Capítulo 35: A Armadilha Silenciosa

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Lucius Malfoy, humilhado pela reviravolta no Ministério e frustrado pela frieza de Snape, não podia atacar o Professor diretamente. Ele tinha que atingir Angeline em seu ponto mais vulnerável, aproveitando a confusão e as novas restrições de segurança de Hogwarts.

Lucius usou um método que o próprio Snape havia ensinado a ele anos atrás: um feitiço de desorientação dissimulado que não parecia um ataque mágico, mas sim um acidente bizarro.

O Gelo no Corredor

Angeline estava voltando para a Torre da Grifinória após o jantar, seguindo a rotina imposta pela nova segurança. De repente, no corredor do quarto andar, uma poça de água, que não deveria estar ali, congelou sob seus pés em um padrão bizarramente agressivo.

Ela escorregou e caiu, não apenas machucando o joelho, mas batendo a cabeça na parede. A queda não foi o ataque; o ataque foi o feitiço sutil que amplificou sua tontura e instabilidade mágica por alguns minutos. Se ela tentasse lançar um feitiço, ele sairia instável e explosivo.

Angeline sentiu o feitiço de Lucius queimando em suas têmporas. Ela estava desarmada e incapaz de se defender, exposta. O feitiço era tão dissimulado que pareceria apenas uma queda estúpida.

Em seu pânico, Angeline soube que tinha que ativar o "dúvida crítica" no código de Snape—o sinal para o risco de vida iminente.

Em vez de gritar ou tentar um feitiço de proteção, ela fez a única coisa que sabia que ele notaria: ela forçou uma onda de pensamentos caóticos e altos sobre a dor e o medo em sua mente. Ela quebrou sua Oclumência, sabendo que Dumbledore poderia detectar a falha, mas contando com o fato de que Snape a notaria primeiro.

O Resgate Invisível

Snape estava em suas masmorras, revisando defesas contra ataques externos. De repente, uma ondulação violenta de caos e medo atingiu sua mente—não uma invasão de Legilimência, mas o eco da mente de Angeline quebrando o controle.

Ele soube instantaneamente: ela estava em perigo e havia quebrado o Juramento para alertá-lo.

Snape não podia Aparatar. Ele não podia correr para o quarto andar. Ele tinha que agir de dentro de sua própria sala de aula, sem se mover.

Ele fechou os olhos e lançou um feitiço complexo e não-verbal que ele havia reservado para emergências de vida ou morte. Era um Feitiço de Deflexão Ambiental que operava através dos limites de Hogwarts, sintonizado com sua magia:

Ele direcionou uma corrente de ar frio súbita para o corredor, fazendo a poça de gelo parecer um fenômeno natural. Ao mesmo tempo, ele lançou um Feitiço Silencioso de Cura Rápida sobre Angeline, concentrando-se em dissipar a tontura e estancar o ferimento na cabeça.

Tudo isso foi feito em menos de dez segundos, sem que ninguém, exceto Angeline, percebesse.

Angeline sentiu o ar frio e revigorante atingir seu rosto. A tontura desapareceu imediatamente, e a dor em sua cabeça se tornou um leve formigamento.

Quando ela conseguiu se levantar, um aluno da Lufa-Lufa vinha caminhando pelo corredor.

"Angeline! Você está bem? Você tropeçou no gelo. É estranho, está muito frio aqui," o aluno disse, sem suspeitar do ataque mágico.

Ela sabia que havia sido Snape. Ele a havia salvado, mantendo a fachada. O preço da "dúvida crítica" havia sido pago com o maior risco dele até então.

O Novo Código do Trauma

Na manhã seguinte, Angeline estava na aula de Poções, com um curativo discreto na cabeça. Ela não podia arriscar um erro de poção, então seu trabalho foi perfeito e rápido.

Snape estava lívido de raiva, mas manteve a fachada. Ele caminhou até a mesa dela e pegou seu trabalho.

"Inaceitavelmente limpo, Finnigan. Isso é preguiça," ele sibilou.

Mas, ao devolver o pergaminho, ele usou a ponta de sua varinha, escondida na manga, para lançar um feitiço que queimou um minúsculo ponto no canto do pergaminho de Angeline, quase invisível.

Angeline pegou o pergaminho e viu o ponto de queimadura. Ele não estava quente, mas era uma marca, o novo e doloroso código.

Ela abriu o pergaminho e encontrou as palavras de um ensaio antigo, mas agora, uma frase estava sublinhada duas vezes com sua tinta de forma discreta:

"O risco é a única prova da devoção."

Era o seu aviso e sua promessa: "Eu te salvei. Não quebre a Oclumência de novo. O perigo é extremo."

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