Capítulo 37: A Escolha de Cérbero e a Despedida do Juramento

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Severus Snape sabia que o bálsamo na Ala Hospitalar havia sido o último ato de caridade permitido. A guerra estava prestes a começar, e ele seria chamado para a sua missão final: o retorno ao lado de Voldemort. Ele precisava cortar todos os laços, mas primeiro, tinha que eliminar a ameaça mais persistente.

O Fim da Linha para Lucius

Snape não podia mais se dar ao luxo de tramar. Ele usou o que havia aprendido através de sua espionagem e manipulou informações cruciais sobre as finanças de Lucius Malfoy. Em vez de enviar uma falsa ameaça, ele enviou ao Lorde das Trevas uma verdade brutal e distorcida sobre a deslealdade de Lucius.

A manobra era fatal: Lucius foi rapidamente convocado e punido de forma severa, quebrando seu poder e o isolando da sociedade bruxa. A ameaça à família de Angeline foi neutralizada de forma permanente, com Lucius agora muito ocupado salvando a própria pele para pensar em vingança.

Snape havia usado sua posição para garantir a segurança de Angeline, mas ele havia arriscado sua própria vida no processo.

O Chamado Final

Imediatamente após a conclusão de sua manobra, Dumbledore o convocou para o escritório. O humor do Diretor era sombrio.

"Severus," Dumbledore disse, sem rodeios. "As peças estão no lugar. A guerra começou. O Lorde das Trevas está se preparando. Você deve se juntar a ele imediatamente. Você deve partir de Hogwarts antes do amanhecer."

O momento havia chegado. Snape sentiu uma pontada de dor gelada, mas sua Oclumência estava perfeita.

"E Angeline, Diretor?" Snape perguntou, a única vez que ele quebrou o protocolo.

"Angeline está segura, Severus. Luciano se defenderá. Sua tarefa é muito maior do que qualquer tutela," Dumbledore respondeu, o olhar fixo. "Agora, vá e não olhe para trás. O Juramento ao meu lado exige a sua total devoção."

O "Juramento" de Dumbledore era a única capa de Snape.

A Despedida Sem Palavras

Snape sabia que não podia se despedir. Não haveria mais Ponto de Prata, nem calor na varinha, nem pergaminhos cifrados. O Juramento Oclumente exigia uma despedida de Comunicação Zero.

Ele esperou no corredor das masmorras, onde ele sabia que Angeline passaria em seu caminho para os aposentos de Samantha. Era a única oportunidade que ele teria antes de partir para a guerra e, possivelmente, nunca mais voltar.

Angeline passou. Ela estava caminhando, fingindo não notá-lo, mantendo sua máscara de aluna reclusa.

Snape ficou parado. Ele olhou para ela, o ódio em seus olhos era agora uma mentira total, fria e convincente.

E então, ele quebrou o Juramento de uma forma que só o Juramento podia permitir.

Ele não a tocou. Ele não falou. Ele usou a sua Legilimência, não para invadir, mas para enviar uma única, rápida e brutalmente clara imagem para a mente dela—uma visão que ela não esqueceria.

A imagem era de um Ponto de Prata (o código deles) que se transformava em uma única lágrima de prata caindo em um caldeirão vazio.

O Ponto de Prata se transformando em lágrima significava: "Eu estou partindo. Não voltarei por muito tempo. Minha dor é absoluta."

O caldeirão vazio era o final do código: "A comunicação zero é permanente. Não me procure."

Angeline cambaleou, o impacto da Legilimência silenciosa a atingiu como uma bala. O sofrimento era insuportável, mas ela manteve a máscara. Ela entendeu a mensagem: ele estava indo para a guerra, e essa era a despedida final, sem palavras, sem choro, apenas a aceitação da dor.

Ela passou por ele, e Snape se virou para as masmorras. Ele tinha cumprido seu dever e seu amor.

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