Capítulo 13: O Som da Saudade

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A cura final de Angeline foi um processo lento, mas constante. Após a libertação da sílaba "Severus," a muralha mental desmoronou em uma sucessão de palavras: curtas, imperfeitas e roucas, mas existentes.

Em vez da pena, Angeline agora carregava um caderno onde anotava as palavras que Snape a instruía a praticar. Sua voz era frágil, mas a cada dia se tornava mais clara. Ela ainda falava baixo, com a urgência de quem tem medo de ser ouvida, mas falava.

A voz era uma alegria para todos, exceto, paradoxalmente, para Angeline e Snape.

"É estranho," Angeline disse, a voz mal audível em seu escritório, durante a sessão noturna. "Agora que posso falar, sinto que perdi algo."

Snape, sentado à sua frente, sabia exatamente o que ela queria dizer. A Legilimência era o vínculo mais íntimo. Não havia filtros; apenas a verdade bruta. Agora, a comunicação voltava a ser lenta, verbal, cheia de hesitações e silêncios.

Snape sentiu que precisava cortar o laço. A obsessão era perigosa, e Angeline era, afinal, sua aluna.

"A partir de hoje," ele disse em voz alta, sua voz habitual de professor preenchendo o escritório, "nossas sessões de Legilimência estão encerradas. Você está curada. A comunicação será verbal. E somente quando estritamente necessária."

Angeline o encarou, seus olhos azuis inundados de surpresa e traição.

"Mas... Professor..." ela começou a dizer em voz alta, falhando. Ela tentou desesperadamente alcançá-lo mentalmente.

Snape ergueu a mão, bloqueando-a. Ele usou oclumência com uma força incomum, fechando a porta de sua mente para ela.

"Não. A Legilimência era a ferramenta para a cura. A ferramenta não é mais necessária. Nossa relação retoma a sua formalidade: Professor e Aluna," ele pensou friamente, enviando a mensagem uma última vez através de um pensamento firme, antes de selar sua mente.

Angeline sentiu o silêncio mental ensurdecedor. O conforto, a verdade e a conexão que eles haviam construído desapareceram, deixando um vazio que era mais doloroso do que a mudez.

O Jantar da Gratidão e o Novo Drama

Duas semanas depois, Luciano Malfoy e Samantha organizaram um jantar formal na casa de Hogsmeade, sob a desculpa de agradecer a Snape pela cura e pela vitória sobre Lucius.

Snape se sentiu desconfortável em vestes civis, forçado a socializar com o pai deserdado e o namorado de Samantha, Michael Peterson.

Durante o jantar, Luciano ergueu uma taça. "Severus. Eu não tenho palavras para agradecer. Você não apenas salvou a minha filha de um monstro, como também nos deu a voz dela. A família Finnigan Malfoy está em dívida."

"Não estou interessado em dívidas, Luciano," Snape respondeu, seco. "Fiz o meu dever como Professor."

"Não é só dever," interveio Samantha. "Você a ouviu. E isso não tem preço."

Angeline, que estava silenciosa, falando apenas em sussurros para Samantha, olhou para Snape. A mesa inteira percebeu a intensidade do olhar.

"Severus me deu minha voz," Angeline disse, forçando cada sílaba, o som rouco. "E eu devo minha verdade a ele."

O jantar forçou Snape a confrontar o que havia criado. Ele e Angeline não eram apenas professor e aluna. Eles compartilhavam um vínculo de alma e intelecto forjado na vulnerabilidade e no risco de morte.

O Dilema do Professor

Naquela noite, de volta às masmorras, Snape se flagelou com a consciência. Sua obsessão por Angeline não era a de um mentor; era a de um homem.

Ele se importava. Ele a protegera, ele a curara, ele a ouvira. E agora, ela era uma jovem bruxa, vulnerável e grata, que o via como seu salvador.

Snape encarou o espelho, o medo de repetir os erros de seu passado e de Alvo Dumbledore pesando sobre ele. Ela era sua aluna. Ele tinha um código. Ele tinha que manter a distância profissional.

Mas o silêncio de sua mente, antes um refúgio, era agora um lembrete da voz melodiosa de Angeline em seus pensamentos. O corte da Legilimência havia falhado em criar distância; apenas criou saudade e um vazio perigoso.

Ele sabia que a "nova era" não seria de paz, mas de luta interna. O amor e o drama seriam contidos, mas o conflito profissional e o desejo crescente seriam a nova poção fervente.

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