Capítulo 20: O Subterfúgio da Poção e a Carta Cifrada

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O tormento de Angeline era físico. As noites eram agonizantes, preenchidas pela imagem fria de Severus Snape rotulando seu beijo como um "erro". A insônia a consumia, e o sono que vinha era agitado por pesadelos silenciosos.

Uma manhã, ela acordou com Madame Pomfrey parada ao lado de sua cama na Grifinória.

"Angeline, querida. Você está exausta," a enfermeira disse, com a voz preocupada. "Alguém deixou isso para você na porta da ala. É uma Poção Sem Sonhos Reforçada. Não tem nome, mas... é uma mistura muito avançada. Tome uma dose hoje à noite. Você precisa de descanso."

Angeline pegou o pequeno frasco de cristal. O líquido era de um roxo profundo, quase preto, e emitia um vapor suavemente calmante. Ela abriu. O aroma era complexo, com notas de Valeriana e uma infusão rara de Raiz de Gafanhoto.

Angeline sentiu o nó em sua garganta se apertar. A Poção Sem Sonhos Reforçada só era preparada por Snape para casos extremos de trauma. A precisão e a complexidade da mistura eram a assinatura dele.

Ele a estava observando. Ele sabia do seu sofrimento. Ele estava cuidando dela, anonimamente, mantendo o código profissional com a boca, mas quebrando-o com seus caldeirões.

Angeline levou o frasco ao peito, e finalmente, as lágrimas vieram. Não eram lágrimas de desespero, mas lágrimas quentes e dolorosas de alívio e frustração mútuos. Ele ainda a amava o suficiente para se arriscar, mas ainda a temia o suficiente para fugir.

Naquela noite, Angeline dormiu em paz pela primeira vez em semanas, embalada pelo elixir silencioso de seu professor.

A Mensagem Oculta na Ciência

O alívio durou pouco. No dia seguinte, na aula de Poções, Snape estava ainda mais glacial.

"Hoje, vocês estudarão a teoria de Antídotos Avançados," ele sibilou para a classe. "Especificamente, a longevidade dos efeitos do Antídoto Universal em casos de Magia Negra. Senhorita Finnigan, você fará um ensaio de dez polegadas sobre as consequências de um Antídoto quando o paciente ainda anseia pela fonte do veneno."

A turma se encolheu com a frieza. Mas Angeline entendeu.

Ele estava mandando uma mensagem cifrada que só o intelecto deles podia decifrar:

O Antídoto: A frieza e a distância que ele impôs.

A Fonte do Veneno: A conexão íntima e proibida deles.

As Consequências: O sofrimento dela e o risco dele.

Ao lhe dar o livro de referência, Antídotos Avançados: Teoria e Prática, Snape cometeu um novo e sutil erro. Ele lhe entregou um exemplar que era dele.

Angeline abriu o livro, e no capítulo sobre "Remoção de Componentes Viciantes", havia um trecho grifado a lápis, com a caligrafia precisa de Snape.

O texto falava sobre a cura de vícios perigosos, mas a caneta dele destacava esta única frase:

"Às vezes, a parte mais crucial da cura é a separação do componente essencial para evitar a recontaminação, mesmo que a ausência seja a maior fonte de dor para o paciente."

E, logo abaixo, em minúsculos pontos de tinta, havia um único glifo que só ela reconheceria: o símbolo alquímico para "Sacrifício Necessário."

Angeline sentiu o peito arder. Ele estava se comunicando com ela. Ele estava se justificando. O beijo não era um "erro", era um "componente essencial" que ele teve que remover para a "cura" da carreira dele e da segurança dela.

A distância era o Sacrifício Necessário de Snape.

Angeline olhou para a frente da sala. Snape estava observando os caldeirões, a máscara de repulsa no rosto. Mas, por um microssegundo, ela sentiu a ponta do pensamento dele: "Decifre, Angeline. E não me odeie."

As lágrimas rolaram novamente, mas desta vez, não eram apenas de dor. Eram de compreensão agonizante. Ela entendeu que a guerra deles não era sobre afastar o amor, mas sobre esconder o amor para que ele pudesse sobreviver.

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