Capítulo 14: O Frio do Silêncio

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A "nova era" não trouxe o alívio que Angeline esperava. Embora sua voz estivesse lentamente se fortalecendo, a recuperação veio com o preço do silêncio mental imposto por Severus Snape.

O castelo agora via Angeline não apenas como a ex-muda, mas como a Malfoy-Weasley. Sua mãe, Julia Finnigan Weasley (prima de terceiro grau de Arthur Weasley, o que explicava a Grifinória na família), e seu pai, Luciano, eram o símbolo da traição de sangue para a facção Malfoy, o que, ironicamente, a tornava uma protegida silenciosa da Ordem.

O drama atingiu seu ponto máximo na primeira aula de Poções após o recesso.

Angeline sentou-se em sua bancada habitual, sentindo o olhar de Snape, que estava de costas, escrevendo instruções no quadro. Era um olhar que ela conhecia intimamente, mas que agora era cegado pela Oclumência.

Snape virou-se, seus olhos varrendo a sala com a indiferença calculada de sempre. Quando seu olhar alcançou Angeline, ele parou por um microssegundo a mais.

"Senhorita Finnigan," ele disse, a voz cortante e estritamente profissional. "Seus ingredientes estão incompletos. Cinco pontos perdidos da Grifinória. Sua condição não a isenta da organização."

Angeline encolheu-se. Ele nunca a havia penalizado antes. A frieza era deliberada, dolorosa.

Ela pegou o pergaminho e a pena, que havia se tornado sua muleta, mas lembrou-se de sua nova voz.

"Professor," ela disse, a voz áspera e baixa, forçando o som. "Eles estão aqui. Eu... eu os organizei antes da aula."

"Então, sugiro que os encontre. Não desperdice meu tempo," ele replicou, virando-se para o caldeirão de Neville.

Angeline sentiu o isolamento esmagador. O professor a estava tratando como se ela fosse um aluno irritante e comum, apagando toda a conexão íntima que haviam compartilhado.

A Tentativa de Ruptura

Naquele final de tarde, Angeline esperou pacientemente do lado de fora do escritório de Snape, ignorando os olhares.

Quando a porta se abriu e Snape emergiu, ela o abordou.

"Professor," ela tentou dizer, mas a voz falhou. Ela rapidamente pegou um pedaço de pergaminho que havia dobrado e estendeu a ele.

Snape olhou para o pergaminho. Não era uma questão sobre Poções. Era uma carta.

"Por favor," ela havia escrito, a caligrafia apressada e trêmula. "Não faça isso. O silêncio mental é mais alto do que a minha mudez era. Eu me sinto perdida. Se não pudermos falar, pelo menos não feche a porta. Eu preciso saber que o senhor ainda está lá. Não estrague a cura com esta frieza."

Snape pegou o pergaminho. Seus olhos negros leram as palavras dela, e por um instante, a rigidez de seu corpo vacilou.

"Não há mais nada para 'estar lá', Senhorita Finnigan," ele disse, a voz agora controlada e baixa, mas sem a dureza usual. Ele rasgou o pergaminho com precisão metódica. "Nossa relação se restringe à sala de aula. Seus sentimentos sobre o processo de cura não são de minha responsabilidade. Encontre seus amigos da Grifinória ou sua irmã. Tenha uma boa noite."

Ele se virou para se afastar, mas não sem cometer o erro. Ao passar por ela, a mão dele roçou o braço dela. Ele hesitou.

Foi apenas um milissegundo, mas Angeline sentiu. O toque foi intencional. E, antes que ele pudesse controlar completamente, ela sentiu a ponta de um pensamento perfurar sua mente, um fragmento de sua voz mental, carregada de frustração e dor:

"Eu estou aqui, Angeline. Não me force a fazer isso. Eu não posso..."

O pensamento foi cortado abruptamente, mas foi o suficiente. A Oclumência de Snape havia falhado, revelando-lhe a Angeline que o sacrifício da distância era uma luta para ele também, e que ele estava sofrendo a perda da conexão tanto quanto ela.

A barreira profissional de Snape havia sido rachada.

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