"Poppy, como andam os resultados?" perguntou Professor Snape assim que adentrou a ala hospitalar. Seus passos eram silenciosos, mas sua presença, como sempre, preenchia o ambiente. Ele notou algumas crianças deitadas, algumas com braços e pernas quebradas, outras com baldes ao lado, mas seus olhos estavam fixos na cama de Angeline.
"O rosto recuperou 100% juntamente com os olhos," comentou Pomfrey aliviada. "Achei que os olhos dela ficariam vermelhos sangue pelo resto da vida. Foi a queimadura mais forte que já vi nessa região."
"Avisei que não precisaria se preocupar tanto sobre isso, a esclera é a região mais difícil de curar por ser muito frágil," Snape replicou, a voz grave, mas com um toque de impaciência fria. Ele andou mais próximo à cama e pôde ver as mãos da jovem indo ao seu rosto, coberto por grossas ataduras.
As mãos lentamente tocaram o rosto completamente enfaixado. Ao notar a respiração rápida, ele previu: ela entraria em pânico em poucos minutos.
"Querida, fique calma. Estamos retirando as faixas, não tente tirá-las desta forma, por favor," orientou Pomfrey, a voz doce e maternal.
A enfermeira de forma lenta e atenta retirou as faixas do rosto. Pôde-se ouvir o suspiro de alívio da jovem quando sentiu o toque frio da pele de seu rosto. Seus olhos se abriram. Pomfrey e Snape puderam ver as íris azuis perfeitamente normais.
"Seus olhos estão perfeitos, nem parece que foram queimados," Pomfrey soltou uma risada contida de alegria.
Mas o semblante da jovem não era de alívio. O pânico era evidente, e Angeline levou as mãos ao redor.
"SA—" O som era áspero, gutural, quase um coaxar. Ela apalpava de um lado para o outro. "SA..."
"O que está acontecendo aqui?" A pergunta veio de Samantha, que acabara de chegar. Ela notou que a irmã chamava por ela e, a passos rápidos, chegou à cama e tocou a mão de Angeline. "Estou aqui, o que houve?"
"Nós que não entendemos," perguntou Pomfrey, cruzando os braços. "Por que ela está agindo assim?"
"Ela é muda, ela não pode falar," explicou Samantha, a voz tensa. "Agora, esses sons... só em ocasiões de muito medo e pavor, como agora."
De repente, Samantha estremeceu. Seu corpo enrijeceu. Ela havia sido invadida mentalmente pela irmã.
"ESTOU CEGA! EU NÃO CONSIGO VER NADA!" O pensamento era um grito desesperado na mente de Samantha.
"Ela está cega!" exclamou Samantha, um tanto assustada. Ela tentou conter a sensação frustrante que invadia seu ser.
"Eu não acredito que a vida está me privando de ter a visão. O que eu fiz, Samantha? O que?"
Snape e Pomfrey se entreolharam, o problema técnico e médico havia se transformado em um dilema impossível: como se comunicariam com uma paciente cega e muda?
"Professor, ela está aberta mentalmente. Fale com ela," Samantha implorou, sabendo que a mente de Angeline estava em colapso.
Snape hesitou. Entrar na mente de um aluno em tal estado era uma invasão. Mas a situação era urgente. Ele forçou a entrada.
Ele esperava desespero, mas encontrou um caos ainda maior: uma mente sem imagens, sem memórias, com as recordações bloqueadas. Barreiras mentais muito fortes haviam sido erguidas, talvez desde o nascimento. A única voz audível era a de Angeline, gritando em sua própria prisão.
"Samantha, eu quero dizer que não foi Neville que explodiu o caldeirão." Snape ouviu a voz melodiosa da jovem pela primeira vez. "Foi Draco. Ele jogou algo na poção de Neville."
"Senhorita Finnegan Malfoy," a voz de Snape ecoou na mente dela, "tens certeza do que está falando? Acusar os outros sem prova é muito..."
Do nada, as barreiras vacilaram. Imagens da sala de aula apareceram: Angeline estava olhando diretamente para Draco, que se aproveitava da distração de Neville para prejudicar sua poção e, pior, para zombar diretamente de Angeline com um sorriso diabólico. Tão rapidamente quanto apareceram, as imagens somem.
"Draco se aproveita que sou muda, me ameaça a fazer o que ele anda fazendo... nem quero pensar na possibilidade e nem vou dizer enquanto eu não estiver preparada para isso, mas eu quero dizer que foi Draco que prejudicou a poção de Neville e fez a poção explodir."
Snape recuou da mente da jovem, um tanto atordoado com o que vira e ouvira. A precisão do relato, o terror silencioso e a complexidade de sua mente o atingiram.
"Poppy, estarei no meu laboratório procurando um jeito de reverter essa situação nos meus livros," falou Snape, sua voz mais controlada que o normal. "Enquanto ela estiver aqui, você poderá se comunicar através de Samantha ou de Legilimência, assim teremos a comunicação necessária para a cura."
Ele se retirou da ala, mas sua mente estava longe de estar focada em Poções. Ele havia acabado de descobrir a existência de uma Malfoy Grifinória, muda, terrivelmente ameaçada e que, para todos os efeitos, era uma Legilimente natural com barreiras mentais mais fortes do que as dele.
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A cura
RomanceEm meio a uma aula de porções , um caldeirão explode afetando alguns alunos e em especial uma jovem ficou gravemente prejudicada com a tamanha explosão. Snape esqueceu-se da existência desta jovem , apenas por nome , agora a pessoa em si , nem tinha...
