Capítulo 24: A Loucura da Paixão Consciente

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A convocação de Alvo Dumbledore fez com que a máscara de Severus Snape fosse testada ao limite. Ele sabia que a fachada do "Mentor Rígido" era frágil e que a próxima falha de Oclumência seria a sua ruína. O medo de Dumbledore era a única coisa que o impedia de procurar Angeline, mas a dor de vê-la sofrer o impedia de ter paz.

Angeline, por sua vez, sentia a pressão. A defesa que ela fez a Michael e a mentira que ela vivia para proteger Snape estavam esgotando suas energias. Ela percebeu que a distância imposta não era um "Sacrifício Necessário", mas uma tortura que levaria à destruição de ambos.

Ela tinha que forçar a verdade, não através de um código, mas através de um ato final de desespero.

O Alarme da Poção do Amor

Angeline esperou a aula de Poções que lidava com a Poção do Amor (Amortentia). A poção era notoriamente difícil, e o cheiro que ela emitia era sempre uma fonte de risos e fofocas no castelo.

Durante a preparação, Angeline cometeu um erro intencional e público. Ela adicionou Gema de Ovo de Chizácaro no momento errado, fazendo com que sua Poção do Amor ficasse de uma cor roxo escuro, quase preto—a mesma cor da Poção Sem Sonhos Reforçada que Snape lhe dera secretamente.

O cheiro que subiu do caldeirão de Angeline não era o habitual cheiro de pergaminho novo, grama cortada ou menta que a Poção do Amor deveria ter. Era o cheiro penetrante e amargo de Veludo de Aconitum—a planta principal da acônito, o ingrediente mais mortal e favorito de Snape.

Os alunos ao redor tossiram e recuaram.

Snape, que estava inspecionando o caldeirão de um Sonserino, virou-se lentamente, sua expressão um estudo de fúria controlada. O cheiro da acônito na Poção do Amor—uma contradição científica e emocional—era a mensagem mais ousada que Angeline poderia enviar: "Meu amor por você é fatal, perigoso e totalmente seu."

"Senhorita Finnigan!" Snape sibilou, sua voz baixa e furiosa, os olhos fixos na cor roxa escura. "Seu trabalho é uma afronta! Você transformou uma Poção do Amor em veneno! Deixe a sala. Agora!"

Angeline se levantou, a voz fraca, mas carregada de desafio. "Não é veneno, Professor. É o antídoto. É a verdade."

Snape não podia mais tolerar o risco. "Detenção. Meu escritório. Meia-noite. Sem atrasos. Você será punida por sua insolência!" ele ordenou, virando-se para o quadro. Ele estava tremendo.

O Beijo da Aceitação

À meia-noite, o escritório de Snape estava silencioso, exceto pelo gotejar de um caldeirão no canto.

Angeline entrou, e Snape fechou a porta com um baque alto, quase violento.

"Você está determinada a me arruinar, não está?" ele perguntou, sem rodeios. "Você expôs nosso segredo em uma Poção do Amor, Angeline! O que você esperava conseguir com essa loucura? Você sabe o risco que correu? Dumbledore está me observando! Luciano está me observando! Você me forçou a te punir!"

Angeline caminhou até ele, sua voz rouca, mas incrivelmente firme. "Você me beijou e me chamou de erro. Você me deu a vida de volta e me tirou a felicidade. Eu fiz isso porque o senhor não me dá escolha! O senhor não pode me deixar ir. E eu não vou deixar o senhor fugir para o seu código."

"Eu tenho que fugir! Eu sou seu professor! Eu tenho um dever! Isso é loucura!" ele gritou, mas o grito era de desespero, não de raiva.

"Então, seja louco comigo," ela sussurrou, chegando a poucos centímetros dele.

Angeline o alcançou, e, pela primeira vez, não foi a gratidão ou o desespero. Foi paixão consciente. Ela o beijou com a certeza de quem está quebrando a última regra para salvar a própria alma.

Snape não resistiu. O código, a Oclumência, Dumbledore, Lucius, tudo desabou em um instante. Ele a segurou pela cintura, devolvendo o beijo com uma ferocidade e um desejo que ele havia reprimido por anos. O beijo era a aceitação mútua do risco, a confirmação de que eles estavam dispostos a arruinar suas vidas um pelo outro.

Quando eles se separaram, ofegantes, Snape a encarou, seus olhos negros cheios de uma aceitação dolorosa.

"Você me destruiu, Angeline," ele disse, a voz quebrada. "Você me destruiu, e eu não consigo odiá-la por isso."

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