Capítulo 9: O Rumor e a Ruptura do Silêncio

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O escândalo da expulsão de Draco Malfoy dominou Hogwarts. Em meio aos cochichos nos corredores, Angeline e Samantha eram o centro silencioso da atenção. A fúria inicial dos Sonserinos contra o professor Snape (por expulsar um Malfoy) foi rapidamente abafada pela revelação das outras vítimas de Draco.

No entanto, a estranha aliança entre a aluna da Grifinória, agora com a visão restaurada, e o Mestre de Poções era o novo rumor que fervilhava no Salão Principal.

Em uma manhã, durante o café, Angeline sentiu a tensão. Ela estava sentada ao lado de sua irmã, comunicando-se através de escrita, quando ouviu uma risada debochada vinda da mesa da Sonserina.

"Olhem só para a traidora de sangue," sussurrou uma Sonserina de sexto ano, Pansy Parkinson, alto o suficiente para ser ouvida, mas baixo o suficiente para evitar a detenção. "Salvou o Weasley e agora está de coleira com o Abutre das Masmorras. Pelo menos agora ela pode ver o quão patética ela é."

Apesar da dor do insulto, Angeline pegou a pena para escrever uma resposta calma e lógica, como Snape a havia treinado.

Mas a fúria a atingiu antes. Não a fúria de ser insultada, mas a fúria por Snape. Desde a noite do resgate, ele havia se tornado seu protetor, seu único ouvinte.

Angeline sentiu o nó em sua garganta se apertar. Ela jogou a pena no prato, o barulho cortando o murmúrio da mesa da Grifinória. Ela tentou falar. Tentou gritar o nome de Pansy.

O ar raspou em sua garganta. Ela forçou, com o rosto vermelho, os olhos azuis arregalados de esforço. O único som que saiu foi um grunhido longo, doloroso e ininteligível.

Ela falhou.

As mesas pararam de comer. Os alunos olharam para ela com uma mistura de pena e horror. Angeline, humilhada, pegou sua pena trêmula e escreveu uma única palavra no pergaminho: "Desculpe."

Samantha colocou a mão no braço da irmã. "Não se desculpe. Ela não vale a pena."

Angeline não conseguia se acalmar. A falha física havia quebrado sua confiança emocional.

A Fissura na Muralha

Naquela noite, na sessão de Legilimência, o escritório de Snape estava silencioso, exceto pelo gotejar das poções no fundo. Angeline sentou-se, mas não olhou para ele. Sua mente era uma confusão de autocrítica e raiva.

Snape não precisou forçar a entrada; a mente dela estava aberta em sua angústia.

"Você não deveria ter tentado forçar. A voz é um músculo emocional, Angeline, não um feitiço," Snape pensou.

"Eu não consegui, Professor. Eu não consigo me defender. Eu não consigo falar! Eu sou uma fraude! A poção não funciona! Eu vou ser assim para sempre!" Angeline gritou mentalmente, seu desespero inundando o pensamento de Snape.

"Silêncio!" A ordem de Snape em sua mente era autoritária. "A poção funciona. O dano físico foi reparado. O problema é a sua muralha mental. Você ainda a vê como a sua arma."

Ele continuou, sua voz mental mais dura do que o habitual. "Quando você tentou falar, não foi para se defender, foi para se revelar. E a muralha não permite isso. Pense, Angeline: O que a sua voz representa para você?"

Angeline pensou, sua mente relutando. "Representa a responsabilidade. Representa a verdade sobre Draco. Representa a ameaça de ser uma Malfoy que não é das Trevas. Se eu falo, eu existo. E se eu existo, eu sou um alvo."

"Exato," Snape confirmou. "Enquanto você associar a voz ao perigo e à responsabilidade de ser uma Malfoy, sua mente a manterá presa para 'protegê-la'. Você não está quebrada, Angeline. Você está se autodefendendo. O único jeito de derrubar a muralha é aprender a ver a voz não como uma ameaça, mas como a cura."

Snape sentiu a tensão de sua aluna. Ele enviou um pensamento final, mais suave, mas com peso de uma ordem: "A partir de amanhã, você não escreverá mais comigo. Você tentará vocalizar uma única palavra no final de cada sessão. Apenas uma. E eu serei o único a ouvi-la."

A aliança se aprofundou. Snape estava exigindo mais do que confiança; ele estava exigindo o risco da vulnerabilidade total.

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