O stress do ataque de Lucius Malfoy e a necessidade de manter a Oclumência perfeita cobravam um preço de Angeline. Ela não estava apenas exausta; ela começou a ter um efeito colateral da Poção Sem Sonhos reforçada, que agora estava combinada com o trauma.
Sua voz, embora perfeitamente curada, começou a falhar em momentos de alta pressão emocional, voltando a um sussurro rouco e incontrolável quando ela estava sob estresse. Sua saúde física estava em risco.
Snape notou a falha de imediato. Em uma tarde, durante a aula, Angeline tentou responder a uma pergunta de Feitiços e sua voz sumiu.
Snape teve que agir. Ele não podia permitir que ela adoecesse, nem que sua fachada desmoronasse.
O Remédio Proibido
Naquela noite, Snape não enviou um Ponto de Prata. Ele enviou um pergaminho minúsculo, quase invisível, flutuando magicamente até a cama de Angeline, com apenas três palavras escritas: "Ala. Hospitalar. Meia-Noite."
O risco de irem para a Ala Hospitalar era insano. Madame Pomfrey era atenta e Dumbledore a ouvia. Mas Snape precisava de ingredientes que só estavam disponíveis lá.
Angeline, entendendo a urgência, esperou o toque de recolher e se dirigiu à Ala, encontrando Snape em uma sala de armazenamento de poções, nos fundos, com a capa levantada e o rosto tenso.
"Você está com um problema de reação nervosa autonômica," ele sibilou, a voz de volta ao tom clínico. "Sua voz está reagindo ao estresse do nosso segredo. Eu tenho que estabilizar seu sistema nervoso, mas não posso usar Poções de Paz comuns."
Ele preparou ali mesmo, com ingredientes da Ala, uma mistura de essências e óleos raros que ele havia projetado: um bálsamo mágico que ela deveria aplicar na garganta.
"Isso vai estabilizar o nervo vocal e acalmar a mente sem comprometer sua Oclumência," ele explicou, a voz baixa. "É um feitiço de cura que eu transformei em bálsamo. É a única maneira."
Angeline olhou para ele. "O senhor arriscou a sua carreira vindo aqui," ela sussurrou, a voz falhando.
"Eu sou seu professor. Meu dever é com a sua saúde," ele respondeu, friamente. Mas, ao passar o bálsamo, ele não hesitou.
Ele pegou uma pequena quantidade da essência e, delicadamente, aplicou em sua garganta, o toque de seus dedos era elétrico e suave, quebrando o Juramento de Silêncio. O bálsamo era frio, mas o toque dele era quente. Foi o único momento permitido de intimidade física e de cura.
A Lealdade Questionada
No dia seguinte, a confusão se instalou no Salão Principal. Samantha, percebendo a fraqueza de Angeline e a tensão insuportável, atacou o único alvo que restava: seu próprio pai, Luciano.
"Você não fez o suficiente, pai," Samantha disse a Angeline em voz alta, assumindo que Angeline reportaria a Luciano. "Lucius atacou nossa mãe! E você não fez nada além de enviar cartas do Ministério. Você tem dinheiro, você tem poder, por que você não o esmagou?"
O ataque de Samantha, que Angeline sabia que seria repassado a Snape, atingiu o ponto mais delicado: a lealdade de Luciano.
Angeline, no entanto, não respondeu ao ataque. Ela se manteve em silêncio, deixando a fala rouca de Samantha ecoar no Salão.
O desespero de Samantha revelou que o risco era maior do que Snape havia imaginado: a família estava se desintegrando sob a pressão de Lucius. O novo bálsamo era apenas uma solução temporária.
O que eles fariam quando a cura física e a cura política já não fossem suficientes?
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A cura
RomanceEm meio a uma aula de porções , um caldeirão explode afetando alguns alunos e em especial uma jovem ficou gravemente prejudicada com a tamanha explosão. Snape esqueceu-se da existência desta jovem , apenas por nome , agora a pessoa em si , nem tinha...
