Capítulo 26: A Tortura do Silêncio

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A passagem secreta para as masmorras nunca pareceu tão longa para Angeline. O beijo havia confirmado a verdade, mas o Juramento Oclumente—o pacto de silêncio e fachada—era a punição imediata para essa verdade.

Ela entrou no escritório de Severus Snape à meia-noite. Ele estava de pé, ao lado de sua mesa, sob a luz fraca. Ele vestia vestes de dormir sob sua capa, uma imagem de vulnerabilidade que ele não tentava mais esconder dela, mas que o tornava mais perigoso.

A porta foi fechada com um feitiço Silêncio e um Tranca-Portas complexo.

"Você está atrasada. Dez segundos," Snape sibilou, a voz de volta ao tom frio e profissional. Ele não se moveu, não a olhou diretamente. Ele estava forçando o código, mesmo estando sozinhos.

Angeline sentiu a dor da rejeição pública ser substituída pela agonia da negação íntima.

"Eu estava verificando os corredores," ela respondeu, sua voz rouca.

"Não me dê desculpas. Não me dê pensamentos," ele ordenou, virando-se para o caldeirão.

Angeline percebeu a regra: ele não a estava punindo; ele estava ensaiando o código que ele teria que usar com Dumbledore, com Lucius, com o mundo.

Ele tirou um pergaminho da manga e o jogou sobre a mesa. "Você fará este ensaio sobre os riscos da Dissolução de Memória até o final da semana. É uma lição que você precisa aprender."

A lição era clara: se formos descobertos, teremos que apagar as memórias.

Angeline caminhou lentamente até ele. A pressão de sua presença era quase física, mas ele não olhou para cima.

"Severus," ela sussurrou, quebrando a regra do silêncio, a voz era um apelo.

Ele não respondeu, mas a ponta de seu dedo, que segurava a pena, tremeu.

"O juramento é sobre esconder o amor do mundo, mas não de nós, não é?" ela insistiu. "O código é uma mentira que usamos para sobreviver, mas aqui, nós temos que ter a verdade."

Snape largou a pena no tinteiro. O som foi alto no silêncio do escritório. Ele se virou, e o olhar que ele lhe deu era puro sofrimento e desejo.

"Você quer a verdade, Angeline? A verdade é que cada segundo que passamos aqui é um feitiço Cruciatus contra a minha missão," ele sussurrou, sua voz baixa e carregada. "Dumbledore sentiu o lapso. A guerra está aqui. Eu não sou um homem livre. E você está me consumindo."

O Risco da Intimidade

Ele a pegou, não com ternura, mas com a urgência desesperada de alguém que está se afogando. Ele a beijou, o toque era uma libertação de toda a repressão que o Juramento Oclumente exigia.

O beijo era violento, cheio da raiva da distância e do medo da descoberta. Ele a segurou firmemente, as mãos grandes e frias em seu rosto, sua boca exigindo a verdade que as palavras e os pensamentos não podiam ter.

Angeline sentiu a Oclumência dele falhar por um microssegundo, não por falta de controle, mas porque ele estava se permitindo sentir.

Quando o beijo terminou, Snape a empurrou suavemente contra a parede, prendendo-a com o peso de seu corpo e o olhar, mas sem tocá-la novamente. Ele estava arfando.

"Olhe para mim," ele ordenou, sua voz tensa. "Isto é o que o nosso Juramento Oclumente nos permite: um minuto de verdade, e então, de volta ao inferno. Você pode sobreviver a isso? Você pode me olhar todos os dias e ver apenas o Professor que a despreza, Angeline?"

Angeline olhou para ele, seus olhos cheios de lágrimas não derramadas. "Eu o amo. E eu sei que isso o está matando. Eu farei o que o senhor mandar."

Snape se afastou, recuperando a postura de repente. Ele estava pronto para enviá-la para fora, mas então ele viu o olhar de sacrifício no rosto dela.

Em um gesto final e desesperado, ele tirou um pequeno frasco, sem rótulo, de dentro de suas vestes. Não era uma poção. Era um elixir de cor âmbar que cintilava na luz.

"Tome uma gota disto se sentir que sua mente está se quebrando. É um estabilizador. E não me procure novamente até a próxima semana. Agora, vá!" ele ordenou, apontando para a porta.

Angeline pegou o frasco, a prova de que ele estava disposto a se arriscar por sua sanidade. Ela saiu pelo corredor secreto, a dor da separação e a promessa do amor proibido lutando em seu peito. A guerra de Severus havia começado, e Angeline era seu campo de batalha mais perigoso.

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