Capítulo 16: O Peso do Código

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O beijo durou apenas um instante. Não houve doçura, apenas a urgência de uma alma desesperada quebrando anos de repressão. Mas, assim que seus lábios se separaram, o horror atingiu Severus Snape.

Ele a soltou bruscamente, dando um passo para trás como se tivesse sido atingido por uma Maldição Imperdoável. Sua expressão, antes reveladora, foi substituída por um choque gélido. Ele não olhou para Angeline, nem para o retrato da Dama Gorda; ele olhou para o chão, como se as pedras pudessem absorver seu pecado.

Sem dizer uma única palavra, e sem ousar lançar um pensamento, Snape virou-se e fugiu. Sua capa esvoaçou pelos corredores silenciosos com a velocidade de alguém perseguido por mil demônios, deixando Angeline sozinha, com o rosto ardendo sob a luz da tocha.

Angeline levou os dedos aos lábios. O choque inicial deu lugar a uma onda de euforia e, em seguida, a um medo paralisante. Ela havia provado que a conexão era mútua, que a atração dele era real. Mas o pânico na fuga dele era o terror de quem sabe que cometeu um erro irreparável.

A Agonia nas Masmorras

Snape não parou até chegar ao seu laboratório nas masmorras, a sala mais escura e fria de Hogwarts. Ele se atirou na cadeira, ofegante.

"Eu a beijei. Eu beijei minha aluna. Eu beijei a garota que jurei proteger," o pensamento era um grito silencioso de autodesprezo.

O código de Severus Snape, construído em décadas de dissimulação, dever e repressão, havia sido estilhaçado por um único ato impulsivo. Ele não era apenas um professor; ele era um espião que jurou lealdade e discrição a Dumbledore. Ele havia prometido a si mesmo que jamais repetiria a tragédia de seu amor perdido.

Ele viu o rosto de Angeline—a pele de porcelana, os olhos azuis inocentes—e o contraste com a imagem de Lily era um golpe. Ele havia sucumbido ao desejo e à vulnerabilidade com sua aluna, uma traição monumental à confiança de Luciano Malfoy, de Dumbledore, e à sua própria honra.

Ele não se importava com a perda de seu cargo ou com Azkaban; ele se importava com a perda da credibilidade e da confiança de Angeline. Ele havia usado o silêncio dela para criar intimidade e, no primeiro momento de crise, ele a havia usado.

"Você é um verme, Severus. Um egoísta. Você a usou para sentir algo, e agora você a destruirá," ele se flagelava, as mãos tremendo.

Ele pegou um frasco de Poção da Paz e o atirou contra a parede. Ele não precisava de paz; precisava de penitência.

O Plano Desesperado

A única solução, na mente desesperada de Snape, era o sacrifício.

Ele pegou uma pena e um pergaminho, a mão firme pela primeira vez na noite. Não era uma carta, mas uma petição de demissão. Ele não podia mais permanecer em Hogwarts. Sua presença a colocaria em perigo, tanto profissional quanto emocionalmente.

Ele escreveria uma desculpa sobre "problemas de saúde" ou "necessidade de pesquisa". Ele iria embora, restauraria a distância, e Angeline eventualmente o esqueceria como um trauma superado.

Mas, ao escrever seu nome no final do pergaminho, ele pensou na voz rouca de Angeline dizendo "Severus." Ele pensou na inteligência dela e em como a mente dela o via como seu porto seguro.

A demissão seria um ato de honra profissional, mas seria uma traição emocional à única pessoa que o havia ouvido sem julgamento.

Ele não podia ir embora. Não ainda.

Snape amassou o pergaminho. Ele tinha que enfrentá-la, restaurar o código e a distância, custasse o que custasse. Ele tinha que matá-la profissionalmente antes que seu desejo a destruísse emocionalmente.

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