Capítulo 15: Mensagens Ocultas e a Queda da Máscara

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Angeline não era apenas uma ex-muda; era uma Malfoy-Weasley com o intelecto de um gênio. Ela havia recebido o fragmento do pensamento de Snape"Eu não posso..."—e sabia que a frieza era uma defesa, não a verdade.

Se ele estava determinado a manter a distância física e mental, ela usaria a única linguagem que eles compartilhavam: o intelecto e o segredo. A perseguição começou.

Na aula de Poções, Angeline começou a cometer erros precisos. Não eram erros de uma aluna incompetente, mas sim alterações sutis nas receitas que só um Mestre de Poções em Oclumência total perceberia.

Na preparação de uma simples Poção para Dormir Sem Sonhos, ela substituiu a dose exata de Valeriana por uma quantia infinitesimal de Essência de Dictamo. O erro era insignificante para a poção, mas a escolha era uma mensagem.

Ditamo era o ingrediente mais usado por Snape para curar ferimentos, e ele a havia usado exaustivamente em Angeline. O erro sutil dizia: "Você me curou, mas agora está me ferindo."

Snape percebeu imediatamente.

Ele andou até a bancada dela, sua capa esvoaçando com a raiva contida. Ele se inclinou sobre o caldeirão.

"Senhorita Finnigan," ele sibilou, baixo o suficiente para que apenas ela ouvisse. "Seu trabalho é um insulto à ciência. Se não consegue preparar uma poção básica, volte para os caldeirões de primeiro ano."

Angeline olhou diretamente para ele, mas sua voz ainda era rouca. "Não foi um erro, Professor. Foi... uma escolha. Eu queria lhe mostrar que a cura não está completa."

Ele a fulminou com o olhar, mas Angeline sentiu a fúria e o estresse dele. A tática dela estava funcionando: ele estava gastando tempo e energia reagindo a ela.

A Carta no Livro

Angeline continuou sua guerra psicológica. Ela sabia que Snape era um leitor voraz e que ele tinha o hábito de deixar livros de referência espalhados em seu escritório.

Em um exemplar antigo de Poções Avançadas e Contrafeitiços, que ela "acidentalmente" deixou para trás, ela escondeu uma mensagem. Não em um post-it, mas na margem da página que descrevia a Poção da Verdade (Veritaserum).

Ao lado da descrição dos ingredientes, Angeline escreveu em uma letra minúscula, quase invisível, a única pergunta que importava:

"Por que o senhor está me mentindo?"

Snape encontrou o livro. Ele passou o dedo sobre as notas e sentiu o pequeno aumento na espessura do pergaminho. Ele abriu a página da Poção da Verdade e viu a pergunta. A tinta era recente.

A pergunta era um ataque frontal à sua Oclumência, à sua posição e à sua honra. Ele estava mentindo, não para o mundo, mas para ela, e para si mesmo.

A Ruptura Noturna

A tensão tornou-se insuportável. Snape passou a noite em fúria silenciosa, a imagem da pergunta de Angeline gravada em sua mente. Ele não podia permitir que ela o encurralasse. Ele tinha que encerrar isso de uma vez por todas.

No meio da noite, Snape não Aparatou, ele correu pelos corredores silenciosos. Ele foi para o retrato da Dama Gorda.

"Angeline Finnigan," ele sibilou, a voz grave, exigindo sua presença.

Angeline, que estava estudando no Salão Comunal, saiu para o corredor imediatamente, sabendo que a convocação noturna significava que ela havia vencido a rodada.

Ela estava em vestes de dormir. Snape estava em sua capa habitual. A luz bruxuleante das tochas lançava sombras dramáticas em seus rostos.

"Chega!" ele disse, a voz baixa e tremendo ligeiramente, sem o seu controle habitual. "Você não vai mais me testar, nem me questionar, nem me encurralar com seus jogos. Eu não sou seu terapeuta nem seu brinquedo."

Angeline deu um passo à frente, sua voz agora era firme, embora ainda rouca. "O senhor me ouviu. Eu sei que me ouviu. O senhor me ensinou que a mentira é o maior fracasso da comunicação. Por que está mentindo sobre a frieza?"

Snape não conseguiu se defender. Sua Oclumência falhou sob o olhar direto dela e a urgência da noite. Ele deu um passo para trás, sentindo o código profissional ruir.

"Eu fechei a porta porque não podia fazer mais nada," ele admitiu, a confissão era um sussurro de derrota e desejo. "Eu não posso permitir esse tipo de conexão, Angeline. Eu sou seu professor. Eu não sou feito para... para esse tipo de intimidade."

Ele se aproximou novamente, a tensão entre eles era elétrica. A máscara caiu completamente. O Professor Severus Snape era apenas Severus, um homem em agonia.

Ele a tocou, a mão fria e grande segurando o rosto dela, e a beijou.

Não era um beijo de paixão, mas um beijo de rendição—a rendição de seu código, de sua Oclumência e de sua vida controlada, à única pessoa que ele havia permitido entrar em sua mente.

A curaOnde histórias criam vida. Descubra agora