Capítulo 17: O Beijo como um Erro

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Severus Snape passou a manhã evitando Angeline com uma maestria que só um espião de longa data poderia ter. Ele trocou os horários de suas aulas, despachou as corujas mais cedo e usou todos os atalhos secretos do castelo para manter a Oclumência e a distância.

Mas Angeline não era de se render.

Ela o esperou após a última aula de Poções, de pé, no meio do corredor vazio que levava às masmorras. Seu rosto estava pálido, mas sua postura era desafiadora. Ela não tentou falar; ela simplesmente esperou.

Quando Snape a viu, ele parou abruptamente, a frieza retornando ao seu olhar como uma armadura de gelo.

"Senhorita Finnigan," ele disse, a voz completamente desprovida de emoção, a máscara profissional de volta ao lugar. "O que a faz pensar que tem o direito de me emboscar nos corredores?"

Angeline deu um passo à frente, sua voz ainda rouca, mas carregada de uma determinação que ele reconheceu de suas sessões de Legilimência.

"Eu preciso que o senhor me diga," ela começou, forçando cada sílaba, "o que aconteceu ontem à noite. Eu o vi fugir."

Snape recuou mentalmente. Ele tinha que matá-la profissionalmente.

"O que aconteceu ontem à noite foi um lapso imperdoável," ele declarou, a palavra "lapso" era um bisturi frio. "Um erro de julgamento que eu atribuo ao estresse da audiência ministerial e à sua persistente invasão do meu espaço pessoal. Não voltará a acontecer."

Angeline piscou, a dor atingindo-a com força. "Um lapso? O senhor me beijou, Professor. O senhor baixou sua guarda e me disse que não podia... que estava sofrendo. Isso foi uma rendição, não um erro."

"Foi um erro," Snape a corrigiu, seu tom se tornando cortante. "Você confundiu gratidão e dependência com algo mais... adequado para os seus colegas da Grifinória. Eu sou seu professor, e você é minha aluna. Não existe e nunca existirá qualquer tipo de 'conexão' fora desses parâmetros."

Ele se aproximou, e o peso de sua presença a esmagou, mas desta vez, a intimidade era de ameaça, não de desejo.

"Para o seu próprio bem, e para o meu, você fará o seguinte: Nós manteremos uma distância estritamente profissional. Você não me questionará sobre minha conduta, nem tentará mais invadir minha privacidade, seja por cartas ou por... olhares," ele continuou. "Se você não conseguir manter o código, eu irei à Dumbledore, eu confessarei meu erro e pedirei minha transferência. Entendeu, Angeline?"

A ameaça era clara: ou ela se afastava e sofria em silêncio, ou ele se demitiria e a abandonaria completamente.

Angeline sentiu as lágrimas quentes brotarem em seus olhos azuis. Ele a estava protegendo da ruína dele, mas a estava destruindo com a frieza. O amor que ela havia acabado de descobrir foi rotulado de erro.

"O senhor está me machucando mais com sua frieza do que a explosão de poção jamais fez," ela sussurrou, a voz fraca, aceitando a derrota.

"É um preço justo para a sua cura e a manutenção da minha carreira," Snape replicou, virando-se para o corredor escuro.

Ele se afastou, deixando-a sozinha com o peso da verdade. A Oclumência de Snape estava de volta, mais forte do que nunca. No entanto, Angeline sabia: a frieza era a prova de que ele a amava o suficiente para sacrificá-la.

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