A semana de dosagem da Poção Unificada foi marcada pela rotina silenciosa na Ala Hospitalar. A cada três horas, Pomfrey pingava a poção nos olhos de Angeline e misturava-a ao seu suco, sob o olhar atento e a comunicação mental constante de Snape.
Na manhã do sétimo dia, Snape chegou à Ala Hospitalar. Pomfrey estava ao lado de Angeline, que estava sentada rigidamente.
"Sinto formigamento, Professor. Uma luz fraca. Não sei se é a luz do dia ou se é minha mente brincando comigo," pensou Angeline, sua voz mental tensa.
Snape se aproximou, o coração batendo em um ritmo que ele odiaria admitir. Ele não usou a Legilimência, preferindo que o momento fosse físico. Ele olhou para Pomfrey, que assentiu.
"Certo, Senhorita Finnigan. Você sentirá uma pressão," disse Pomfrey em voz alta.
A enfermeira, com a varinha apontada para os olhos de Angeline, murmurou o feitiço de reversão. Uma onda de calor percorreu o rosto de Angeline. Ela ofegou e, subitamente, suas mãos dispararam para proteger os olhos.
"Está doendo! É muito claro!" ela grunhiu, o som rouco e familiar de sua mudez.
"É o sol, querida! Você consegue ver!" exclamou Pomfrey, aliviada.
Angeline piscou, lutando contra a clareza esmagadora. Lentamente, ela baixou as mãos. O mundo irrompeu sobre ela: as paredes brancas e frias, a luz suave das janelas, o formato maternal de Pomfrey.
E então, ela o viu.
Professor Severus Snape estava parado ao lado de sua cama. Ela o conhecia através de seus pensamentos — o intelecto afiado, o sarcasmo seco, a promessa feroz. Mas vê-lo era diferente. A capa negra, o nariz aquilino, o cabelo oleoso, a expressão fria. Era a imagem do professor temido, mas agora, Angeline enxergava a fúria controlada e a devoção silenciosa em seus olhos.
Snape, por sua vez, também a viu pela primeira vez, não através de uma mente aterrorizada, mas como a bruxa platinada, de pele de porcelana, com olhos azuis profundos, que havia lutado contra o silêncio por anos.
O momento durou apenas um segundo, mas foi a primeira vez que eles se viram de verdade.
"Eu vejo. Eu consigo ver, Professor!" Angeline gritou em sua mente, a alegria era um fogo de artifício. "Obrigada. Muito obrigada."
Snape respondeu mentalmente, com seu tom habitual de contenção: "Eu não aceito sentimentalismos. Agradeça à ciência, Senhorita Finnigan. Seu caso é um sucesso parcial."
O Desafio da Voz
Angeline estava curada da cegueira, mas a mudez persistia.
Ela tentou falar: "E... eu..." O som era apenas um sussurro forçado, rouco e doloroso.
"A Poção Unificada curou o dano físico das cordas vocais, Angeline," explicou Pomfrey. "Mas a mudez é um hábito de anos. Você precisa de fonoaudiologia, e eu sugiro que comece a se comunicar por escrito."
Snape não concordou com a Fonoaudiologia.
"O problema não é físico, é a Barreira de Silêncio," Snape pensou para Angeline enquanto Pomfrey estava distraída. "Sua mente construiu uma muralha para a sua voz. A poção amoleceu a base dessa muralha, mas apenas a sua vontade pode derrubá-la."
Angeline pegou um pergaminho e a pena. "Eu quero falar. Eu preciso falar! Eu me senti tão vulnerável sem voz perto do meu primo."
"É por isso que a voz não sai. Você se sente mais segura no silêncio. A voz é sua última vulnerabilidade, o último segredo a ser revelado," ele observou mentalmente. "A partir de agora, o desafio será diferente. Você pode escrever para o mundo. Mas comigo, você continuará a falar apenas em sua mente. Eu serei o seu Último Ouvinte, o único a quem você não pode mentir."
A conexão mental deles era agora uma rotina, uma necessidade mútua. Angeline podia ver o Professor, mas a intimidade da comunicação mental era o novo normal. Ela dependia dele não para ver, mas para ser ouvida.
Snape tinha sua missão final: fazer Angeline quebrar a barreira que a impedia de usar sua voz para se defender e viver plenamente.
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A cura
RomanceEm meio a uma aula de porções , um caldeirão explode afetando alguns alunos e em especial uma jovem ficou gravemente prejudicada com a tamanha explosão. Snape esqueceu-se da existência desta jovem , apenas por nome , agora a pessoa em si , nem tinha...
