A rejeição pública no Salão Principal selou o sacrifício de Angeline e a proteção de Snape. Para o mundo, a "tutela intensiva" havia terminado em fracasso. Para os dois, a guerra no silêncio acabara de começar.
Angeline sentia a dor do desapego público como uma ferida aberta, mas a cada passo, ela se lembrava da mão dele na sua e do Juramento Oclumente.
A primeira prova do novo código veio naquela noite.
Angeline estava no Salão Comunal da Grifinória, fingindo ler, mas com os olhos fixos no teto. Ela se forçava a pensar em temas triviais (tarefas de Herbologia, o próximo jogo de Quadribol), a fim de manter a Oclumência e não dar a Dumbledore qualquer motivo para suspeitar de Snape.
De repente, ela sentiu um leve formigamento na pele, um sinal subliminar de que ele estava ativo. Ela ergueu os olhos.
No teto do Salão Comunal, por um microssegundo exato, brilhou um Ponto de Prata do tamanho de uma cabeça de alfinete.
Era uma magia tão sutil, tão rápida, que ninguém mais na sala—nem mesmo os alunos mais atentos—a notou. Era a sua linha de comunicação, a confirmação de que ele estava pensando nela, de que estava vivo, e de que a ameaça de Lucius Malfoy estava sendo monitorada.
O Risco da Resposta
O Ponto de Prata era a parte mais fácil. A resposta, sob o novo código, era a prova de lealdade e controle de Angeline.
O código era simples: se Angeline visse o Ponto de Prata, ela teria que responder com perfeição em seu trabalho acadêmico nos próximos dias, provando que sua mente estava focada e que ela estava segura.
Na aula de Poções do dia seguinte, Snape lançou-lhes uma Poção de Confusão complexa. Angeline trabalhou com uma concentração fria. Ela sabia que Snape observaria seu caldeirão como um falcão.
Ela completou a poção com precisão dolorosa. Ela não apenas acertou a cor e a densidade, mas a poção exibia um brilho que era metaforicamente perfeito—um sinal de que ela havia superado o desafio com o controle total de sua mente.
Snape passou por sua bancada, os olhos deslizaram para o caldeirão dela. Ele não disse nada, mas Angeline sentiu a ponta do alívio dele, silenciosa e fria.
O risco, no entanto, veio de uma fonte diferente.
Samantha, vendo a perfeição do trabalho da irmã, franziu o cenho. "O trabalho está perfeito, Angeline. Não deveria estar tão concentrada. Você está bem?"
"Estou focada. Eu tenho que recuperar o tempo perdido," Angeline respondeu, sua voz rouca de volta, forçada para manter a ilusão de fraqueza.
Samantha a olhou com desconfiança, percebendo que a perfeição silenciosa da irmã era tão anormal quanto a rejeição pública de Snape. A tensão entre o casal estava agora afetando todos ao seu redor.
A Vingança Silenciosa
Snape enviou um segundo Ponto de Prata naquela noite, no Corredor da Ala Hospitalar. Angeline o viu e soube que a ameaça aumentou.
No dia seguinte, a retaliação de Lucius Malfoy começou. Luciano Malfoy recebeu um ultimato do Ministério: uma investigação completa sobre sua conduta e recursos, iniciada por uma "fonte anônima e influente". O alvo era claro: forçar a família a se realocar e retirar Angeline de Hogwarts, longe da proteção de Snape.
Snape, agora sem o pretexto da "tutela", precisava de um novo plano de defesa. Ele não podia intervir diretamente, mas podia usar seus recursos.
Ele sabia que Luciano precisava de informações confidenciais para se defender da investigação. Snape se dirigiu à sua biblioteca particular, onde guardava livros raros sobre a defesa do Ministério e contrainteligência. Ele tinha que fazer o impossível: enviar um livro inteiro a Luciano, sem Angeline como intermediária, sem deixar rastros.
A conspiração de amor e proteção acabava de ganhar uma dimensão de espionagem de alto nível.
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A cura
RomanceEm meio a uma aula de porções , um caldeirão explode afetando alguns alunos e em especial uma jovem ficou gravemente prejudicada com a tamanha explosão. Snape esqueceu-se da existência desta jovem , apenas por nome , agora a pessoa em si , nem tinha...
