Capítulo 19: O Grito da Sonserina

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Samantha Finnigan Malfoy não era uma Grifinória, nem era dada a sentimentalismos. Ela era uma Sonserina prática, e a dor de sua irmã era uma injustiça que exigia reparação imediata. Ela sabia que a culpa era de Severus Snape.

Naquela noite, Samantha esperou o fim do toque de recolher e se dirigiu à sala dele. Ela bateu na porta com uma urgência que Snape não ousou ignorar.

Ele abriu a porta, a Oclumência estava no máximo, os olhos negros frios e vazios. "Senhorita Malfoy. Esta hora é imprópria. Cinco pontos de-"

"Não me venha com pontos, Professor," Samantha o cortou, entrando na sala e fechando a porta com um baque seco. Sua voz estava baixa, mas tremia de raiva. "Eu sei que o senhor está por trás do sofrimento da minha irmã. O que o senhor fez?"

Snape ficou imóvel, a fúria dela não o intimidava, mas a lealdade sim. "Eu não fiz nada além de curá-la e manter a distância profissional. Angeline está lidando com a frustração da recuperação vocal."

"Não minta para mim! Eu sei a diferença entre frustração e desespero," Samantha retrucou, aproximando-se. "Ela confiava no senhor de uma forma que nunca confiou em ninguém. O senhor era o único que a ouvia! E agora, o senhor a trata como se ela fosse sujeira! O senhor a usou para se sentir menos miserável e depois a descartou, como se ela fosse um erro na poção!"

A acusação de "usou" o atingiu no ponto mais vulnerável. Era exatamente o que ele pensava sobre si mesmo.

"Eu sou o professor dela. O que você supõe que eu deveria ter feito? Abrir uma exceção para o sentimentalismo?" Snape disparou, a voz sibilante. "A senhorita Finnigan precisa de disciplina, não de piedade. Se o sofrimento dela a fizer focar na recuperação completa, é um preço que eu estou disposto a pagar."

Samantha não recuou. Seus olhos verdes brilhavam com a determinação Sonserina.

"O senhor está mentindo para mim. E, pior, está mentindo para si mesmo," ela disse, a voz cheia de desdém. "Eu não sou Angeline. Eu posso falar. E eu digo que se o senhor não parar de atormentá-la com essa sua frieza falsa, eu vou contar a Dumbledore sobre as 'sessões de Legilimência terapêutica' que aconteceram de madrugada aqui. E não, Professor, isso não é de protocolo."

A ameaça era direta e letal. Não apenas por Snape, mas também por Angeline, que seria arrastada para o escândalo.

Snape sentiu o suor frio em sua nuca. Ele havia subestimado a lealdade da Sonserina. Ele se inclinou para a frente, o rosto a centímetros do de Samantha, sua voz perigosamente baixa.

"Se você fizer isso, você não a estará ajudando. Você a estará expondo. O escândalo vai destruí-la. Você acha que Lucius Malfoy não usaria isso para descredibilizá-la completamente e provar que ela é mentalmente instável? Pense nas consequências, Senhorita Malfoy."

O argumento o atingiu em cheio. Samantha viu a verdade brutal e fria nos olhos dele: ele estava lutando para protegê-la de um jeito doentio e autodestrutivo.

"Tudo bem," Samantha cedeu, recuando. "Eu não vou contar a Dumbledore. Mas o senhor tem que prometer que vai parar de torturá-la. Encontre outra forma de manter o código, mas não com essa crueldade. Ela está se perdendo no silêncio de novo por sua causa."

Snape fechou os olhos por um instante. Ele havia vencido o confronto, mas sentia-se derrotado.

"Eu farei o que for necessário," ele sussurrou, a promessa era fria e desesperada.

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