Dumbledore não entendeu quando o jovem Draco Malfoy adentrou a sua sala. O garoto se sentou em uma das poltronas e cruzou os braços, com um semblante desafiador, mas pálido.
Antes que Dumbledore pudesse falar algo, a porta se abriu violentamente, revelando um Severus Snape possesso. A porta se fechou violentamente da mesma forma, enquanto Snape se colocava em frente à mesa de seu mentor, dominado pelo maior ódio que podia sentir.
"Esse verme tentou estuprar a menina Finnigan," Snape disse, fechando os olhos. Ele lutava inutilmente para aniquilar aquela imagem de sua mente. "Esse verme prendeu ela e tentou violentá-la!" Ele estava lutando contra a vontade de esmurrar a cara do rapaz.
Dumbledore estava com o semblante assustado, pois sabia que a jovem não tinha condições nenhuma de pedir socorro.
"Você foi tão baixo e vil a ponto de tentar violar alguém que não tem como se defender. Como ousas?" falou Dumbledore, mais sério do que nunca. "Você sabe que tem idade para arcar com seus erros. Indo para Azkaban? Tentativa de estupro tem o mesmo tratamento que ter um lunático sanguinário querendo fazer limpeza de sangue no mundo bruxo," alertou o diretor enquanto se preparava para sair.
"Snape, eu sei que queres matá-lo, mas deixe-me chamar um Auror para levá-lo. É rápido," pediu Dumbledore rapidamente.
Não demorou muito. Dumbledore voltou para a escola com um Auror, que prontamente deteve e prendeu Draco Malfoy.
Dumbledore fez uma reunião emergencial com todos os alunos e professores para contar o ocorrido. No meio da escola, alunas das quatro Casas, do quinto e sexto ano, falaram para o diretor que também foram violentadas por Draco Malfoy. Com essa nova informação, o Auror ao lado de Dumbledore sabia que Draco estava bem encrencado com mais vítimas de estupro consumado.
O Início da Confiança
Com Draco Malfoy removido da escola, uma tensão diferente se instalou: a da responsabilidade de Severus Snape pela cura de Angeline. Ele passou o resto do dia e a noite no laboratório, mas no dia seguinte, ele foi para a Ala Hospitalar para iniciar a nova rotina.
Pomfrey havia sido instruída. Ela retirou-se discretamente, deixando Angeline sozinha, mas alertou Snape: "Ela está em pânico toda vez que ouve passos que não são os de Samantha. Seja gentil, Severus."
Snape se aproximou da cama. Angeline podia sentir a presença dele, o cheiro de Poções e lã escura. Ela se encolheu, o medo da noite anterior ainda fresco.
Snape não tentou falar em voz alta; ele forçou a entrada em sua mente com o mínimo de pressão.
"Angeline. Eu sou o Professor Snape. Você está segura. Draco Malfoy foi expulso de Hogwarts e está sob custódia legal. Ele não voltará," a voz mental de Snape era fria, mas carregada de uma promessa de aço.
Angeline, em sua mente, desabou em alívio. "Eu... eu agradeço. Professor. Eu não sabia o que fazer," ela pensou, a voz melodiosa, mas trêmula.
"Eu estou aqui para a sua cura. Você está cega por uma reação da poção. Não é permanente, mas é complexo. E eu também investigarei a sua mudez. Eu sou sua única forma de comunicação no momento," ele estabeleceu as regras.
"Obrigado por me salvar. De tudo," ela pensou, a sinceridade em seu pensamento era palpável.
Snape sentiu um desconforto estranho. Ele estava acostumado ao medo dos alunos, não à gratidão e à vulnerabilidade.
"Não agradeça, Senhorita Finnigan. É meu dever. Agora, precisamos de informações. O ataque de Malfoy na sala de aula não foi o primeiro, não é? O que ele estava fazendo? Você precisa me contar os segredos que o impediam de falar," Snape exigiu mentalmente.
Angeline hesitou. Mesmo dentro da segurança de sua mente, a ameaça era real.
"Ele me viu na biblioteca uma vez. Eu estava lendo um livro sobre Runas Antigas. Ele me ameaçou dizendo que se eu contasse para alguém sobre a poção, ele iria me fazer mais do que morder a minha língua. Ele faria eu me arrepender de ter nascido, me desonrando para sempre," o pensamento de Angeline era amargo.
A partir desse momento, a rotina foi estabelecida. Snape visitava a Ala Hospitalar duas vezes ao dia. Ele se comunicava exclusivamente através de Legilimência, estabelecendo a única ponte entre a mente brilhante e isolada de Angeline e o intelecto de Snape.
Snape descobriu rapidamente que Angeline era, de fato, a aluna mais brilhante da Grifinória, com uma inteligência que rivalizava com a de Hermione Granger e um humor sutil e cético que ele inesperadamente apreciava. Ele começou a ver a mudez não como uma deficiência, mas como uma prisão de gênio.
Ele não a via mais como "aluna regular". Ela era a Malfoy Grifinória, muda, cega e a única pessoa que o permitia entrar em sua mente, confiando-lhe a sua dor e os seus segredos. E ele não falharia em sua promessa de trazê-la de volta à luz e à voz.
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A cura
RomanceEm meio a uma aula de porções , um caldeirão explode afetando alguns alunos e em especial uma jovem ficou gravemente prejudicada com a tamanha explosão. Snape esqueceu-se da existência desta jovem , apenas por nome , agora a pessoa em si , nem tinha...
