Samantha ouviu o piar de coruja. Era dia de correspondência, mas ela não ligou. Uma coruja negra pousou ao seu lado. Ela retirou o pequeno bilhete nas patinhas do animal.
"Favor vir para o escritório antes do primeiro tempo de aula, tenho algo a lhe contar. Atenciosamente Severus Snape."
A jovem rapidamente terminou seu café e foi a passos apressados ao escritório de Snape. Bateu na porta e ouviu um seco: "Entre!" Ela adentrou a sala e se sentou em frente à mesa do professor, que rascunhava fervorosamente um pergaminho.
"Precisa de mim?" perguntou a jovem, curiosa.
Snape levantou os olhos, um brilho incomum de concentração (e alívio) neles. "Eu não sei ao certo, mas eu acho que achei a cura, tanto para a cegueira quanto para a mudez."
A jovem arregalou os olhos.
"Cada livro me dava um resultado diferente do esperado, mas por que não fazer diferente? Pegar os ingredientes de todos e fazer uma união," Snape continuou, sua voz ganhando ritmo. "Demorei para conseguir achar a união perfeita. Custou meu laboratório, praticamente, por causa das explosões, mas dentre todos, uma junção não explodiu. Testei em um rato cego e os resultados..."
Snape se levanta, pega uma caixa, tira o ratinho e o põe em sua mesa. O ratinho ficou agitado. Snape pegou um pedaço de queijo que tinha ao lado e o colocou em frente ao rato. O rato o seguiu.
"Não seria o olfato?" perguntou Samantha, incerta.
"Mas em lugares altos?" Snape levantou a mão, e o ratinho seguia atentamente o queijo, mesmo quando o objeto estava fora do alcance normal do olfato.
"O senhor conseguiu, Professor!" exclamou Samantha animada.
Snape não se sentiu feliz. Ele sentiu que uma parte de seu dever fora cumprido.
"Quando irá administrar o medicamento nela?" perguntou Samantha, eufórica.
"Começará hoje. Já instruí a Pomfrey a pingar a poção a cada três horas por essa semana, tanto nos olhos quanto no suco que ela toma no café. A junção de três poderosas poções, duas para cegueira e uma para mudez. Esperamos que esta porção seja a solução."
Samantha estava otimista demais para crer que a poção não funcionaria. Snape havia arriscado a própria vida para curar sua irmã.
A Conexão Secreta
Horas mais tarde, após a primeira dose ter sido administrada por Pomfrey, Snape visitou Angeline. Ele não falou sobre a cura; preferiu se comunicar mentalmente para estabelecer a rotina de confiança.
"A poção já foi administrada. Ela atuará lentamente na sua visão," Snape pensou para Angeline, sua voz mental um sussurro seco. "No entanto, a mudez é o desafio final. As células da sua garganta foram danificadas, mas suspeito que há um componente mental, uma barreira que impede a voz de sair."
"Por que o senhor sabe tanto sobre Legilimência, Professor?" Angeline perguntou em pensamento, sua voz era curiosa e destemida. "E por que minha mente é tão forte? Eu sinto que não estou falando com o senhor, mas passando por túneis que foram construídos por mim mesma."
A pergunta de Angeline atingiu Snape com a precisão de um feitiço. Ele estava sendo questionado sobre seu passado e sua maior habilidade.
"Minha especialidade é a Poções, mas Legilimência é uma arte que domino. E sim, você possui barreiras mentais. Você é uma Legilimente natural," Snape respondeu, sua mente revelando o segredo a ela. "Suas barreiras são instintivas, desenvolvidas para proteger a sua mente do mundo, já que não podia falar. São de uma complexidade que eu raramente vi. Elas são a sua voz interior, Angeline."
Angeline processou o choque da revelação. "Eu criei paredes para me esconder. Isso é... estranho. E o senhor?"
"Eu construí as minhas paredes por necessidade de sobrevivência, Senhorita Finnigan. As minhas são defesas contra inimigos. As suas são defesas contra o silêncio," ele explicou, a honestidade em sua mente era um laço de confiança.
A cada dia, a conexão mental deles se aprofundava. Sem a distração da visão ou da voz, Angeline e Snape se concentravam apenas no intelecto. Ela revelava seus interesses, seus medos sobre o futuro e sua indignação com a injustiça do mundo. Ele, por sua vez, respondia com lógica, sarcasmo e, para a surpresa de ambos, um respeito intelectual mútuo.
A cegueira e a mudez, que a isolavam do mundo, estavam agora forçando Snape a se conectar com ela em um nível que ele nunca havia permitido. Ele não a via como a filha deserdada de um Malfoy ou como uma aluna. Ele a via como uma mente brilhante e presa.
Ele sabia que a cura da cegueira seria o primeiro passo. Mas a cura da mudez exigiria não apenas a poção, mas a quebra da barreira mental que ela havia construído. E isso, ele temia, exigiria algo mais do que apenas a sua ciência.
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A cura
RomanceEm meio a uma aula de porções , um caldeirão explode afetando alguns alunos e em especial uma jovem ficou gravemente prejudicada com a tamanha explosão. Snape esqueceu-se da existência desta jovem , apenas por nome , agora a pessoa em si , nem tinha...
