Capítulo 12: O Julgamento e a Cartada Secreta

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A audiência de emergência no Departamento de Execução das Leis da Magia não era um julgamento formal, mas uma pressão política orquestrada por Lucius Malfoy. O objetivo era simples: humilhar Severus Snape, reverter a expulsão de Draco e forçar o silêncio sobre o crime de agressão.

Snape estava na sala de audiências, frio e imponente, enfrentando o Conselho de Governadores e Lucius, que estava sentado à frente com uma arrogância calculada.

"Professor Snape," começou o presidente do Conselho, uma bruxa seca. "Sua ação de expulsar um aluno por 'má conduta grave', sem um processo de investigação adequado do Ministério, levanta sérias dúvidas sobre seu julgamento. O herdeiro Malfoy alega inocência e apela à injustiça."

"O herdeiro Malfoy é um mentiroso perigoso," Snape retrucou, sua voz baixa, mas carregada. "Eu testemunhei o ataque. Sua alegação de inocência é tão falsa quanto a honestidade de sua família."

Lucius interveio, deslizando um pergaminho pela mesa. "Professor, o senhor agiu sozinho, sob a alegação de um ataque que o senhor 'sentiu' ou 'presumiu' que estava acontecendo. E a vítima? Angeline Finnigan está na Grifinória, é muda e cega. Sua palavra, se pudesse ser ouvida, seria a de uma bruxa traumatizada e mentalmente instável. Sua expulsão é baseada em emoção e favoritismo à família Weasley."

O ataque à credibilidade de Angeline atingiu Snape com a força de um soco.

Ele pegou o pergaminho de Lucius e o rasgou ao meio. "A vítima em questão pode estar muda, mas eu a ouvi. E há outras."

"Não há outras vítimas confirmadas, Severus," Lucius sibilou, sorrindo. "Essa é apenas uma tentativa desesperada de mascarar seu erro."

A Cartada do Deserdado

Nesse momento, Snape sentiu a comunicação mental prometida. Não era Angeline, mas sim a voz severa e profissional de Luciano Finnigan Malfoy.

"Atenção, Severus. Olhe para a lateral. O Auror Kinkley tem a transcrição das vítimas em sua pasta. Peça-a para ser lida. Agora," veio o pensamento.

Snape olhou para o Auror Kinkley, que estava na lateral, visivelmente desconfortável. Snape se virou para o Conselho.

"Eu exijo que o Auror presente, Kinkley, leia em voz alta as transcrições de Azkaban e os depoimentos das bruxas que vieram à tona após a expulsão de Draco Malfoy," Snape declarou, com uma autoridade que Lucius não esperava.

Lucius ficou pálido, percebendo a armadilha. "Isso é irrelevante! Este não é um julgamento criminal!"

"É um julgamento sobre a segurança dos alunos de Hogwarts," Snape rebateu, implacável. "Se Draco Malfoy for reintegrado, a escola se tornará um covil para um predador sexual. A 'má conduta grave' que o senhor cita é, na verdade, uma tentativa de estupro seguida por múltiplas agressões sexuais confirmadas. Peço a palavra do Ministério."

O Conselho estava em choque. O Auror, sob a pressão do ambiente, pigarreou e abriu sua pasta. Ele leu os depoimentos, as palavras detalhando a crueldade de Draco preenchendo a sala com horror.

O golpe foi devastador. Lucius, com seu rosto outrora arrogante, estava agora roxo de fúria. A audiência se desintegrou.

"O caso está encerrado," declarou o presidente, com a voz trêmula. "A expulsão é mantida, e o Ministério irá cooperar totalmente com a investigação criminal contra Draco Malfoy. Professor Snape, sua conduta foi exemplar."

A Conexão Silenciosa

Snape saiu da sala sem sequer olhar para Lucius, que estava sendo contido pelo Auror. Ele havia vencido a batalha política e garantido que Draco jamais voltaria a ameaçar Angeline.

De volta ao castelo, ele foi diretamente para o seu escritório. Angeline estava esperando. Ela podia ver a tensão em seus ombros e a satisfação contida em sua mente.

"O que aconteceu? O senhor venceu?" ela perguntou mentalmente.

"Eu venci," ele confirmou. "Seu pai, Luciano, me ajudou. Ele me deu a informação crucial sobre as outras vítimas. Seu primo está fora de Hogwarts para sempre."

Angeline sentiu uma onda de alívio e gratidão tão intensa que a esmagou. O medo que a mantinha muda havia diminuído drasticamente.

"Eu... eu não sei como agradecer..."

Snape forçou sua atenção. "Agradeça com sua voz. A muralha de medo foi derrubada pelo triunfo. Agora, Angeline. Diga meu nome. Diga-o em voz alta."

Ela olhou para ele, respirou fundo, e concentrou toda a sua gratidão, toda a sua confiança e todo o seu alívio naquele nome.

"S... S... Se... ve... rus."

A voz era áspera, imperfeita, mas clara. Não era mais um grunhido, mas a articulação de um nome. O nome de seu salvador, seu curador, seu único confidente.

Snape fechou os olhos, absorvendo o som. Ele a havia curado. A ciência e a lealdade haviam triunfado sobre o medo e a política.

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