta a garota pôde relaxar.
— Está tudo bem? Onde está a caixa? Eu vou jogar fora pra você. – A preocupação do mais velho parecia mais um desespero, já que ele falava com pressa enquanto encarava cada canto da floricultura.
Allan já estava habituado a situações onde quem gostava poderia ser colocados em risco, mas a ameaça era muito maior sem ele ter uma pista sequer do que estava acontecendo, ou de quem estava importunando a pessoa que amava.
— Preciso saber quem foi que te enviou isso, tem certeza que você não tem nenhum amigo ou alguém que queira seu mal? Qualquer pessoa que possa ter um rancor de você já pode servir como suspeito.
Enquanto falava calmamente, Allan tentou segurar o ombro da loira, mas a mesma se afastou bruscamente com um olhar de medo.
— Me desculpa! – Elizabeth tentou corrigir a sua atitude, mas estava assustada demais para conseguir ter qualquer tipo de aproximação no momento. – Não sei! Eu não sou de começar brigas, não consigo pensar em ninguém que possa querer me perturbar!
Respirando fundo a garota fechou os olhos, seu coração estava tão acelerado que estava começando a doer e ela não conseguia controlar sua inquietação. Ela apontou para uma caixa tombada ao lado do balcão e o mais velho se apressou para conferir do que se tratava.
— Está mesmo acontecendo alguma coisa, não é? Não pode ser coincidência, meus pertences estão sumindo, coisas estranhas começaram a aparecer no meu quintal, a bebida... – Sem força alguma a loira voltou a se sentar cruzando os braços no balcão para que pudesse encostar a cabeça. – Eu não sei mais o que fazer.
— Eu não sei, mas já mandei algumas pessoas investigarem isso, não é certo ficarem atrás de você dessa maneira. Eu vou dar um jeito, prometo! – A angústia era facilmente notada na voz do moreno, e mesmo estando calmo com a situação, sentia toda a culpa cair em seus ombros. – Vou me livrar disso.
Segurando a tampa da caixa, Allan pôde notar que dentro haviam diversas mariposas espetadas com alfinetes, pareciam perfeitamente empaladas, coisa que somente uma pessoa com experiência saberia como fazer. A asa de uma borboleta é frágil ao toque, a química de um corpo humano poderia a desintegrar facilmente.
Engolindo em seco, Allan se levantou com a caixa fechada agora, evitando que a loira a olhasse. O jogador saiu pela porta indo direto até seu carro, onde colocou a caixa e trancou o veículo.
Ao voltar para a floricultura, ele tentou dizer algo, mas parecia que nada do que dissesse seria de utilidade. Elizabeth estava em estado de choque por conta da fobia, suas mãos ainda tremiam e carregavam diversas marcas vermelhas pela pele por conta da ansiedade.
— Eu vou ficar aqui hoje, e se quiser posso vir durante a semana também. Não é bom você ficar sozinha em casa, então é melhor que venha para o evento no cassino. – O homem comentou, enquanto encarava as plantinhas nas prateleiras.
Elizabeth concordou com a cabeça de forma silenciosa enquanto passava o dedo pelo balcão como se estivesse tentando se distrair, ao menos agora ela não estava mais sozinha. Com um olhar desconfiado a loira se virou para o seu noivo que estava questionando se podia borrifar a mistura nas suculentas, mas sua voz estava abafada e ela quase não conseguiu ouvir por conta da distração.
— O que? Claro, eu ia fazer isso agora! – A garota voltou a arrumar a sua postura com um sorriso sem graça e se levantou amarrando o cabelo em um rabo baixo. – Obrigada por sempre me ajudar.
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Liability [REESCRITA]
RomanceEm uma noite agitada de primavera numa cidade distópica, a vida de duas pessoas completamente diferentes se entrelaçam com o destino. Uma empresária em ascenção e uma garota de programa, veem naquele encontro de circunstâncias duvidosas uma oportu...
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